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Escrito por Neo Mondo | 30 de outubro de 2025
Espaço contará com exposições, oficinas, debates, apresentações artísticas, instalações imersivas, eventos culturais e shows - Foto: Rafael Medelima | COP30
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Sem credenciamento, gratuita e cheia de vida, a Green Zone promete ser o grande ponto de encontro entre ciência, arte, juventude, comunidades tradicionais e inovação sustentável em Belém — enquanto a Agenda de Ação transforma compromissos em realidade
Vou confessar uma coisa: poucas notícias me deixaram tão empolgado nos últimos tempos quanto essa. A COP30, que já carrega a responsabilidade histórica de acontecer em plena Amazônia, acaba de anunciar que sua Zona Verde — o espaço mais vibrante e democrático da conferência — será aberta ao público. Sim, aberta! Sem credenciamento, sem burocracia, sem crachá pendurado no pescoço. Basta chegar, respirar o ar úmido e mágico de Belém e participar.
Afinal, o clima — e o futuro do planeta — dizem respeito a todos nós.
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A 30ª Conferência das Partes (COP30) vai transformar o Parque da Cidade em Belém no epicentro do debate global sobre o clima. Ali, duas zonas serão montadas: a Zona Azul, destinada às negociações diplomáticas entre chefes de Estado e representantes oficiais, e a Zona Verde, ou Green Zone, pensada como um grande palco aberto para o diálogo entre governos, empresas, ONGs, povos indígenas, juventudes e a sociedade civil.
Mas não é só um espaço de debate. É um espaço de convivência. Um parque vivo, cheio de cor, sons e ideias.
A Green Zone é uma celebração da diversidade e da criatividade brasileira — um território onde ciência encontra arte, onde tecnologia conversa com ancestralidade, e onde a Amazônia fala ao mundo com a força de quem sempre soube o que é viver em equilíbrio com a natureza.
Diferente da Blue Zone, que exige credenciais diplomáticas, a Green Zone foi criada para ser um espaço de livre acesso — sem credenciamento, sem barreiras. Um lugar de inclusão e pertencimento, aberto a todas as idades e perfis.
Pedro Pontual, secretário-adjunto da Casa Civil e um dos responsáveis pela segurança da COP30, explicou bem:
“Enquanto a Zona Azul é o espaço das negociações entre os Estados, a ideia da Green Zone é ser um local aberto, onde quem não faz parte dessas tratativas também possa participar, interagir e usufruir da experiência que a conferência proporciona.”
E o melhor: segurança e liberdade caminham juntas. Haverá controle de acesso por detectores de metais e raio-X — tudo para garantir tranquilidade sem tirar a leveza de um evento que é, antes de tudo, um convite à participação popular.
A estrutura da Green Zone vai muito além de estandes institucionais. Haverá exposições, oficinas, debates, apresentações artísticas, shows, instalações imersivas, feiras e hubs temáticos.
Um espaço de experimentação e descobertas, onde será possível aprender sobre financiamento climático, tecnologias limpas, biodiversidade, inovação e juventude — tudo isso em meio a uma programação cultural intensa, gratuita e acessível.
E para quem vive em Belém, o espaço também é um presente. Durante os meses em que o parque ficou aberto à população, mais de 700 mil pessoas circularam por ali, aproveitando atividades de lazer e esportes. Agora, ele será palco do maior evento climático do planeta — e, depois da COP, voltará a ser um ponto turístico e de convivência da cidade.

É, de fato, uma COP que fala português — e, mais ainda, fala amazônico.
Mas não é só de estrutura física que se faz uma revolução climática. A COP30 também apresentou a tão esperada Agenda de Ação, uma espécie de bússola prática para transformar promessas em resultados concretos.
Sob a liderança de Dan Ioschpe e Nigar Arpadarai, os chamados Campeões de Alto Nível do Clima, e em parceria com a Parceria de Marrakesh, essa agenda quer fazer o que o mundo tanto cobra: agir.
São seis eixos temáticos e trinta objetivos-chave que nasceram das lições do Balanço Global (GST-1) — o grande diagnóstico mundial sobre o progresso (ou a falta dele) das metas climáticas. A ideia é simples, mas poderosa: usar o que já foi acordado no Acordo de Paris como combustível para acelerar o que precisa acontecer agora.
Empresas, investidores, governos locais, cientistas, movimentos sociais e jovens estarão lado a lado, em eventos paralelos e colaborações reais, construindo caminhos para um futuro que já não pode esperar.
E tudo isso com transparência, cooperação e espírito coletivo — como um mutirão planetário pela vida.
A programação inicial já está disponível e será atualizada continuamente.
Enquanto escrevo, penso na força simbólica de tudo isso acontecer em Belém. A cidade que nasce da água, da floresta e do calor humano está prestes a se tornar o centro do mundo — e, mais importante, um exemplo de que é possível construir uma agenda climática que não exclui ninguém.
A Zona Verde da COP30 é mais do que um espaço físico. É um símbolo da democracia climática, da Amazônia que quer ser ouvida e da humanidade que, apesar de todos os desafios, ainda acredita no poder do encontro.
E eu, sinceramente, mal posso esperar para estar lá — caminhando entre estandes, ouvindo sotaques, aprendendo com jovens cientistas e com os guardiões da floresta, respirando o ar quente e cheio de esperança da cidade que vai acolher o planeta inteiro.
Porque, no fundo, é isso que a COP30 representa: a chance de reescrever nossa história com o planeta, e não sobre ele.
Belém nos espera. E o futuro também.
*Com informações

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