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Além das cartas de Larry Fink: a hora da ação climática corporativa no Brasil e no mundo é agora

Escrito por Neo Mondo | 4 de setembro de 2025

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Um chamado direto e poderoso: a sétima carta da Presidência Brasileira da COP30 deixa claro que não há mais tempo a perder - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

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Por - Danielly Freire*, especial para Neo Mondo

A sétima carta da Presidência Brasileira da COP30, dirigida ao setor privado, chega em um momento crucial. Enquanto aguardamos ansiosamente as missivas anuais de Larry Fink, CEO da BlackRock — amplamente reconhecido por sua influência no setor financeiro global, por seu compromisso com as questões ambientais e sociais e por incentivar empresas a adotarem práticas mais responsáveis e sustentáveis —, que há anos sinalizam a direção do capitalismo stakeholder (modelo que prioriza o equilíbrio de interesses de todos os envolvidos — funcionários, clientes, sociedade e meio ambiente — nas decisões da empresa, e não apenas o lucro dos acionistas), desta vez recebemos uma mensagem de um remetente diferente: o multilateralismo, entendido como a cooperação entre três ou mais países para resolver problemas ou alcançar objetivos comuns, geralmente por meio de organizações internacionais e acordos.

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A mensagem é clara: não há mais tempo a perder!

O setor privado é peça-chave na transição climática. Globalmente, empresas são responsáveis por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). No Brasil, não é diferente: o setor empresarial responde por aproximadamente 45% das emissões nacionais, com destaque para agropecuária, energia e indústria. Mas os números não param por aí.

As grandes metrópoles — onde se concentram atividades econômicas, logísticas e de consumo — são verdadeiras usinas de carbono. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Xangai e Londres respondem por mais de 60% das emissões globais, segundo a C40, rede que reúne prefeitos de quase 100 grandes cidades comprometidas em enfrentar a crise climática. E é justamente nessas localidades que a taxa de soluções ainda não acompanha a escala do problema.

Não basta reduzir emissões dentro dos portões das fábricas. É preciso regenerar, inovar e escalar modelos de negócio que revertam a lógica exploratória e extrativista. E é aí que a carta do embaixador André Corrêa do Lago acerta em cheio: a COP30 não será apenas mais uma conferência, será um “celeiro de soluções”.

A Presidência propõe uma Agenda de Ação com seis eixos temáticos e 30 objetivos — desde triplicar as energias renováveis até regenerar ecossistemas e fomentar cidades resilientes. O setor privado é chamado não como coadjuvante, mas como coarquiteto dessa transformação. Inclusive, antes mesmo desse chamado, o Pacto Global – Rede Brasil lançou, junto à CEO da COP30, Ana Toni, o programa Pacto Rumo à COP30, com um portfólio de 23 ações coletivas que impulsionam resultados empresariais propositivos e alinhados ao Acordo de Paris.

No Brasil, já vemos sinais promissores: mais de US$ 30 bilhões em títulos verdes emitidos até 2024 e o setor de renováveis empregando mais de 1,5 milhão de pessoas. Ainda precisamos ir além, fazendo com que a taxa de soluções seja proporcional à taxa de emissões.

Isso significa:

  • Metas baseadas na ciência (SBTi) não como opção, mas como norma.
  • Transparência radical em cadeias de valor.
  • Investimento em inovação adaptativa para cidades e biomas vulneráveis.
  • Engajamento efetivo com comunidades tradicionais e povos indígenas, detentores de saberes que preservam e regeneram biomas.

A Amazônia não será apenas pano de fundo da COP30. Será o símbolo de que é possível conciliar economia e ecologia, tecnologia e tradição, lucro e propósito. Não é um ou outro... São os dois juntos!

O setor privado tem agora a chance de escrever uma nova carta. Não com palavras, mas com ações. E que ela seja lida pelas próximas gerações como o momento em que a economia decidiu salvar o planeta. A carta da COP30 não é apenas um chamado. É uma convocação para um MUTIRÃO. E, diferente das cartas de Wall Street, esta não trata de previsão do futuro: trata da reconfiguração dele no presente.

*Danielly de Andrade Mello Freire é engenheira ambiental, Mestre em Ambiente, Saúde e Sustentabilidade pela Universidadede São Paulo - USP, e Gerente de Clima do Pacto Global – Rede Brasil.

foto de danielly freire, autora do artigo Além das cartas de Larry Fink: a hora da ação climática corporativa no Brasil e no mundo é agora
Danielly Freire - Foto: Divulgação

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