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Escrito por Neo Mondo | 29 de outubro de 2018
O Brasil percorreu um longo caminho até a consolidação de um conjunto de instituições e políticas públicas que guardam um patrimônio natural único, base sobre a qual se assenta não apenas a qualidade de vida, mas o próprio desenvolvimento econômico do país. Não nos calaremos diante do desmonte dessas instituições e políticas.
Da mesma forma, perseguiremos de forma incansável o cumprimento das metas do Brasil contra as mudanças climáticas e a ampliação da ambição dessas metas, em linha com os objetivos do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento global em 1,5oC. Dar as costas ao acordo do clima e a medidas de adaptação a extremos climáticos seria desastroso para o país: do ponto de vista geopolítico, comercial, de desenvolvimento e, sobretudo, da segurança dos cidadãos brasileiros, que o presidente eleito jurou priorizar.
Por fim, resistiremos a qualquer investida contra os povos e comunidades tradicionais, protegidos pela Constituição, bem como a qualquer violência contra ativistas ambientais. O Brasil é o país que mais mata defensores do meio ambiente no mundo – 57 apenas no ano passado – e o clima instaurado na campanha eleitoral, com atentados a agentes do Ibama e ao ICMBio, apenas aumentou o perigo. É tarefa do presidente eleito desarmar essa bomba.

“O diferencial da agropecuária brasileira está na valorização dos ativos florestais, na água, na biodiversidade e na riqueza cultural dos nossos povos. Somente quando essa percepção for amplamente incorporada no setor é que daremos um salto importante na direção do desenvolvimento sustentável.”
Marina Piatto, coordenadora de Clima e Agricultura do Imaflora.
“As declarações dadas durante a campanha sinalizando que um governo Bolsonaro não cumpriria a obrigação constitucional de demarcar as terras indígenas também têm implicações para a questão climática. A Amazônia brasileira comprova ao mundo o papel que as terras indígenas cumprem na regulação do clima, e é fundamental que o Brasil avance no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas e das comunidades quilombolas como parte de sua contribuição para o cumprimento do Acordo de Paris. Recuar no reconhecimento dos direitos territoriais desses povos e comunidades seria um retrocesso difícil de explicar ao mundo.”
Adriana Ramos, diretora de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental
“Esperamos que o presidente eleito perceba muito rápido o tamanho de sua responsabilidade, que tem que ser infinitamente maior, no discurso e na prática, do que a de um candidato. Caso decida levar adiante aquilo que vem prometendo contra o meio ambiente, os povos indígenas e a agenda de clima, as maiores vítimas serão os brasileiros e o Brasil. Entre 2013 e 2017, mais de 2.700 municípios do país sofreram com secas severas, mais de 1.700 sofreram com alagamentos. Aumentar desmatamento e emissões de gases de efeito estufa é impor a cada um de nós um risco crescente de mais catástrofes climáticas.”
Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima
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