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Escrito por Neo Mondo | 23 de setembro de 2026
Horizontes Azuis reúne ciência, arte e sociedade em uma travessia pelo oceano dentro da Rio Ocean Week 2026 - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Quatro dias em que ciência, arte, tecnologia e cultura devolveram o oceano ao centro da vida pública
Durante quatro dias, o Museu do Amanhã deixou de ser apenas um edifício voltado para a Baía de Guanabara. Tornou-se uma passagem entre a cidade e o mar.
De 17 a 20 de setembro, a Rio Ocean Week 2026 reuniu cientistas, artistas, educadores, navegadores, comunidades tradicionais, organizações ambientais, representantes do poder público e milhares de visitantes. O encontro partiu de uma ideia simples e profunda: não haverá futuro possível enquanto o oceano permanecer distante da vida cotidiana.
O Neo Mondo acompanhou essa travessia por dentro.
Como mídia oficial do festival, registramos cada dia por meio da série Horizontes Azuis, conduzida por Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.
Turra percorreu estandes, navios, auditórios, exposições e oficinas. Conversou com pesquisadores, artistas, marinheiros, pescadores, crianças e famílias. Em seus boletins, transformou a programação do festival em uma narrativa sobre as muitas maneiras pelas quais o oceano participa da existência humana, mesmo quando não conseguimos enxergá-lo.
Antes da abertura, os navios já estavam atracados e mais de 35 mil pessoas haviam se inscrito. O Museu do Amanhã, o Espaço Cultural da Marinha e o Museu Naval formavam uma geografia ampliada, na qual conhecimento científico, experiência sensível e participação pública poderiam circular juntos.
Horizontes Azuis | Rio Ocean Week, boletim 1
No primeiro dia, mais de mil visitantes entraram nos navios de pesquisa atracados no píer. O público acompanhou debates sobre lixo no mar, microplásticos, saneamento, rios e poluição oceânica. À noite, Paula Saldanha conduziu conversas com vozes ligadas à conservação marinha, enquanto BNegão e Bernardo Bosisio reencontraram o mar de Dorival Caymmi.
Na sexta-feira, mais de 5 mil pessoas passaram pelo festival. Pigmentos extraídos de algas se transformaram em tinta diante das crianças. Fotografias, filmes, instalações e conversas mostraram que a ciência não precisa abandonar a precisão para despertar encantamento. Arte e conhecimento podem dividir o mesmo espaço porque ambos procuram tornar visível aquilo que ainda não aprendemos a perceber.
Tinta feita de algas e 5 mil visitantes marcam a sexta-feira da Rio Ocean Week
No sábado, crianças mergulharam sem entrar na água. A realidade virtual permitiu observar o oceano por outros ângulos, enquanto o filme Vozes das Baías levou para a tela as histórias de Sepetiba, Ilha Grande e Guanabara. Caiçaras retratados na obra assistiram à própria memória ocupar o Museu do Amanhã. A economia azul também entrou na conversa, passando pela pesca, pelo turismo, pela maricultura e pelo planejamento espacial marinho.
Sábado da Rio Ocean Week leva realidade virtual e caiçaras das três baías ao Museu do Amanhã
O encerramento reuniu quase 20 mil visitantes acumulados ao longo dos quatro dias. A programação aproximou painéis científicos, cinema, economia azul, arte, navios de pesquisa e música. A Bossa do Oceano ocupou o auditório, e o Cristo Redentor voltou a receber a iluminação azul que havia marcado a abertura.
Rio Ocean Week fecha com quase 20 mil visitantes e Bossa do Oceano no auditório do Museu do Amanhã
O que aconteceu no Rio não cabe apenas nos números.
O maior legado da Rio Ocean Week foi aproximar dimensões que frequentemente caminham separadas. Ciência e música. Tecnologia e memória. Economia e conservação. Pesquisa acadêmica e conhecimento tradicional. A criança diante de uma tinta produzida por algas e o marinheiro que atravessou oceanos pertenciam à mesma conversa.
Essa foi a força do encontro: retirar o oceano da condição de paisagem e devolvê-lo à vida pública.
Esta página reúne os cinco capítulos dessa trajetória. É o registro de um festival que mostrou que comunicar o oceano não significa apenas explicar correntes, espécies ou ameaças. Significa construir pertencimento.
A Rio Ocean Week terminou no domingo. O oceano, não.
Ele permaneceu nas perguntas, nas imagens, nas descobertas e na memória de quem saiu do Museu do Amanhã olhando a Baía de Guanabara de outro modo.

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