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Escrito por Neo Mondo | 16 de novembro de 2025
Visita da presidente da 80ª Assembleia Geral da ONU, a ex-chanceler alemã Annalena Baerbock, ao Pavilhão do Oceano, reconhecendo a relevância global dessa agenda - Foto:Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

No sexto dia da conferência, Alexander Turra revela como empreendedorismo, ciência oceânica e diplomacia se encontram na construção de uma economia azul inclusiva e resiliente
Hoje o boletim da COP30 chegou de um lugar diferente. Alexander Turra não estava diante do tradicional Pavilhão do Oceano, mas sim em um ponto simbólico da conferência: o espaço onde foi feita a foto oficial da COP30 pelos chefes de Estado e que serve de passagem entre a Zona Azul e a Zona Verde. Uma encruzilhada literal e metafórica entre política, sociedade e futuro.
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Com o movimento intenso de delegações e visitantes ao fundo, Turra já começou dizendo que o dia foi marcado por discussões essenciais sobre empreendedorismo, inovação e economia azul no Brasil — áreas fundamentais para que o Oceano deixe de ser percebido apenas como um patrimônio ecológico e seja entendido também como um motor de desenvolvimento econômico sustentável e regenerativo.
Uma das atividades mais marcantes do dia, segundo Turra, foi uma mesa-redonda no Pavilhão do Sebrae, onde diferentes setores se encontraram para discutir como fomentar inovação voltada ao Oceano. Ele descreveu o momento como uma “conjunção de opiniões e de insumos para fortalecer a economia azul no país”.
E essa fala toca no centro da questão:
para transformar o potencial oceânico em riqueza inclusiva, o Brasil precisa fortalecer rodas de negócio capazes de aproximar:
Turra resumiu assim:
“A gente precisa colocar na mesma mesa a iniciativa privada, a academia e as comunidades tradicionais. E ampliar a capacidade de fortalecimento da economia azul no país.”
A discussão também trouxe um ponto essencial: não há inovação sem inclusão de gênero. Mulheres lideram cadeias de pesca, turismo, restauração de manguezais e negócios sociais ligados ao mar — e precisam estar no centro dessa agenda.
Turra compartilhou um exemplo extremamente prático que emergiu nas discussões:
o uso de monitoramento em tempo real de ventos, marés e correntes para otimizar atividades portuárias.
Ele explicou que essa abordagem é essencial para:
✔ evitar acidentes e perdas de carga,
✔ reduzir custos,
✔ salvar vidas,
✔ diminuir impactos nos ecossistemas,
✔ e até evitar a expansão de portos sobre áreas sensíveis, como manguezais.
Isso conecta economia, clima e justiça ambiental.
É a inovação que não se limita ao crescimento, mas protege o que é insubstituível.
E vai além: a elevação global do nível do mar exigirá adaptações complexas — e os portos brasileiros não podem ser pegos de surpresa.
Turra reforçou:
“Pensar o futuro portuário é pensar adaptação climática.”
O fechamento do dia trouxe um sinal claro da relevância internacional do tema. A presidente da 80ª Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, ex-chanceler da Alemanha, visitou o Pavilhão do Oceano para entender de perto o que está sendo construído ali.
Um gesto político que diz muito:
o Oceano está no mapa estratégico das maiores lideranças do planeta.
Turra resumiu assim:
“Ela veio prestigiar esse tema tão importante na COP, a COP do Oceano.”
O boletim termina como começou: com gente passando, indo e vindo entre zonas, narrando um mundo em transformação.
Negócios, ciência, tecnologia, diplomacia, tradições costeiras, políticas públicas — tudo conectado pelo mesmo elemento: água.
E a lição do dia 6 é cristalina:
a economia do futuro depende de soluções que regenerem, não que destruam;
que incluam, não que excluam;
que escutem o Oceano, não que o silenciem.
Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”
A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

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