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A meta de levar água a 2 milhões de pessoas por trás de um sachê de hidratação

Escrito por Neo Mondo | 21 de julho de 2026

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Meta: 2 milhões de pessoas com acesso ampliado à água até 2026. Fernanda Fischer Pereira, Head de Marketing & Growth de Liquid I.V. no Brasil - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

Há uma década a Liquid I.V. nasceu para responder a uma pergunta simples: como fazer alguém se hidratar melhor, todos os dias, sem esforço. Essa é a história que a marca conta desde que chegou ao Brasil em 2025, dentro de uma aposta declarada da Unilever em crescer no país que já é seu terceiro maior mercado no mundo. Junto com ela, cresce também um compromisso menos falado, mas igualmente concreto: a meta de ampliar o acesso à água potável para 2 milhões de pessoas até 2026, com mais de US$ 6 milhões já destinados a organizações que trabalham essa questão em países como Estados Unidos, Ruanda, Libéria e Brasil.

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Fernanda Fischer Pereira, Head de Marketing & Growth de Liquid I.V. no Brasil, lidera essa dupla frente no país — a que vende sachê de tangerina e a que carrega uma meta social de alcance global. A conversa a seguir tenta entender como ela costura, no cotidiano, o ritmo de uma marca em expansão com o tempo mais longo de um compromisso que se mede em comunidades, não em trimestres.

Dos mais de US$ 6 milhões já destinados globalmente a projetos de acesso à água, em países como Brasil, Estados Unidos, Ruanda e Libéria, o que você já viu se transformar em mudança concreta na vida de alguma comunidade atendida?

Para mim, o impacto fica real quando o acesso à água deixa de ser uma preocupação diária e começa a devolver tempo, saúde e segurança para as pessoas. Um exemplo tangível disso vem de Sumba, na Indonésia, onde foram apoiadas soluções de água em 88 escolas, beneficiando mais de 10 mil alunos, professores e moradores. Antes, algumas pessoas chegavam a passar até quatro horas por dia buscando água, tempo que hoje pode voltar para a escola, para o trabalho, para o cultivo da terra ou para a família. No Brasil, a parceria com a MOTA (Mothers of the Amazon) também mostra esse caminho, com 37 vilas e mais de mil pessoas impactadas por soluções lideradas pelas próprias comunidades indígenas. No fim, acesso à água não deveria consumir metade do dia de ninguém. Deveria ser a base para que as pessoas possam estudar, trabalhar, cuidar da família e construir o futuro.

Como funciona, na prática, o uso de mais de 1% da receita global da marca nesse programa social, e como esse compromisso é acompanhado ao longo do tempo?

O programa de impacto de Liquid I.V. é estruturado em três frentes complementares: fortalecer organizações que trabalham com acesso à água, apoiar as pessoas que lideram essas organizações e ampliar a visibilidade da crise hídrica global. É esse modelo que recebe ao menos 1% da receita anual global. O mais importante é que isso tira o impacto da lógica de campanha pontual e o coloca dentro da forma como o negócio cresce. Em 2025, foram US$ 4,3 milhões investidos por meio de 25 organizações, ampliando o acesso à água para mais de 1 milhão de pessoas em 12 países – incluindo o Brasil. Além disso, 15 milhões de sachês foram doados em resposta a desastres e apoio a profissionais da linha de frente.

A escolha do formato em sachê é apresentada como decisão de sustentabilidade incorporada ao próprio produto — usa menos material e otimiza a logística de distribuição frente às bebidas prontas para consumo. Como essa lógica de simplicidade acabou se tornando também uma filosofia de marca?

A lógica do formato em pó é simples. Há mais de uma década, Liquid I.V. ajudou a abrir uma nova categoria de hidratação em pó, nos Estados Unidos, propondo uma alternativa diferente em relação às bebidas prontas para consumo. Além de ser prático para diferentes momentos do dia, o consumidor transporta apenas a fórmula, e a água é adicionada no momento do consumo. Isso evita movimentar água pronta por toda a cadeia e muda bastante a equação logística. Em um estudo global de Liquid I.V., com base em dados coletados ao longo de dois anos e considerando o preparo com água potável, 1 sachê apresentou uma pegada de carbono quase 92% menor do que uma bebida esportiva líquida pronta para consumo de aproximadamente 473 ml¹.

Essa escolha traduz uma filosofia presente em Liquid I.V. desde o início: eficiência também é desenhar o produto a partir do que o consumidor realmente precisa, sem excessos e sem simplesmente repetir o formato que o mercado já conhece. 

A Liquid I.V. sustenta sua credibilidade de produto em mais de 10 estudos clínicos publicados. Como essa mesma base científica sustenta e legitima a atuação social da marca, aproximando propósito e evidência?

Globalmente, Liquid I.V. tem 15 estudos concluídos ou em andamento e mais de US$ 6 milhões investidos em pesquisa de hidratação e colaborações com universidades. Esse é o nível de rigor aplicado à validação dos produtos. Quando falamos de impacto social, as métricas são diferentes. Não faz sentido medir um programa de acesso à água com os mesmos critérios usados para avaliar a performance de uma fórmula de hidratação. O que precisa ser igual é a exigência. O mesmo cuidado que existe para avaliar a eficácia dos produtos também precisa existir para entender se estamos gerando impacto real na vida das pessoas. A ciência dá à marca justamente o hábito de comprovar antes de afirmar, e isso vale tanto para o efeito da hidratação quanto para o impacto social. A diferença está na metodologia, não no rigor.

