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Escrito por Neo Mondo | 17 de outubro de 2018
O desmatamento na Amazônia é medido de agosto de um ano a julho do ano seguinte. A série de dados de 2018-2019 começou com forte alta na taxa: 79% de aumento nos meses de agosto e setembro em relação ao mesmo bimestre do ano passado. Quando se somam os meses de junho e julho a elevação cai para 36%.
A alta no ritmo das motosserras não é novidade em períodos eleitorais. Segundo Paulo Barreto, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em ano de eleição os governos locais tacitamente diminuem a fiscalização. Na Amazônia, neste ano, as polícias têm reduzido seu apoio às operações do Ibama.
“A questão é se isso será um pico causado pela conjuntura da campanha, que depois suaviza, ou se é uma tendência”, disse André Guimarães, diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). “Um risco é [o desmatamento] mudar de patamar como mudou nos últimos anos. Ele pode sair de controle se não houver uma ação coercitiva forte, que o contexto político não favorece.”
Em 2018, o componente político é explosivo não apenas na esfera local, mas também na nacional. O candidato líder nas pesquisas de opinião, Jair Bolsonaro (PSL), tem feito campanha pela Amazônia prometendo extinguir o Ministério do Meio Ambiente, que seria fundido com o de Agricultura e entregue aos ruralistas, e “acabar com a indústria das multas do Ibama”.
Segundo um agente público ouvido pelo OC, há relatos de que em algumas regiões esse discurso esteja sendo levado a sério e grileiros e produtores rurais estejam desmatando confiando numa anistia futura.
Os dois candidatos que disputam o segundo turno, Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), também prometeram pavimentar a polêmica BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. O asfaltamento da estrada é uma reivindicação antiga dos amazonenses, mas até agora não saiu porque implicaria em muito desmatamento numa das últimas regiões intocadas da floresta. Dois dos três municípios mais desmatados no período (Porto Velho, 2o lugar e Lábrea, no Amazonas, 3o lugar) estão no eixo da rodovia, uma das novas frentes de ocupação da Amazônia.
Mas há outros fatores que podem explicar a alta. Um deles é o clima: no ano passado, o período chuvoso em grandes porções da Amazônia se estendeu até o meio do ano, normalmente época de seca. Neste ano, a estiagem está forte e favorece as derrubadas.
Outro possível motivo é o câmbio. Com o dólar no patamar dos R$ 4 durante quase todo o período eleitoral, as exportações foram favorecidas e os produtores, em especial em Mato Grosso e Rondônia, ficaram com mais dinheiro na mão para abrir novas áreas.
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