Cultura Destaques Diversidade e Inclusão Educação Sustentabilidade

Como oficinas oferecidas por ONG têm ajudado a promover a equidade racial da população negra da periferia?

Escrito por Neo Mondo | 20 de novembro de 2022

Compartilhe:

Balé Ayó do PAC - formado exclusivamente por bailarinas negras - Foto: Divulgação

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Segundo pesquisa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais da metade da população brasileira é composta por pessoas declaradas pretas e pardas (56,1%), e infelizmente, é essa população que possui menor renda (74,8%). Além de figurarem essa posição a população preta e parda também é a maior vítima do desemprego, educação, violência e moradia precarizada. Nas periferias, onde pessoas pretas e pardas também compõe grande parte da população, esse quadro é ainda mais latente,

Para ajudar a transformar esse ciclo de desigualdades e promover a equidade racial para população preta e parda periférica, a ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) -- que há mais de 19 anos atua com crianças, jovens, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade social nas periferias de Pirituba, Jaraguá e Pq. São Domingos (SP) -- possui desde 2020 o ‘AfroPAC’, um programa de oficinas gratuitas que incluem: formações, oficinas educacionais, oficinas de empoderamento e oficinas culturais (balé Ayó -- formado exclusivamente por bailarinas negras).

As oficinas atuam em duas frentes a de formação educacional/cultural e de empoderamento negro. Em 2 anos, o ‘AfroPAC’ já atendeu cerca de 700 pessoas, colaborando com a equidade racial e empoderamento da população preta e parda da periferia.

[Personagem]

A professora de balé Alcione Basilio, de 46 anos, é um exemplo do impacto positivo do programa de oficinas ‘AfroPAC’. Ela foi uma das primeiras participantes da formação sobre Racismo Estrutural e Equidade Racial. Durante o processo, Alcione revisitou sua trajetória e percebeu como sua vida foi atravessada pelo racismo, especialmente no período em que estudou balé, no Teatro Municipal de São Paulo onde mesmo com talento excepcional, a jovem bailarina negra não era escolhida para protagonizar espetáculos e por vezes era designada a ensinar suas habilidades a bailarinas brancas.

Ainda durante a formação, Alcione decidiu abandonar os alisantes de cabelo e assumir seu cabelo natural, crespo. Tal atitude, empoderou outras participantes que também aderiram aos seus cabelos naturais. Ao final da formação, a professora de balé, propôs a lideranças da ONG PAC, um projeto: o Balé Ayo. Um grupo de balé formado somente por pessoas negras e que busca por meio da dança empoderar e valorizar a comunidade negra periférica.

Sobre o PAC - Projeto Amigos da Comunidade   

Fundado há 19 anos, o PAC -- Projeto Amigos da Comunidade uma Organização Social sem fins lucrativos certificada pelo CEBAS - Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social - que atende a população em situação de vulnerabilidade e/ou risco social nos distritos de Pirituba, São Domingos e Jaraguá (SP).  Atualmente, o PAC conta com mais de 92 funcionários, cerca de 5.000 voluntários, 139 mantenedores via doação e mais de 7 empresas parceiras que subsidiam as oficinas promovidas pela organização, como Zendesk, Mutant, TOTVS, Serra do Mar, Aktie Now, Elo, Sow e Netas.     

Para mais informações sobre o PAC, (clique aqui).  

Compartilhe:


Artigos anteriores:

Heloisa Schurmann apresenta série infantil sobre preservação marinha na Bienal do Livro de São Paulo

Rio Ocean Week 2026 discute poluição marinha na margem de uma baía que despeja 216 mil toneladas de plástico por ano

Gerdau reforça presença no agronegócio em parceria com maior evento de cultura agro do Brasil


Artigos relacionados