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Escrito por Neo Mondo | 4 de novembro de 2019

Foto - DivulgaçãoJustamente em função desse trabalho, as ameaças vêm aumentando ano a ano, chegando a níveis extremos em 2019, diante da promessa de diversas autoridades do Governo Federal de facilitar a vida de madeireiros e rever a demarcação de terras indígenas. No final de setembro os Guajajara encaminharam um pedido de ajuda à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e ao Governo do Maranhão, pois as ameaças feitas por madeireiros e grileiros –interessados em invadir, lotear e vender partes do território, protegido por lei– já haviam chegado a níveis alarmantes. Num inaceitável jogo de empurra, o Governo do Maranhão alegou que a responsabilidade pela fiscalização da terra era da FUNAI, que vem operando com enormes dificuldades financeiras desde o começo do ano. O clima de permissividade com a invasão e exploração ilegal de recursos florestais em terras indígenas, iniciado no Governo Temer e aprofundado sob o Governo Bolsonaro, fez com que o desmatamento em diversas terras indígenas tenha explodido esse ano, no rastro do aumento do desmatamento ilegal na Amazônia brasileira. Segundo dados do sistema de monitoramento DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento acumulado entre 1 de janeiro e 17 de outubro deste ano é 136% maior que a média dos últimos 10 anos e 66% superior em relação a 2018 (a comparação é feita sempre em relação ao mesmo período). As terras indígenas, que historicamente serviram com as mais eficientes barreiras ao desmatamento, também estão vendo o desmatamento explodir: até o final de agosto deste ano foram 294 km2 desmatados, um aumento de mais de 300% em relação ao mesmo período de 2018 e de 990% em relação a 2017. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), nos nove primeiros meses de 2019 foram registrados mais de 160 casos de invasão a terras indígenas no país, enquanto em 2017 foram registrados 96 casos durante o ano inteiro. O WWF-Brasil se solidariza com a luta do povo Guajajara, bem como de todos os povos indígenas e populações tradicionais que lutam pela defesa de seus territórios, e vem a público cobrar do Ministério da Justiça que atue no cumprimento de seu dever legal para reforçar a proteção à TI Araribóia e prender os responsáveis pelas rotineiras invasões ao território protegido, que é terra da União.
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