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Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2026
Neo Mondo declara apoio a Lula: pela floresta em pé, pela democracia e pela memória das vidas perdidas na pandemia - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Na eleição de domingo, a educação, a floresta, a imprensa, a mesa do brasileiro e a soberania estão na mesma cédula
O Neo Mondo declara apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno deste domingo, 25 de outubro, e rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Tomamos essa posição pelo que este portal cobre desde 2007: a floresta, o clima, os povos e as instituições que protegem os três. A disputa está aberta. No primeiro turno, Flávio recebeu 56.104.268 votos, 47,03% dos válidos. Lula obteve 53.876.617, ou 45,16%. Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 21, Flávio tem 45% e Lula, 44%.
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Cinco dias antes, o Inpe publicou o número que resume esta escolha. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia perdeu 3.335 km² de floresta, 41,8% a menos que os 5.731 km² do ciclo anterior. É o menor índice da série do Prodes, iniciada em 1988. A queda acumulada em quatro anos chega a 71,2%. No Cerrado, o desmatamento ficou em 5.516,69 km², 23,8% a menos, a menor taxa desde o início da medição no bioma, em 2001.
Os quatro anos anteriores andaram na direção oposta. O Prodes registrou 10.129 km² em 2019, 10.851 km² em 2020, 13.038 km² em 2021 e 11.594 km² em 2022. Segundo o Observatório do Clima, a alta de 59,5% sob Jair Bolsonaro foi a maior variação percentual num mandato presidencial desde o início das medições por satélite. Na conta da rede, a Amazônia perdeu 45.586 km² nos quatro anos de Jair e 24.648 km² nos quatro do governo atual. A diferença soma quase 21 mil km², pouco menos que o território de Sergipe.
Floresta não cai sozinha. Cai quando o Estado sai de perto. Em abril de 2019, o então ministro Ricardo Salles cortou 24% do orçamento previsto para o Ibama, de R$ 368,3 milhões para R$ 279,4 milhões. No mesmo mês, o Ibama exonerou o servidor que havia multado Jair Bolsonaro por pesca ilegal em 2012. Um decreto também de abril criou os núcleos de conciliação, que suspenderam a cobrança das multas até uma audiência. Até outubro de 2020, o Ibama havia realizado 5 das 7.205 audiências agendadas. O ICMBio não fez nenhuma. Em maio de 2020, a fiscalização na Amazônia passou ao comando do Ministério da Defesa. A operação mobilizou 3.400 militares, com orçamento seis vezes maior que o do Ibama, e o desmatamento subiu. Naquele ano, só três multas do Ibama foram pagas. O Fundo Amazônia parou em 2019, quando o governo extinguiu seus comitês gestores, e Noruega e Alemanha suspenderam os repasses. Segundo o BNDES, o país deixou de aplicar cerca de R$ 3 bilhões em ações ambientais entre 2019 e 2022. Em outubro de 2020, Salles criou um grupo de trabalho para estudar a fusão do ICMBio com o Ibama. A ideia não avançou. Seis meses antes, numa reunião ministerial gravada, ele havia sugerido aproveitar a pandemia para “passar a boiada” nas normas ambientais. Doze procuradores do Ministério Público Federal o acusaram de improbidade por desmontar as estruturas de proteção ambiental.
A floresta não foi a única a sentir. No território Yanomami, a área afetada pelo garimpo cresceu 162% entre 2019 e 2022, e 570 crianças morreram de doenças evitáveis. O número de militares em cargos civis no governo federal passou de 636 em 2018 para 1.069 em 2021. No Ibama, 27 militares e policiais ocuparam chefias. Na Funai, 39. Os processos administrativos contra servidores da área ambiental passaram da casa de 40 por ano em 2017 para mais de 100 em 2021. Em maio de 2020, o Ibama pediu concurso para 2.311 vagas. O governo não atendeu. A recuperação veio pelo mesmo caminho, invertido. Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou 76.095 ações, lavrou 25.101 autos de infração contra a flora e embargou 18.630 km². O quadro do órgão passou de 2.899 servidores no fim de 2022 para 3,2 mil hoje. No ICMBio, de 1.491 para 1.845.
