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Escrito por Neo Mondo | 11 de maio de 2026
SP Ocean Week — A biodiversidade dos recifes: exatamente o que está em jogo no debate sobre áreas marinhas protegidas que define a edição 2026 do festival - Foto:Ilustrativa/Magnific
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
São Paulo está a 80 quilômetros do litoral. Mas entre 20 e 24 de maio, o Memorial da América Latina — espaço projetado por Oscar Niemeyer para convocar continentes — se transforma no maior festival de cultura oceânica da América Latina. A SP Ocean Week chega à sua sexta edição organizada pela MidiaMar Comunicação e pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, vinculada à Universidade de São Paulo. Não é coincidência simbólica que o evento aconteça numa metrópole sem costa. É, antes, uma declaração de método: o oceano não pertence aos que moram perto dele.
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A edição de 2026 tem como tema central o papel das áreas marinhas protegidas e os desafios para ampliar e tornar efetiva a conservação da biodiversidade marinha no Brasil e no mundo. O recorte é preciso e politicamente carregado. A meta 30x30 — proteger 30% dos oceanos até 2030, assumida por mais de cem países na COP15 de biodiversidade realizada em Montréal, em 2022 — permanece, na prática, distante de qualquer celebração. Criar áreas protegidas no papel é diferente de garantir monitoramento, fiscalização e governança efetiva. O Tratado do Alto-Mar, adotado em 2023 e em vigor desde janeiro de 2026, fortalece a arquitetura jurídica para a conservação além das zonas econômicas exclusivas — mas a designação de áreas protegidas por si só não se traduz em proteção prática se atividades prejudiciais continuarem dentro de seus limites ou se o monitoramento tiver recursos insuficientes.
A SP Ocean Week não nasceu pronta. Sua gênese remonta a 2009, quando o jornalista Alfredo Nastari, então editor da Scientific American Brasil, e o biólogo Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP, começaram a construir o que viria a ser a MídiaMar Comunicação e a Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano. A ideia de realizar um festival anual em São Paulo só se concretizou em 2019, sob o nome Marina Week. Em 2023, na quarta edição, veio o rebatismo para SP Ocean Week — e com ele uma ambição maior: não apenas celebrar o oceano, mas estruturar um fórum permanente de ciência, política e cultura marinhas no coração da maior metrópole da América Latina. O Neo Mondo acompanhou esse percurso desde o início como apoiador de mídia oficial. Da exposição Barcos do Brasil, concebida por Amyr Klink, à entrevista de abertura com Lenine em 2024; do lançamento do Compromisso para o Futuro do Oceano — documento formulado na edição de 2023 e cujos signatários prestaram contas publicamente no ano seguinte — à estreia da Rio Ocean Week em 2025, no Museu do Amanhã, com o Manifesto pelo Futuro do Oceano assinado pela Cátedra UNESCO. Cada edição acrescentou uma camada: a mobilização nacional do Movimento Pororoca, a agenda ESG integrada à programação, os painéis do Oceans 20 durante a presidência brasileira do G20. O que começa na sexta edição, dia 20 de maio, no Memorial da América Latina, não é apenas mais um festival — é o ponto mais avançado de uma construção que levou quinze anos.
É nesse intervalo entre a norma e a realidade que a SP Ocean Week se instala. A programação reúne mais de 70 especialistas e 40 instituições em atividades gratuitas, presenciais e online, distribuídas por espaços temáticos do Memorial da América Latina. Os painéis cobrem desde investimento azul e engenharia financeira para regeneração marinha até a integração entre governança ESG e gestão costeira — linguagens que traduzem ciência oceânica para os setores que movem capital e definem política. O Auditório Simon Bolívar recebe na noite de abertura, dia 20, um espetáculo de duas horas com BNegão — que apresentará parte de seu repertório em homenagem a Dorival Caymmi — e Julinho Mendes, músico caiçara de Caraguatatuba. Heloísa Schurmann, o cientista e explorador polar Jefferson Cardia Simões, o estilista e ativista Oskar Metsavat e Zelinha, conservacionista e chefe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, integram a roda de entrevistas que abre o festival.
O Cais do Porto, instalado no foyer do Auditório Simon Bolívar, funciona como o coração do evento durante todos os cinco dias, com stands de ONGs de conservação marinha, institutos de pesquisa oceanográfica, palestras, sessões de autógrafos e programação contínua no Palco Mar Aberto. O Cinema Comentado exibe documentários brasileiros sobre o oceano com mediação de especialistas em biologia, oceanografia e ciências sociais. A Galeria Laco apresenta obras de artistas que propõem formas de enfrentar a contaminação das águas — de instalações digitais a protótipos físicos. Escolas e universidades têm programação própria, com certificação para estudantes de graduação.
Antes do festival presencial, a SP Ocean Week ativa em maio uma sequência de painéis online. No dia 13, quatro conversas sobre Economia Azul abordam investimento azul, inteligência territorial oceânica, a cadeia de valor offshore e governança ESG em cidades costeiras. Nos dias 14 e 15, o ciclo "Ideias Azuis" percorre o tema das áreas marinhas protegidas — da ameaça à vida oceânica às experiências brasileiras com unidades de conservação, passando pela meta 30x30 e pelas AMPs como instrumento de proteção de comunidades tradicionais. Os painelistas incluem Marina Corrêa (WWF-Brasil), Nathalie Gil (Sea Shepherd Brasil), Simone Oigman-Pszczol (Instituto Brasileiro de Biodiversidade), Clayton Lino (Rede Brasileira de Reservas da Biosfera/UNESCO), Miguel Mies (IO-USP) e José Truda Palazzo (Instituto Baleia Jubarte), entre outros.
O pré-evento já está em curso. O Movimento Pororoca 2026 — a Virada da Maré — coordenado pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, convida ONGs, empresas, instituições de ensino, governos locais e coletivos comunitários de todo o Brasil a realizarem atividades voltadas à cultura oceânica entre 16 e 23 de maio. Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da Cátedra UNESCO, define o sentido do movimento: "O Movimento Pororoca tem a proposta de conectar pessoas e instituições para gerar uma grande onda de transformação. Precisamos ampliar a promoção da cultura oceânica e engajar a sociedade em ações concretas que contribuam para a conservação dos oceanos." Na edição anterior, em 2024, o movimento mobilizou mais de 450 mil pessoas. Para 2026, a meta é ultrapassar 500 mil.
A iniciativa integra o movimento internacional da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, que se estende até 2030, e está alinhada ao ODS 14 — Vida na Água. Não é retórica institucional. É o reconhecimento de que a crise dos oceanos — acidificação, perda de biodiversidade, poluição plástica, aquecimento das águas — tem prazo operacional e que os instrumentos de resposta precisam escalar antes que a janela se feche.
O Neo Mondo, apoiador de mídia oficial da SP Ocean Week, acompanha o evento desde a sua fundação. A programação completa está disponível em www.spoceanweek.com.br. A entrada no Memorial da América Latina é gratuita.
O Neo Mondo é apoiador de mídia oficial da SP Ocean Week.

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