Como a meta de 2 milhões de pessoas com acesso ampliado à água até 2026 nasceu num momento em que a Liquid I.V. também está apostando forte em crescimento no Brasil. Como você vê essas duas agendas — a comercial e a social — caminhando lado a lado neste momento específico da marca no país?

Eu acredito que relevância e responsabilidade caminham juntas. Quanto maior a presença de uma marca, maior a responsabilidade com a sociedade onde ela está inserida. Liquid I.V. nasceu nos Estados Unidos, onde essa agenda começou a ganhar escala, mas o Brasil traz uma realidade muito própria. Em 2023, 93,4% dos domicílios urbanos tinham a rede geral como fonte de abastecimento de água, contra apenas 32,3% dos domicílios rurais. Esse dado não esgota o tema, mas ajuda a mostrar a desigualdade de infraestrutura que ainda existe no país. E, assim como construímos Liquid I.V. pensando nos hábitos, nas preferências e nas necessidades dos consumidores brasileiros, acredito que qualquer evolução da agenda de impacto também precisa partir da realidade brasileira. Crescer aqui não é apenas ganhar relevância como negócio, é ampliar nossa responsabilidade de contribuir de forma consistente para uma necessidade real da sociedade.

No seu dia a dia, como você concilia o ritmo de uma agenda comercial — lançamento, ativação, campanha — com o ritmo mais lento de um compromisso social que se mede em anos, não em trimestres?

São dois ritmos muito diferentes. A agenda comercial pede velocidade: lançamento, campanha, distribuição, resultado. Um projeto de acesso à água pede outra lógica: escuta, implementação, infraestrutura, manutenção e capacidade local. Eu não tento medir as duas coisas com a mesma régua, porque isso seria injusto com a natureza de cada uma. O que precisa ser igual é a seriedade na execução, no acompanhamento e, principalmente, na comunicação.

Historicamente em marketing, a gente aprende a acelerar. Mas, liderança também é saber quando respeitar o tempo necessário para construir algo que permaneça. A comunicação nunca pode correr mais rápido do que a realidade. Por isso, essa agenda não se constrói em um ciclo de campanha: Liquid I.V. vem desenvolvendo essa cultura de impacto há mais de uma década, em diferentes frentes e países.

Pensando no crescimento da marca no Brasil, como você imagina que esse compromisso com a água vai amadurecer aqui, à medida que a Liquid I.V. ganha mais espaço no país?

Liquid I.V. nasceu fora, mas a construção no Brasil sempre se deu a partir da realidade brasileira. Isso vale para produto, comunicação, ocasiões de consumo e entendimento do consumidor. Com impacto, a lógica não deveria ser diferente. O Brasil não é um lugar onde simplesmente importamos um modelo pronto. É um país com dimensões continentais e desafios muito distintos entre regiões. Já existe um ponto de partida importante com a MOTA, que atua com soluções lideradas por comunidades indígenas. Daqui pra frente, acredito que o amadurecimento dessa agenda passa por escutar quem conhece os territórios, trabalhar com parceiros locais e entender onde Liquid I.V. pode contribuir de forma legítima e relevante.

Daqui a cinco anos, o que você gostaria que fosse verdade sobre esse programa?

Daqui a cinco anos, eu gostaria que Liquid I.V. fosse reconhecida no Brasil não só pela qualidade e resultado real do produto ou por ajudar a mudar a forma como as pessoas se hidratam e entendem a importância da hidratação, mas pela seriedade da contribuição para ampliar o acesso à água potável no país. Gostaria que a meta global de 2 milhões de pessoas tivesse sido superada, que o compromisso de doar 150 milhões de sachês ao longo da década tivesse avançado e que já existisse uma história de protagonismo brasileiro dentro desse programa.

Para mim, o principal indicador de sucesso seria ver impacto concreto na vida dos brasileiros, parceiros locais mais fortes e comunidades capazes de sustentar essas soluções no longo prazo. O tamanho do nosso impacto precisa estar à altura da responsabilidade de uma marca que ajudou a construir essa categoria globalmente.

¹Análise pública da marca, dados de 2020 a 2022, comparando um sachê preparado com água da torneira a uma bebida esportiva líquida de 16 oz. 

Fonte dos dados apresentados: Impact Report 2025; Our Impact; IBGE, PNAD Contínua 2023: fontes de abastecimento de água.

Entre a Amazônia que corre e um sachê que hidrata, a MOTA leva água a quem sempre esteve cercado por ela - Foto: Imagem gerada por IA-Ilustrativa/Neo Mondo

Fernanda Fischer Pereira carrega hoje dois números na mesma rotina: quantos sachês a marca vendeu no trimestre e quantas pessoas já foram atendidas pelo programa de água. Um se atualiza toda semana. O outro cresce em outro compasso, o das parcerias que amadurecem com o tempo.

É desse encontro entre dois tempos diferentes que nasce, aos poucos, a versão que a Liquid I.V. constrói de si mesma no Brasil. Fica a conversa registrada aqui, com a expectativa de revisitá-la quando esse segundo número tiver crescido o bastante para contar uma história por conta própria.

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