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Tampinhas plásticas ajudam a reconstruir a autoestima de mulheres após o câncer de mama

Escrito por Neo Mondo | 6 de outubro de 2026

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Tampinhas plásticas geram recursos para próteses areolares personalizadas e ajudam mulheres mastectomizadas a se reconhecer novamente no espelho - Foto: Divulgação

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Projeto une reciclagem, solidariedade e inovação para converter a arrecadação de tampinhas em recursos para a confecção de próteses areolares hiper-realistas destinadas a mulheres mastectomizadas

O que cabe na palma da mão e pesa apenas um grama pode carregar uma história inteira de recomeço. Tampinhas plásticas, muitas vezes descartadas sem valor aparente, estão ganhando um novo significado por meio do projeto Tampinha que Reconstrói, iniciativa que une a TROX do Brasil, a KWM e a enfermeira especialista em reabilitação mamária Patrícia Dias para viabilizar próteses areolares personalizadas destinadas a mulheres que passaram pelo câncer de mama.

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A proposta nasceu a partir de uma pergunta simples: como transformar uma ação ambiental em um impacto social concreto? A resposta veio da conexão entre a coleta de tampinhas plásticas, a reciclagem e o trabalho de reconstrução da autoestima realizado junto a pacientes mastectomizadas.

Em menos de quatro meses, colaboradores, parceiros e comunidade arrecadaram mais de 85 quilos de tampinhas plásticas, superando a meta inicial de 80 quilos. O apoio à arrecadação de tampinhas integra as ações de sustentabilidade e responsabilidade social da TROX do Brasil, mobilizando colaboradores e conectando a reciclagem a um impacto positivo na vida de mulheres que passaram pelo câncer de mama.

“Cada tampinha pesa cerca de um grama, o que mostra a dimensão da mobilização necessária para transformar pequenos gestos em uma rede de apoio a mulheres em tratamento ou recuperação do câncer de mama”, comenta Priscila Figueiredo, líder ambiental da TROX e idealizadora do projeto.

Não é o plástico das tampinhas que é usado na fabricação das próteses. O processo funciona assim: depois da coleta, as tampinhas, produzidas principalmente em polipropileno (PP) e polietileno de alta densidade (PEAD), são encaminhadas para reciclagem pelo Grupo Kapersul Waste Management (KWM).

A comercialização desse material reciclável gera recursos que são destinados à compra dos materiais utilizados na confecção das próteses. Assim, embora as tampinhas não se transformem diretamente nas próteses, o plástico reciclado ajuda a viabilizar sua produção e se torna parte de um ciclo que conecta economia circular e cuidado humano.

“A KWM entra com aquilo que faz de melhor: arrecadar, reciclar e transformar. Um material que seria descartado passa a gerar valor real. Cada tampinha vira um símbolo de mobilização que se transforma numa prótese, devolvendo a sensação de completude a essas mulheres”, afirma Carolina Bedran, Diretora de Sustentabilidade da KWM e também paciente em fase final de tratamento do câncer de mama.

Ciência, arte e acolhimento

As próteses são confeccionadas artesanalmente por Patrícia Dias, enfermeira especialista em reabilitação mamária e premiada por projetos de inovação em saúde. Desenvolvidas com silicone de grau médico, biocompatível com a pele humana, as próteses são produzidas sob medida, com textura, formato, cor e volume personalizados de acordo com as referências disponíveis e as necessidades de cada paciente. O resultado é impressionante!

O trabalho começa pela escuta da paciente. Antes da confecção, Patrícia realiza uma avaliação individual para compreender o momento do tratamento, as condições clínicas e as expectativas de cada mulher.

“É um trabalho feito com muito cuidado, porque não estamos falando apenas de estética mamária, mas de autoestima, confiança e do direito de a mulher se reconhecer novamente em frente ao espelho”, explica a enfermeira.

Ela define o processo como a união entre ciência e arte. Cada prótese é única, construída para que a paciente reencontre características que fazem parte da própria identidade.

A história que deu rosto ao projeto

A primeira beneficiada pelo Tampinha que Reconstrói foi Lucimara Rodrigues Vieira, mãe de um colaborador da TROX. Ao conhecer a campanha, ela passou a arrecadar tampinhas em sua comunidade para ajudar outras mulheres, sem imaginar que seria a primeira pessoa atendida pelo projeto.

“A Lucimara que eu era não é a Lucimara de hoje. Querendo ou não, no meio do processo, você muda, você não é a mesma pessoa que você era. E isso está sendo muito importante para mim hoje, porque eu sei que eu vou conseguir me olhar e vou conseguir me enxergar”, compartilha a paciente. “O que representa para mim é me reencontrar comigo mesma. Me reconstruir como mulher, de olhar para mim e me aceitar, e poder enxergar um pouquinho da Lucimara que eu era lá atrás.”

Lucimara Rodrigues Vieira, primeira paciente a receber a prótese por meio do projeto Tampinha que Reconstrói - Foto: Divulgação

Para Priscila Figueiredo, da TROX, o projeto mostra que sustentabilidade também significa olhar para as pessoas. “Buscávamos uma iniciativa que fosse além da gestão ambiental e gerasse um impacto social direto na comunidade. Quando conectamos a arrecadação das tampinhas ao trabalho humanizado da Patrícia, percebemos o potencial transformador desse ciclo”, afirma.

Um projeto permanente

Após a entrega da primeira prótese, a campanha continua de forma permanente, ampliando a arrecadação para atender outras mulheres que aguardam atendimento. As caixas de coleta foram distribuídas em pontos estratégicos da empresa, como as copas, para facilitar não só a entrega como a lembrança da doação de tampinhas plásticas de embalagens de bebidas, produtos de limpeza, cosméticos e medicamentos.

Durante o Outubro Rosa, o projeto deixa uma mensagem simples: pequenas atitudes podem ter um impacto muito maior do que imaginamos. Quando pessoas, empresas e profissionais se unem em torno de uma causa, até uma simples tampinha pode ajudar a reconstruir histórias.

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