A pandemia deixou a conta mais cara do período. O Brasil passou de 700 mil mortes por covid-19. Os e-mails reunidos pela CPI da Covid mostram que o governo não respondeu a sete propostas de compra da vacina da Pfizer e ficou em silêncio de agosto a novembro de 2020. O relatório final classificou a demora na compra da Pfizer e da CoronaVac como a omissão mais grave do governo federal, com peso decisivo no número de casos e mortes. A comissão pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes, entre eles charlatanismo, prevaricação e epidemia com resultado morte. Flávio aparece no mesmo relatório, apontado como parte do núcleo de comando de fake news, ao lado do pai e de dois irmãos. Os governistas na CPI contestaram as conclusões e atribuíram o número de mortes aos estados.
A fome também mudou de lado no gráfico. Em 2014, depois de onze anos de Fome Zero e Bolsa Família, a FAO retirou o Brasil do Mapa da Fome. No governo Bolsonaro, o país voltou à lista, com 4,1% da população subalimentada. A própria FAO atribui o retorno à mudança de prioridades nas políticas públicas e à pandemia. Em julho de 2025, o relatório SOFI confirmou a segunda saída: no triênio de 2022 a 2024, menos de 2,5% dos brasileiros estavam abaixo do mínimo nutricional.
Flávio Bolsonaro não esconde a matriz do seu projeto. Seu plano de governo, de 76 páginas, faz 22 menções diretas ao governo do pai. Promete zerar apenas o desmatamento ilegal até 2029 e prevê que a licença ambiental seja concedida automaticamente quando o órgão responsável perder o prazo de análise. Propõe eliminar sobreposições entre ICMBio, Ibama e Funai e cortar ao menos dez ministérios, sem nomeá-los. Em 2019, como senador, propôs acabar com a reserva legal em propriedades rurais, medida que poderia liberar 167 milhões de hectares para desmatamento. Pediu o arquivamento quatro meses depois. A análise do Observatório do Clima classificou sete propostas do seu programa como antiambientais e uma como positiva. O programa de Lula reuniu 16 compromissos positivos e foi o único a citar a meta climática brasileira e o Acordo de Paris. Flávio foi também o único dos 81 senadores a votar contra a lei de adaptação climática, em 2024. Sobre os eventos extremos, disse que são “cíclicos”.
A ciência mede o que está em risco. Em artigo publicado na Nature em 2024, Bernardo Flores e outros 23 pesquisadores estimaram que, até 2050, entre 10% e 47% das florestas amazônicas estarão expostas a perturbações combinadas capazes de provocar transições abruptas e agravar o clima regional. Os autores concluem que manter a floresta de pé depende de acabar com o desmatamento e a degradação e de ampliar a restauração.
A floresta depende de quem a fiscaliza, e quem fiscaliza o poder é a imprensa. Em 14 de outubro, 55 veículos independentes associados à Ajor, a Associação de Jornalismo Digital, publicaram juntos um editorial contra os riscos da candidatura de Flávio. Entre eles estão SUMAÚMA, InfoAmazonia, Conexão Planeta, Envolverde e The Conversation Brasil. A Fenaj registrou 1.442 casos de violência contra jornalistas entre 2019 e 2022. Só em 2022, a Abraji documentou 557 alertas, 41,6% deles envolvendo ao menos um integrante da família Bolsonaro. Os registros da Abraji caíram para 330 em 2023 e 204 em 2025, e o Brasil subiu da 110ª para a 52ª posição no ranking da Repórteres sem Fronteiras. Flávio afirmou, em evento no Rio, que garantirá a liberdade de imprensa se eleito. O editorial lembra que sua promessa central é libertar o pai e anular o julgamento por tentativa de abolir o Estado democrático. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. O plano do filho inclui ainda estender o próximo mandato para cinco ou seis anos, sob o argumento do fim da reeleição, e fazer da execução de criminosos armados uma política de Estado. O constitucionalista Conrado Hübner Mendes, da USP, separa as propostas de reforma do Supremo feitas pelos dois candidatos: “Uma coisa é um projeto autocrático querer reformar o STF.”
