Escrito por Neo Mondo | 17 de agosto de 2020
A estudante de biologia Samela Sateré Mawé trabalha junto a um grupo de mulheres na periferia de Manaus - Foto: © Divulgação/ WWF-BrasilAprender e estar junto No entanto, engana-se quem pensa que se inserir nessas conversas é fácil. Para o presidente da Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, de 20 anos, existe sempre um estigma sobre os jovens que se envolvem nesses trabalhos. “Alguns acham que nós não temos capacidade de estar em alguns espaços, de responder, de aprender. Mas a gente aprende, evolui e descobre o que a gente quer”, afirmou. Bitaté vive na aldeia Jamari, na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia. Com 1,875 milhão de hectares e com o registro de alguns povos isolados vivendo por ali, a Terra Indígena sofre bastante com invasões – por isso, Bitaté acabou focando seus esforços no trabalho com monitoramento territorial. “Com a pandemia as coisas ficaram um pouco mais difíceis, porque gostamos dessa presença, de estar junto, de aprender uns com os outros. Mas precisamos levar nosso trabalho adiante”, disse. Agravando questões
Para a psicóloga ambiental Giselli Cavalcanti, 26, que atua junto ao Engajamundo há quatro anos, o maior desafio enfrentado pelos jovens hoje é de fato a emergência climática. “O entendimento sobre este assunto está ficando mais claro, mais amplo e já começamos a perceber que ele é um tema guarda-chuva, que abarca muitos outros temas. A emergência climática vem agravando questões que já são conhecidas, deixando mais claras nossas desigualdades e pode ser lida por meio de vários recortes, como gênero e raça”, explicou. Giselli trabalha baseada em Natal (RN) coordenando redes de jovens. Ela acredita que a participação juvenil é importantíssima no combate aos prejuízos da crise do clima. “Essa é a geração que vai ser mais impactada diretamente. Então, estamos no limite para tomar decisões que vão ter um impacto real. Não são políticos homens, brancos e mais velhos que serão mais afetados”, disse a psicóloga. Coletividade Nayara Almeida, 22, do Rio de Janeiro (RJ), aderiu às greves pelo clima e também fala sobre o assunto nas redes sociais por meio do @garotadaecharpeclimatica: “Nós, os jovens, temos um espirito ousado, de defesa do que faz sentido para a gente. Nós não temos uma causa da gente, é sempre uma causa ‘nossa’, de grupo, de algo que possui um senso de coletividade muito forte”. A jovem estuda Ecologia e vê que ainda existe a necessidade de reforçar as redes de comunicação que envolvem as pautas climáticas. “Os atores da política não dialogam com a ciência, a ciência não dialoga com a população, os empresários ficam no seu canto... o diálogo ambiental é focado em poucas pessoas, fica numa bolha - e é preciso sair disso”, afirmou. Nayara trabalha no Engajamundo e ajudou a trazer o movimento #FridaysforFuture ao Brasil. Paloma reforça o convite aos jovens que queiram apoiar alguma mobilização ou se envolver na luta por alguma causa. “Jovens se mobilizarem é essencial. Essa é a grande vitória: termos uma legião de jovens conscientes, educados, resilientes, aptos e dispostos a lutar pelo que acreditam e pela vida”, disse a advogada.
Nayara Almeida, 22, ajudou a trazer o movimento #FridaysforFuture ao Brasil e produz um podcast voltado aos jovens - Foto: © Divulgação/ WWF-BrasilGlifosato: o substituto que o Brasil ainda não conhece
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