COPs Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Oceano Política Saúde Segurança Sustentabilidade Tecnologia e Inovação Turismo
Escrito por Neo Mondo | 13 de novembro de 2025
Segundo da esquerda para a direita, Capitão Paul Watson da Sea Shepherd (Fundador e Membro Vitalício), Nathalie Gil da Sea shepherd (Presidente e Diretora Executiva da Sea Shepherd Brasil), Angela Kuczack (Bióloga Campaigner Especialista em advocacy Diretora Executiva da Rede Pró UC Fundadora da Black Pearl Campaign) e Alexander Turra - Foto: Divulgação/Alexander Turra
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

No quarto dia da COP30, Alexander Turra revela um movimento histórico pela proteção da foz amazônica, o turismo como força para um mar limpo e a consolidação definitiva do nexo oceano-clima
Hoje, no quarto dia da COP30, vivi mais um daqueles momentos que misturam intensidade, esperança e a sensação nítida de que estamos avançando para um futuro em que o Oceano finalmente ganha o protagonismo que merece. Como parte dos nossos boletins diários exclusivos para o Portal Neo Mondo, conversei novamente com Alexander Turra, nossa voz oficial direto da Blue Zone. E o que ele me contou revela a força das articulações políticas, científicas e sociais que estão acontecendo em Belém — muitas vezes longe das câmeras e das manchetes mais óbvias.
Leia e assista também: O Oceano entrou de vez na agenda climática global
Leia também: Paul Watson e Sea Shepherd encerram a Rio Ocean Week com um chamado à ação pelo oceano
Turra apareceu em frente ao Pavilhão do Oceano, sorrindo, com aquele brilho no olhar de quem sabe que está testemunhando algo grande. E estava mesmo.
Logo no início do boletim, Turra destacou um dos momentos mais marcantes do dia: o lançamento de um documento produzido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) e pelo Museu Emílio Goeldi, veja AQUI, com participação de pesquisadores da região Norte. Um texto robusto, profundo e — como ele disse — absolutamente necessário.
O documento traz sugestões concretas sobre como proteger a região da foz amazônica e sobre como agir, caso algum dia avance a possibilidade de exploração de óleo na área. A lógica é simples e poderosa: desenvolvimento só faz sentido se for inclusivo, sustentável e justo para todas as comunidades envolvidas.
Segundo Turra:
“Esse evento foi incrivelmente bem recebido. Tivemos políticos da região, pesquisadores, lideranças locais… e todos entenderam a importância de criar um espaço de negociação no âmbito da Presidência da República.”
E não é pouca coisa. Trata-se de abrir caminho para:
Ele me disse com precisão:
“A gente está listando ações que precisam acontecer agora. Sem isso, não temos como garantir o futuro da região.”
Outro ponto que Turra trouxe com entusiasmo foi a discussão sobre turismo sustentável e o papel decisivo desse setor na proteção do Oceano. Ele fez uma provocação que parece simples, mas que mexe profundamente com a lógica política brasileira:
“Se o oceano não está bom, o setor turístico perde.”
Simples assim.
Um oceano poluído significa:
Por isso, o setor turístico — hotéis, bares, pousadas, operadores náuticos — precisa assumir o seu papel como força social capaz de pressionar por políticas públicas reais, começando pelo básico: saneamento.
Turra deixou claro:
“O turismo só consegue defender seus interesses se as políticas públicas forem implementadas a contento. Precisamos cobrar saneamento, cobrar gestão de resíduos. Isso é política climática. Isso é política oceânica.”
O recado foi direto. E necessário.
Turra também participou de um painel crucial sobre a importância dos dados oceânicos para embasar políticas públicas. Aqui ele falou com a lucidez de quem vive a ciência por dentro:
“Sem dados, não conseguimos saber se as políticas públicas estão funcionando.”
E é verdade.
O Brasil, com sua costa gigante, ainda está longe de ter uma estratégia nacional de observação oceânica. Mas há avanços — e eles passam pela FAPESP, pelo IO-USP e pelo programa PROASA (Atlântico Sul e Antártica), que Turra coordena.
Ele explicou que observar o Oceano é mais do que instalar boias e sensores. É construir um sistema capaz de monitorar:
Sem isso, caminhamos no escuro.
Um dos pontos mais vibrantes relatados por Turra foi o side event dedicado ao Nexo Oceano-Clima. Ali, representantes de diversos países afirmaram sem hesitar que:
“Esta é a COP do Oceano.”
É difícil explicar o peso dessa frase. Mas aqui vai:
isso significa que o Oceano deixou de ser cenário e passou a ser ator político do processo multilateral mais importante do planeta.
Ao final do evento, um documento será produzido destacando que:
deve estar no centro das estratégias globais de mitigação e adaptação às mudanças do clima.
Turra resumiu assim:
“O oceano é uma agenda muito bem recebida. Todo mundo entende sua importância.”
É histórico. Simples assim.
O boletim termina com Turra mostrando a efervescência do local — gente caminhando, conversando, rindo, debatendo, colaborando. Um caldo humano e intelectual difícil de explicar, mas fácil de sentir.
E ele conclui:
“É isso que a gente vai continuar fazendo. E amanhã tem mais.”
E é isso que também continuaremos fazendo por aqui no Neo Mondo: publicando diariamente cada boletim, cada análise e cada insight dessa jornada azul que está reposicionando o Brasil e o Oceano no centro do mundo.
Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”
A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

COP30 | Brasil entre o aplauso global e o teste da realidade
Mais de 100 ONGs pedem processo inclusivo para mapa do caminho à presidência da COP30