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Escrito por Neo Mondo | 30 de março de 2026
COP15: o WWF celebra avanços significativos, na qual os governos concordaram com novas medidas para reduzir a captura acidental, ampliaram a proteção de várias espécies ameaçadas e reforçaram os compromissos de promover a conectividade ecológica em terra e no mar - Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Os resultados chegam em um momento crucial, à medida que os países enfrentam crescente pressão para cumprir as metas globais de biodiversidade até 2030
O WWF celebra avanços significativos na conservação durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), na qual os governos concordaram com novas medidas para reduzir a captura acidental, ampliaram a proteção de várias espécies ameaçadas e reforçaram os compromissos de promover a conectividade ecológica em terra e no mar.
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As Partes adotaram uma nova e robusta resolução sobre captura acidental e incluíram diversas espécies importantes nos Apêndices, incluindo a hiena-listrada, o tubarão-raposa e a coruja-das-neves. Também renovaram e fortaleceram o compromisso de avançar na conectividade ecológica em ambientes terrestres e aquáticos, além de adotarem uma nova resolução sobre Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas, contribuindo para a iniciativa Corredores Azuis para Tartarugas, desenvolvida em parceria com o WWF.
A reunião reafirmou uma posição fortemente preventiva em relação à mineração em águas profundas e lançou uma nova iniciativa para enfrentar a captura ilegal e insustentável de espécies listadas na CMS. Também foram acordadas medidas para fortalecer a cooperação na conservação das onças na região.
Colmán Ó Críodáin, chefe de Políticas de Vida Selvagem do WWF, afirmou: “As decisões tomadas para fortalecer a conectividade ecológica e proteger os corredores migratórios representam passos essenciais tanto para as pessoas quanto para a natureza. Acordos sobre ‘corredores azuis’ para tartarugas e ‘rotas migratórias’ para aves contribuem para a recuperação das espécies, ao mesmo tempo em que conservam os ecossistemas essenciais para sustentar as comunidades locais.”
“Entretanto, com apenas quatro anos restantes para cumprir a missão global de deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030, não há espaço para complacência. O progresso rumo às metas globais de natureza será avaliado ainda este ano, e os indícios atuais sugerem que os países não estão no caminho certo. O WWF insta todos os países a construir sobre os avanços alcançados em Campo Grande e acelerar as ações”, acrescentou.
“A COP15 mostrou avanços importantes - com a conectividade ecológica no centro das decisões, maior cooperação internacional e protagonismo da agenda marinha - e reforçou um caminho comum para a proteção da biodiversidade”, destacou Mariana Napolitano, diretora de Conservação do WWF-Brasil. “A realização da COP no Brasil também contribuiu para impulsionar propostas concretas e fortalecer a cooperação regional em torno de espécies migratórias. Ao mesmo tempo, evidenciou que o próximo passo é transformar essa ambição em implementação concreta. Já temos diagnóstico e direção - o que está em jogo agora é a capacidade de implementar, com cooperação e recursos, alinhando ambição e financiamento para garantir resultados na prática.”
Esta é a primeira vez que a COP da CMS é realizada no Brasil, e às portas do Pantanal. Campo Grande está situada na borda do bioma, a maior e uma das mais diversas áreas úmidas do mundo, lar de onças, capivaras (o maior roedor do mundo) e vitórias-régias (uma planta aquática com as maiores folhas do planeta).
Durante a COP15, o WWF organizou diversos eventos para apresentar projetos desenvolvidos em parceria, incluindo com o Secretariado da Convenção. Esses eventos destacaram trabalhos sobre corredores azuis para grandes cetáceos e tartarugas marinhas, esforços de conservação das onças e um relatório sobre espécies de peixes de água doce que podem ser consideradas para futuras inclusões nas listas da CMS.
Notas:
Cerca de dois terços dos países soberanos do mundo (133 no total) são Partes da Convenção CMS, cujo objetivo é facilitar a cooperação internacional necessária para conservar espécies que migram entre diferentes países.
A Convenção possui dois Apêndices: o Apêndice I lista as espécies que requerem proteção rigorosa, incluindo a proibição de captura em quase todas as circunstâncias; e o Apêndice II inclui espécies para as quais é necessária cooperação internacional para garantir sua conservação, podendo essa cooperação assumir a forma de acordos formais, memorandos de entendimento, planos de ação ou outras medidas.
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