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Escrito por Neo Mondo | 24 de julho de 2019

O Palácio do Planalto adota uma atitude equivocada ao querer esconder os dados sobre o aumento no desmatamento na Amazônia, acreditando que com isso a imagem do país não seria prejudicada. Se os dados deixarem de ser públicos, o Brasil passará a integrar o seleto grupo de países que, ao sufocarem a ciência e a pesquisa independente por motivos ideológicos, passaram a ser reconhecidos como párias internacionais. É o caso da Venezuela, que há anos deixou de ter estatísticas oficiais sobre desemprego, inflação, pobreza, mortalidade infantil, dentre outros, por entender que a existência e a publicidade desses dados prejudicariam seu governo. Preocupa-nos sobremaneira que o Brasil também comece a trilhar esse caminho, no qual a motivação ideológica e a política prevaleçam sobre a verdade.
A sociedade civil brasileira, incluindo o WWF-Brasil, não tolerará que os dados de desmatamento passem a ser censurados pelo Palácio do Planalto, como anunciou Bolsonaro na data de ontem (22/07).
A publicidade e independência técnica do trabalho desenvolvido pelo Inpe são conquistas da sociedade brasileira que não podem ser destruídas. Seria um retrocesso civilizatório enfraquecer o Inpe, seja por meio de redução de suas verbas de funcionamento, seja por meio do silenciamento das informações que produz.
Neste momento, o Palácio do Planalto e o Ministério do Meio Ambiente deveriam se preocupar em efetivamente combater o desmatamento descontrolado, uma chaga que aflige a sociedade brasileira e vem causando imensos prejuízos a todos, inclusive para a agricultura de regiões do centro-sul do país, que depende diretamente das chuvas produzidas pela floresta para poder existir. Todos os dados produzidos pela ciência brasileira demonstram que não precisamos desmatar mais nenhum hectare de vegetação nativa para continuar aumentando a produção de alimentos. Dizer o contrário e inviabilizar o monitoramento do desmatamento, isso, sim, é atentar contra o interesse nacional.
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