Escrito por Lígia Camargo | 18 de outubro de 2025
Ser transparente vai além de publicar dados: é sobre coerência entre discurso e prática, entre intenções e impacto real - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - LIGIA CAMARGO
Nos últimos anos, a pauta ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma exigência global. As matérias mais recentes sobre o tema apontam para um consenso: as empresas estão sendo pressionadas a adotar práticas mais transparentes e a produzir relatórios de sustentabilidade mais rigorosos. Investidores, consumidores e governos demandam clareza — não apenas sobre resultados, mas também sobre intenções, impactos mensuráveis e valores.
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Essa discussão ganha ainda mais relevância com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém, em novembro. O evento reunirá líderes de empresas, governos e instituições de todo o mundo, e a transparência será um dos pilares centrais das negociações. Em um cenário de urgência climática e crescente cobrança social, não bastam mais compromissos vagos ou promessas de longo prazo — é necessário demonstrar, com dados e ações concretas, como cada ator está contribuindo para enfrentar os desafios.
Sob uma lente filosófica, a transparência representa um compromisso com a verdade e a autenticidade. É a ética da clareza: aquilo que é exposto à luz se torna passível de compreensão e julgamento. Nesse sentido, a transparência é uma forma de responsabilidade moral — um gesto de abertura ao outro, que pressupõe confiança e reciprocidade.
Uma empresa, governo ou organização verdadeiramente transparente é aquela que se dispõe a ser vista e questionada, aceitando o escrutínio público como parte natural do seu próprio desenvolvimento coletivo.
Na perspectiva psicológica, a transparência está diretamente ligada à confiança. Nas relações humanas, a clareza reduz a ansiedade, diminui ambiguidades e fortalece vínculos. O mesmo ocorre na relação entre marcas, cidadãos e instituições: quanto mais autêntica é a comunicação, maior é a sensação de segurança e conexão emocional.
Transparência, portanto, não se resume a divulgar dados — trata-se de revelar intenções, de permitir que o outro compreenda o que está por trás das decisões e ações. Na COP30, essa dimensão será crucial para que a sociedade global perceba que existe coerência entre discurso e prática, entre compromissos climáticos e políticas reais.
Quando discurso e prática se encontram: a transparência na comunicação de marcas e instituições
No campo da comunicação corporativa e institucional, a transparência se traduz em honestidade narrativa. Isso significa revelar processos, reconhecer erros, compartilhar aprendizados e manter um diálogo aberto com o público.
Marcas, governos e organizações que comunicam com transparência não apenas informam — elas constroem credibilidade e pertencimento.
A transparência deixa de ser um item de compliance e passa a ser uma linguagem — um tom de voz que humaniza, aproxima e legitima.
E é nesse ponto que o ciclo se completa: a pressão por transparência no contexto ESG nasce de uma demanda ética, ganha força nas relações de confiança e se manifesta de forma concreta na comunicação e na gestão pública.
Quando uma empresa, governo ou instituição é transparente, ela gera confiança; a confiança reforça sua credibilidade; e a credibilidade, por sua vez, sustenta sua licença social para operar e liderar.
É um movimento circular, sustentado pela coerência entre discurso e prática — e que será fundamental para o sucesso da COP30 e de tudo o que dela resultar.
Em síntese: a transparência não é apenas uma estratégia — é um eixo de transformação cultural. No universo ESG e nos compromissos que serão reafirmados na COP30, ser transparente significa não só dizer o que se faz, mas mostrar como e por que se faz.
É essa coerência que sustenta a reputação, a legitimidade e o futuro das organizações, governos e sociedades que buscam um planeta não apenas sustentável para empresas e governos, mas verdadeiramente sustentável para a humanidade.

Ligia Camargo é apaixonada por sustentabilidade e acredita no poder das empresas como agentes de transformação. Como Diretora de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN, atua para unir propósito, impacto positivo e engajamento das pessoas em torno de um futuro mais consciente.
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