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COP30: A resiliência da agenda climática global e o papel do Brasil na transição ecológica

Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2025

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Reflexões necessárias sobre a COP30 em Belém - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

Por - Pedro Plastino, articulista de Neo Mondo, direto da COP30

A COP30, que acontece em Belém, tem sido um momento crucial para as discussões sobre mudanças climáticas, refletindo tanto os desafios quanto as oportunidades que o cenário global enfrenta. Nos primeiros dias da conferência, ficou claro que a agenda climática não só se mantém robusta, mas também se adapta e se fortalece diante de incertezas políticas e geopolíticas. A resiliência da pauta ambiental é um dos maiores legados dessa COP.

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Independentemente dos avanços ou retrocessos nas discussões políticas globais, a agenda climática já ultrapassou o ponto de não retorno. O que varia é a intensidade das negociações, que dependem das vontades políticas de cada país. A verdade é que, mesmo com desafios externos, a agenda climática segue firme, com mais países e setores comprometidos mais do que nunca.

O primeiro grande aprendizado que observamos na COP30 é a maturidade crescente dos diferentes setores envolvidos nas negociações. A participação ativa de representantes do setor público, privado e do terceiro setor reflete a convergência de esforços para tratar do futuro do nosso planeta. E, apesar de algumas ausências notáveis, como os Estados Unidos e a Argentina, a União Europeia tem se mantido firme, com uma presença que reforça seu papel de liderança nas questões ambientais globais.

Além disso, o Brasil tem demonstrado um avanço significativo, especialmente nas negociações relacionadas aos créditos de carbono. O país está prestes a assinar cartas de intenção com o Japão e Singapura, consolidando-se como um protagonista na diplomacia climática. Esse movimento, que já circula nos bastidores da COP30, marca um momento importante para o Brasil, não apenas pela quantidade de créditos que pode gerar, mas também pela sua inserção em mercados regulados internacionais. O Itamaraty tem sido essencial para viabilizar essas parcerias, alinhando-se com o Ministério do Meio Ambiente para fortalecer o papel do Brasil nesse novo contexto global.

Mas, talvez, o ponto mais importante desta COP30 seja a incorporação de uma abordagem humanizada à agenda climática. Colocar as pessoas no centro dessa discussão é essencial, especialmente aquelas que vivem e protegem os biomas brasileiros. Povos originários, comunidades extrativistas e quilombolas são os verdadeiros guardiões da floresta, e é fundamental que suas vozes sejam ouvidas. O Brasil tem uma responsabilidade histórica de usar seu ativo ambiental para compensar o passivo social acumulado ao longo dos anos. A COP30 tem sido uma plataforma para fortalecer essa causa, dando voz e protagonismo a essas comunidades, o que representa um avanço notável para a agenda climática global.

Em suma, a COP30 tem sido um marco não apenas para o Brasil, mas para o mundo. Colocando o país e a Amazônia no centro das soluções globais, a conferência reforça a importância da ação climática coordenada e a necessidade de uma justiça climática que leve em conta as pessoas e os biomas mais vulneráveis. O Brasil, com sua biodiversidade única e seu imenso potencial para contribuir com a descarbonização global, deve continuar a liderar esse movimento de forma estratégica e humanizada.

Pedro Plastino - Especialista em negócios climáticos e crédito de carbono, cofundador da Future Carbon e um dos nomes de referência no setor. Graduado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, construiu carreira nos mercados de carbono e financeiro, tendo liderado a área de créditos de carbono e negociações estratégicas na Future Climate Group, além de atuar em frentes como Equity, DCM e Asset Management. Foi Head de M&A na Potenza Capital, boutique afiliada ao BTG Pactual, e recentemente participou do Leadership Development Program da Harvard Business School, onde foi o único executivo de clima convidado mundialmente.

Pedro Plastino - Foto: Divulgação, autor do artigo COP30: A resiliência da agenda climática global e o papel do Brasil na transição ecológica
Pedro Plastino - Foto: Divulgação

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