Amazônia COPs Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Oceano Política Saúde Segurança Sustentabilidade Tecnologia e Inovação

COP30 — Dia 11: O Pacote Azul, o fim dos fósseis e o Brasil em busca de aliados para um futuro de baixo carbono

Escrito por Neo Mondo | 20 de novembro de 2025

Compartilhe:

A reta final da COP30 chegou — e com ela um dos momentos mais decisivos para o futuro do oceano - Foto: Ilustrativa/Freepik

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

foto do logo da cop30

No décimo primeiro dia da conferência, já de volta a São Paulo, Alexander Turra revela a disputa pelos acordos finais, a pressão global para institucionalizar o Pacote Azul e os caminhos possíveis para um Brasil sem combustíveis fósseis

Hoje o boletim veio de outro cenário — não mais das margens do Rio Guamá, nem dos corredores frenéticos da Blue Zone em Belém. Alexander Turra gravou de São Paulo, já de volta para casa depois de 10 dias intensos na COP30. Mas, apesar da distância física, a agenda do Oceano continua, viva, vibrante e urgente.

Leia e assista também: COP30 — Dia 10: Inovação azul, diplomacia científica e a união Amazônia Verde + Amazônia Azul

Leia e assista também: COP30 — Dia 9: O Oceano ocupa tudo — dados abertos, planos globais, economia azul, cinema ambiental e o Brasil de volta ao centro das decisões

Turra abre o boletim dizendo que este deveria ser o penúltimo dia da conferência… mas talvez não seja. As negociações estão tensas, delicadas e profundamente estratégicas. E existe a possibilidade real de extensão — algo que não surpreende ninguém que acompanha COPs há anos, mas que sempre carrega aquele suspense geopolítico no ar.

O importante, ele reforça, é que o trabalho não acabou.
E que a agenda do Oceano continua sendo um eixo central das decisões.

O Pacote Azul: o grande teste da COP30

Turra explica que a grande expectativa do dia é a institucionalização do Pacote Azul — um arranjo de financiamento e estruturação das ações climáticas voltadas especificamente para o Oceano.

Por que isso importa?

✔ Porque sem dinheiro, nenhuma ação oceânica sai do papel.
✔ Porque o Oceano é transversal a toda a agenda climática.
✔ Porque as “Ocean Breakthroughs” (inovação, empreendedorismo e cultura oceânica) precisam de base institucional para avançar.
✔ Porque mais de 80 países já apoiam essa pactuação — e o Brasil está entre eles.

Ele resume com clareza:

“O Oceano está em todas as frentes da ação climática, mas precisamos fortalecê-lo como estratégia própria.”

Trata-se de criar mecanismos, metas, prazos e governança para consolidar o Oceano como parte inegociável da resposta global ao clima.

A transição para longe dos combustíveis fósseis

Um dos pontos mais fortes do boletim é quando Turra fala, com todas as letras, sobre o que realmente está em disputa:

“Para implementar o Acordo de Paris, precisamos abandonar os combustíveis fósseis.”

Não há como fugir disso.

E para isso acontecer, é preciso:

  • uma rota clara,
  • metas pactuadas,
  • engajamento internacional,
  • pressão social e científica,
  • e coragem política.

A COP30 está discutindo exatamente isso.
E o mar — responsável por absorver calor, carbono e impactos — é parte vital desse debate.

O papel do Brasil: desmatamento zero (e negativo)

Turra lembra que a transição brasileira tem dois pilares inseparáveis:

1️⃣ Abandono progressivo de fósseis
2️⃣ Combate ao desmatamento e reforma da agropecuária

Segundo ele:

“Chegar ao ponto de termos desmatamento negativo no Brasil é essencial.”

E há caminhos possíveis:

  • mercados de carbono bem regulados,
  • restauração florestal,
  • bioeconomia amazônica,
  • manejo sustentável,
  • pagamentos por serviços ecossistêmicos,
  • e oportunidades concretas para comunidades locais.

O Brasil tem potencial para ser líder climático — mas precisa alinhar prática, política e ambição.

O futuro depende de alianças — e de todos nós

Uma das frases mais fortes do boletim veio no final:

“O problema é de todos e a solução está com todos.”

Turra fala sobre cooperação, pactuação e o desejo de que o Pacote Azul e os acordos climáticos avancem nos próximos dias.

Ele também reforça que a cobertura Neo Mondo continua — mesmo com ele já em São Paulo — porque a agenda não termina quando o avião decola.

O Oceano não espera.
E o clima também não.

Amanhã tem mais — talvez o último, talvez não

O boletim termina com uma incerteza típica da reta final das COPs:
talvez amanhã seja o encerramento. Talvez não.

Mas Turra garante uma coisa:

“Eu continuo aqui, trazendo reflexões que possam botar esse assunto na boca de todo mundo.”

E é isso que seguimos fazendo diariamente no Neo Mondo — levando o Oceano para o centro do debate público.

Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”

A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

foto de alexander turra, “COP30 deve pactuar sequestro de carbono em florestas e no oceano”, afirma Alexander Turra
Alexander Turra - Foto: Divulgação

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

logo da cátedra do oceano, na cop30

Compartilhe:


Artigos anteriores:

Dia da Terra: o que precisa mudar para que continuemos aqui

Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas

Quando o crédito passa a vigiar a floresta


Artigos relacionados