A família também levou a disputa para Washington. Em julho de 2025, Donald Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Na mesma noite, Flávio escreveu no X um agradecimento a Trump e depois apagou a publicação. Na sabatina do Jornal Nacional, em agosto deste ano, disse que o irmão Eduardo errou ao agradecer pelas tarifas. Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e perdeu o mandato por faltas, foi condenado por unanimidade pelo STF, em junho, por coação no curso do processo. Segundo a acusação, ele articulou o tarifaço, a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes para pressionar o julgamento do pai. Este ano, com novas tarifas de 25% anunciadas, Flávio pediu às autoridades americanas que adiassem a decisão para depois da eleição, argumentando que as taxas fortaleceriam Lula. Em março, numa conferência conservadora no Texas, ofereceu o Brasil como a saída para os Estados Unidos deixarem de depender da China em terras raras e minerais críticos. No mesmo discurso, pediu pressão diplomática sobre a eleição brasileira. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Lula respondeu que “todo o processo será feito aqui, dentro do Brasil”.
A igualdade também está na cédula. O programa de Lula propõe consolidar a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, compensada pela taxação de super-ricos, fundos exclusivos e offshores. Promete acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada para 40 horas semanais sem corte de salário. O plano de Flávio não menciona o salário mínimo. A Folha de S.Paulo relatou que emissários da campanha levaram ao mercado um corte de gastos que desvincularia as aposentadorias do mínimo e acabaria com os pisos de saúde e educação. O candidato nega. Na Amazônia, os povos que mais dependem da floresta seguem sub-representados. Dos 57 nomes da Bancada do Cocar, só dois se elegeram. Ao menos sete dos nove estados amazônicos terão governadores bolsonaristas em 2027. Por tudo isso, o Neo Mondo escolhe a vida, a democracia, a igualdade entre os povos, a diversidade e a inclusão.
Apoio não apaga a cobrança. O próprio Observatório do Clima apontou a política de energia como o ponto fraco do plano de Lula. O programa mantém a expansão de petróleo e gás, sem trajetória clara de transição. Em agosto, SUMAÚMA mostrou alianças do PT no Norte com candidatos que ajudaram a desmontar o licenciamento ambiental. O Conselho Indigenista Missionário registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025, contra 211 no ano anterior, e afirma que o governo não atendeu às expectativas na demarcação de terras. Vamos continuar publicando esses números depois de domingo.
No domingo, o voto de quem ficou de fora no primeiro turno pesa mais que qualquer outro. No dia 4, 33,4 milhões de brasileiros não foram às urnas. Outros 2.300.781 votaram em branco e 3.674.149 anularam o voto para presidente. Brancos e nulos somam 5.974.930, quase três vezes os 2.227.651 votos que separaram Flávio de Lula. A eleição será decidida por quem ainda não escolheu.
Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo. Quem anulou pode escolher agora. A quem hesita porque não gosta de Lula, o Neo Mondo não pede admiração. Pede comparação. De um lado estão 45.586 km² de floresta derrubada, sete propostas de vacina sem resposta, mais de 700 mil mortos, o Brasil de volta ao Mapa da Fome e um irmão do candidato condenado por coação. Do outro, 24.648 km², a menor taxa de desmatamento em 38 anos, o país fora do Mapa da Fome e a promessa de processar as terras raras aqui dentro. O Neo Mondo pede o seu voto em Lula. Pela floresta que ainda está de pé. Pelos jornalistas que ainda podem perguntar. Pelos povos indígenas que ainda esperam suas terras. Por quem vai nascer num país que ainda tenha chuva e democracia.
A floresta não vota. Domingo, quem decide por ela é você.
NEO MONDO - A SUSTENTABILIDADE PROSPERA NA TRANSPARÊNCIA
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