Ciência e Tecnologia Destaques EcoBeauty Saúde
Escrito por Neo Mondo | 13 de outubro de 2026
Flavia Addor estreia nesta quarta-feira, 14 de outubro, sua coluna quinzenal no Neo Mondo sobre a relação entre a pele, a radiação solar e a poluição do ar - Foto: Acervo pessoal
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Coautora do Consenso Brasileiro de Fotoproteção e primeira autora da revisão que colocou o risco ambiental dos filtros entre os critérios da prescrição dermatológica, a dermatologista publica o primeiro texto nesta quarta-feira, 14 de outubro
A dermatologista Flavia Addor estreia nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma coluna quinzenal no Neo Mondo. Formada em medicina pela Santa Casa de São Paulo, ela é mestre em dermatologia pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora do Grupo Medcin, centro privado de pesquisa clínica em Osasco (SP). A cada duas semanas, vai escrever sobre o ponto em que a saúde da pele encontra o ambiente: a radiação solar, a poluição do ar e os efeitos que os próprios filtros solares têm sobre a natureza.
Leia também: Protetor solar grátis na orla do Villa-Lobos inaugura parceria entre WWF-Brasil e Social & Soluções
Leia também: Do pulmão ao cérebro: a pesquisa brasileira que refez a rota dos microplásticos no corpo
O tema atravessa o trabalho mais lido de Addor. Em 2022, ela assinou como primeira autora uma revisão nos Anais Brasileiros de Dermatologia, periódico da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O texto trata a pele como a principal fronteira entre o corpo e o ambiente e, por isso, como a primeira linha de defesa contra ele. Em seguida lista os agressores: gases de motores a combustão, fumaça de cigarro, hidrocarbonetos halogenados, metais pesados e ozônio.
Seis autores assinam o artigo, entre eles Hélio Amante Miot, da Unesp de Botucatu, Omar Lupi, da Unirio, e Carlos Barcaui, da Uerj. A revisão examina o que define um bom protetor solar: formulação, fotoestabilidade, espectro de proteção e as diferenças entre a regulação brasileira e a de outros países. Também discute os riscos de alguns filtros para a segurança individual e ambiental. Na conclusão, os autores incluem o risco ambiental entre os critérios para avaliar um produto, ao lado da qualidade do veículo e da composição química. O texto não usa o risco ambiental como argumento contra o filtro. Usa como critério de escolha. Na plataforma da Elsevier, o artigo soma mais de 10 mil leituras.
A discussão tem escala de saúde pública. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 263 mil casos novos de câncer de pele não melanoma por ano no Brasil entre 2026 e 2028, mais de 30% de todos os diagnósticos de câncer no país. Addor também participou da definição das regras nacionais de proteção solar. Em 2014, integrou o grupo de 25 dermatologistas que redigiu o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, publicado pela SBD.
Quatro anos depois, publicou sozinha uma revisão na Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology com um título que resume a tese: o envelhecimento da pele vai além do sol. No texto, ela mostra que poluição atmosférica, tabagismo, dieta, sono e estresse crônico se somam a condições como diabetes e menopausa para acelerar o desgaste da pele, e que esse efeito cresce com a expectativa de vida. Para a autora, esses fatores pediam mais atenção de pesquisadores e dermatologistas e poderiam exigir novas abordagens no tratamento.
Essa leitura se apoia em mais de uma década de pesquisa sobre a barreira cutânea, a camada que impede a perda de água e a entrada de agentes externos. Em 2010, com Valéria Aoki, da USP, Addor publicou uma revisão sobre a barreira da pele na dermatite atópica. Dois anos depois, com Aoki e Evandro Rivitti, relacionou no International Journal of Dermatology a função da barreira em pele sem lesão à atividade da doença. Depois vieram revisões sobre a barreira na rosácea, em 2016, e sobre antioxidantes em dermatologia, em 2017. O PubMed reúne 13 artigos com a assinatura dela entre 2010 e 2026.
A trajetória tem alcance fora do país. Flavia Addor é fellow da Academia Americana de Dermatologia desde 1994 e fez aperfeiçoamento em dermatotoxicologia na Vrije Universiteit, em Bruxelas, em 2009. Foi diretora da SBD em 2013 e 2014 e vice-presidente da regional paulista entre 2010 e 2011. Só em 2026, três trabalhos com o nome dela saíram em periódicos internacionais. Em fevereiro, uma revisão sistemática com recomendações de um painel de 12 especialistas, entre eles Giovanni Pellacani e Joachim Fluhr, tratou do uso de dermocosméticos em procedimentos estéticos. Em julho, como primeira autora na Dermatology and Therapy, ela avaliou um sérum de vitamina C a 12% testado em todos os fototipos de pele. Em agosto, o Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology publicou um consenso latino-americano sobre equipamentos à base de energia no tratamento de queloides e cicatrizes hipertróficas. O documento foi construído pelo método Delphi e tem 25 autores.
Fora dos periódicos, Addor também defende a saúde da pele acima da estética. Em 2022, numa reportagem do Correio Braziliense, criticou procedimentos que esticam o rosto e esquecem a qualidade da pele. “De que adianta ter 70 anos, um rosto esticado, mas sem viço (...)?”, perguntou.
No time de colunistas do portal, ela se junta a Alexander Turra, Carlos Primo Braga, Daniel Medeiros, Kamila Camilo, Lígia Camargo e William Wills. “Agradeço o convite. O Neo Mondo abre espaço para informar com responsabilidade e com a ciência mais atual, e é com esse compromisso que chego à coluna”, afirma Flavia Addor.
Floresta não se monta como obra, e estudo da USP quer que a inteligência artificial aprenda isso
positiv.a lança linha para bebês sem petroquímicos, formulada com mães
Populações de animais silvestres caem 73% em 52 anos, e a América Latina lidera a perda com 95%