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Escrito por Neo Mondo | 12 de março de 2026
Foto: Divulgação/ANA
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
No Mês das Águas 2026, a ANA transforma março em um chamado urgente: cuidar da água é cuidar de tudo o que somos
Existe algo que une o agricultor do sertão, a criança que bebe no bebedouro da escola, a mulher que acorda antes do sol para buscar água em um rio distante e o gestor público que precisa decidir o futuro de uma bacia hidrográfica. Todos dependem da mesma coisa. Todos compartilham a mesma vulnerabilidade. E todos, sem exceção, têm na água a condição mais básica e mais frágil da sua existência.
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Março chegou. E com ele, mais do que a virada de estação — chegou o Mês das Águas.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realiza, ao longo de março, uma série de atividades em celebração ao Mês das Águas 2026, com eventos técnicos, debates, ações educativas e lançamentos voltados à gestão sustentável dos recursos hídricos no Brasil. Não é um calendário de datas comemorativas. É um grito organizado, técnico e humano, de quem entende que o Brasil não pode mais adiar a conversa sobre o futuro das suas águas.
Inspirada no tema da ONU para o Dia Mundial da Água — "Água e Gênero" — a ANA adotou para este ano o slogan "Água que chega, igualdade que se fortalece", costurando em uma só frase duas urgências que o mundo insiste em tratar como separadas: o acesso à água e a construção de uma sociedade mais justa.
Porque a verdade é que a crise hídrica não afeta a todos da mesma forma.
A falta de acesso a fontes de água doce, saneamento e higiene apropriada afeta muito mais as mulheres do que os homens. São elas que coletam e gerenciam a água em condições de alta vulnerabilidade — perdendo tempo, saúde, segurança e oportunidades. São elas que cuidam dos doentes quando o rio está contaminado. São elas, tantas vezes, as últimas a serem ouvidas quando se decide o destino dos mananciais. A ONU quer colocar as mulheres no centro da busca por soluções, envolvendo a gestão de recursos hídricos no âmbito global — e a ANA, ao abraçar esse chamado, mostra que gestão hídrica responsável começa por reconhecer quem mais sofre quando a torneira seca.
Mas o Mês das Águas não é apenas sobre o presente. É, acima de tudo, sobre o que ainda dá tempo de fazer.
A ANA é a autarquia federal responsável pela implementação da gestão dos recursos hídricos brasileiros — uma tarefa que se torna mais urgente a cada ano. O Brasil tem o privilégio de abrigar uma das maiores reservas de água doce do planeta, mas esse privilégio não é garantia. Desmatamento, poluição, uso irresponsável e mudanças climáticas estão estreitando, silenciosamente, as margens do que ainda temos. E a margem de erro, também.
É por isso que eventos como estes importam para além dos auditórios. A programação reúne atividades voltadas a diferentes públicos, incluindo especialistas, gestores públicos, estudantes e a sociedade em geral. Porque a água não pertence a um setor, a uma agenda política ou a um grupo de especialistas — ela pertence ao cotidiano de cada pessoa que acorda e abre uma torneira sem pensar duas vezes. E é exatamente esse gesto automático, essa inconsciência tranquila, que precisa ser questionada.
Entre os destaques do mês estão o lançamento do Relatório Síntese do Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025 — principal publicação anual da ANA sobre a situação das águas no país — e o Portal de Qualidade de Água no Brasil, que ampliará o acesso público a informações e indicadores sobre a qualidade das águas. Dados abertos, informação acessível, ciência que sai dos laboratórios e chega às mãos de quem precisa tomar decisões — esse é o tipo de legado que não se comemora em um dia e some. Fica. Transforma.
A água conecta. A ANA cuida. Mas cuidar, no sentido mais profundo da palavra, exige que mais gente assuma esse verbo como seu.
O Brasil tem rios que cantam e açudes que secam. Tem comunidades que nadam em abundância e outras que racionam até a última gota. Tem tecnologia de ponta nos laboratórios e torneiras sem pressão em bairros inteiros. Essa contradição não se resolve com um mês de celebração — mas se enfrenta com o que março pode despertar: consciência, diálogo e a coragem de tratar a água não como recurso, mas como direito.
A torneira não vai avisar quando for tarde demais.
Março é agora. A água, também.
Confira a programação:
11 a 20 de março
Webinários sobre a proposta de Norma de Referência de Contabilidade Regulatória
Inscrições: https://forms.office.com/r/TGzN2r02KG
12 de março
14h às 18h – Celebração ao Dia Internacional da Mulher: Mulheres que movem as águas
Inscrições: https://forms.office.com/r/vqV5FQmHPn - Auditório Flávio Terra Barth – sede da ANA (com transmissão pelo YouTube)
23 de março
Lançamento do Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025 – Relatório Síntese
Divulgação nas redes sociais da ANA
24 de março
9h às 17h – Evento de Celebração do Dia Mundial da Água
Local: Auditório Flávio Terra Barth – sede da ANA (com transmissão pelo YouTube)
Inscrições: https://forms.office.com/r/Dj8DYECNvD
25 de março
9h às 12h – Seminário Abordagens não convencionais de outorga de uso da água
Inscrições: https://forms.office.com/r/PcN86SHdEc - Auditório Flávio Terra Barth - sede da ANA (com transmissão pelo YouTube)
26 de março
9h às 12h – Jovens Guardiões da Água
Local: Palácio do Planalto
14h às 16h30 – Mostra de cinema Gotinha em Cena (voltada a escolas)
Local: Auditório Flávio Terra Barth – sede da ANA
27 de março
9h às 12h – Mostra de cinema Água em Cena
Local: Auditório Flávio Terra Barth – sede da ANA
Inscrições: https://forms.office.com/r/xsVEkUuPvG
14h30 às 16h30 – 1º Webinar Produtor de Água
Inscrições: https://tinyurl.com/24umtd89
30 de março
14h30 às 17h30 – Live de lançamento do edital do Mestrado Profissional ProfÁgua e do Portfólio de Capacitação da ANA
Transmissão: https://www.youtube.com/live/mJ6y7pCg5I0
31 de março
Lançamento do Portal de Qualidade de Água no Brasil
Divulgação nas redes sociais da ANA
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