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Escrito por Neo Mondo | 28 de agosto de 2025

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Quando a inclusão se torna uma prova de fogo para a sociedade - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

ARTIGO

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Por – Daniel Medeiros*, articulista de Neo Mondo

Frases reais de um cenário que precisa ser urgentemente pensado e trabalhado. Garantir a diferença é necessário, mas ignorar os problemas não ajuda em nada nessa luta por equidade e cidadania.

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— Mas não seria melhor ter uma turma só para as pessoas como ele?
— Pensem bem, não é ser contra, mas é que tenho de pensar no aprendizado do meu filho!
— E se ele agredir a minha menina?
— Na última viagem, ele jogou suco no rosto da professora. Será que é só por causa do problema dele mesmo?
— A gente compreende a situação dos pais, mas as amigas da minha filha não gostam de brincar com ela. Agora, não dá pra obrigar ninguém a gostar de ninguém, né?
— Meu filho tem altas habilidades e não suporta as aulas de matemática. Por que a escola não faz nada pra melhorar isso?
— Na natação, a menina da inclusão segurou no cabelo da minha filha e não quis soltar. A menina ficou traumatizada e não quer mais ir para a escola.
— Ontem ele ficou super regulado, mas, no fim do dia, não aguentou e fez xixi nas calças. As meninas riram dele.
— Mas não seria melhor tirá-lo da escola e colocá-lo em um lugar onde ele possa se desenvolver melhor?
— Minha filha quer fazer medicina, e é difícil ficar na mesma sala que ela, por causa dos barulhos que a outra menina faz.
— Meu filho contou que ele mesmo diz que não tem nada, só finge.
— Assim não vai ter tutora que aguente ficar na escola. Essa menina é muito agressiva.
— Ela chora por tudo e, quando a gente quer consolar, diz que prefere ficar sozinha. Pois então que fique. A gente quis ajudar, ela não aceitou.
— A psicóloga diz que, no consultório dela, nada disso acontece. A professora é quem deve estar fazendo algo errado.
— Essa escola não está preparada para receber meu filho. Vou denunciar ao Ministério Público.
— A família deixa a criança o dia inteiro na escola porque precisa trabalhar. Mas a criança não aguenta tanto tempo exposta ao barulho e à agitação, e surta sempre.
— O pai quis defender o filho, que reagiu ao menino da inclusão, dizendo que “não existe esse negócio de diferente, não”.
— A professora saiu da sala e foi chorar no corredor depois que a menina jogou o copo nela. Depois voltou, pegou as coisas e foi embora. Minha filha ficou muito triste, porque gostava muito da professora.
— Agora a escola é obrigada a aceitar as crianças de inclusão, mas quase nunca tem vaga para elas. É triste esse ir de escola em escola sem encontrar lugar para a minha filha. Ela fica perguntando por que ninguém a quer ali.
— O menino não é verbal e morde e chuta o tempo todo. Mas é um amor quando encosta no meu ombro e dorme.
— O banheiro estava uma bagunça porque a menina da inclusão espalhou fezes nas paredes. Minha filha ficou enjoada. Por que ninguém faz nada para conter essa menina?
— Não seria melhor ter uma sala só para o pessoal da inclusão, e daí eles socializam, tipo, no recreio?
— Porque aprender eles não aprendem nada mesmo, não é?
— Eu sei que não é com um filho meu, mas o que eu posso fazer? Então eu também tenho culpa?
— Quando meu filho atrasar nos estudos porque o professor precisa parar a aula o tempo todo por causa da menina da inclusão, quem vai se responsabilizar por isso?
— Não tenho nada contra a inclusão, acho inclusive importante, mas precisava ter um jeito melhor de resolver esses problemas, não?

*Daniel Medeiros é professor e consultor na área de humanidades, advogado e historiador, Mestre e Doutor em Educação Histórica pela UFPR.

E-mail: danielhortenciodemedeiros@gmail.com

Instagram: @profdanielmedeiros

foto de daniel medeiros, autor do artigo inclusão
Daniel Medeiros - Foto: Divulgação

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