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Escrito por Neo Mondo | 5 de março de 2026
Instituto Nova Era: nas tramas silenciosas da natureza, cada folha revela a inteligência da vida que inspira caminhos de regeneração, cuidado com a terra e reconstrução dos territórios - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Iniciativa aposta na agricultura sintrópica para mitigar ilhas de calor e fortalecer a segurança alimentar na Zona Leste de São Paulo e no ABC
O Instituto Nova Era de Desenvolvimento Socioambiental (INE) em parceria com a Petrobras lançou o projeto Florestas Produtivas na Bacia do Tamanduateí, iniciativa voltada à regeneração ambiental de áreas urbanas degradadas e ao fortalecimento de comunidades da Zona Leste de São Paulo e do ABC paulista. A proposta utiliza a agrofloresta como solução baseada na natureza para enfrentar desafios urbanos históricos, como enchentes recorrentes, ilhas de calor e degradação do solo.
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Neste momento, o projeto está implementado nos bairros São Rafael e São Francisco, na Zona Leste da capital, e no bairro Alzira Franco e Capuava, em Santo André. As áreas foram selecionadas por apresentarem problemas recorrentes como enchentes, formação de ilhas de calor e poluição hídrica, agravados ao longo das últimas décadas.
Sob gestão técnica do Instituto Nova Era, o projeto envolve desde o planejamento das áreas e a execução dos plantios até a articulação direta com as comunidades locais.A iniciativa busca ampliar a cobertura vegetal, aumentar a permeabilidade do solo e contribuir para a regulação térmica urbana, promovendo a adaptação climática em territórios densamente urbanizados.
“Revitalizar este território é estratégico para a melhoria das condições climáticas da região da Zona Leste de São Paulo por ser um território historicamente impactado pela urbanização e industrialização severa, apresentando desafios críticos de enchentes, ilhas de calor e poluição hídrica”, comenta Viviane Mendonça, Gestora Executiva do INE.
Diferente do reflorestamento convencional, a agrofloresta integra produção de alimentos e recuperação ambiental em um mesmo sistema, a partir de princípios como diversidade de espécies, sucessão ecológica, estratificação vegetal e manejo contínuo da biomassa. Inspirada na agricultura sintrópica, um sistema agroflorestal sustentável que imita os processos de sucessão natural de uma floresta para produzir alimentos, restaurar áreas degradadas e aumentar a fertilidade do solo, sem o uso de adubos químicos, agrotóxicos ou irrigação constante, a metodologia cria consórcios biodiversos capazes de regenerar o solo enquanto produzem alimentos e serviços ecossistêmicos.
A iniciativa prioriza a biodiversidade e a segurança alimentar ao combinar espécies nativas da Mata Atlântica — como ipês, jacarandás, frutíferas silvestres (cambucis e jabuticabas) e de cultivo (banana e amora) — a plantas de suporte ecológico, como guandu e gliricídia. O sistema é complementado por hortaliças, raízes e ervas medicinais, criando um ecossistema produtivo e resiliente.
No território, a atuação do INE fundamenta-se no protagonismo comunitário e na educação ambiental. Ao formar jovens lideranças e valorizar saberes tradicionais, o projeto integra pautas de economia circular e proteção da fauna. Esse compromisso estende-se à dimensão ética, promovendo a equidade de gênero, o combate ao racismo e a cultura de paz, visando uma regeneração que une o equilíbrio ambiental ao desenvolvimento humano.
Para 2026, o projeto inclui formações gratuitas em Viveirismo (março), Gerenciamento de Resíduos (maio) e Agrofloresta (julho), além de ações de educação ambiental em escolas. Um destaque é o curso de plantas medicinais para mulheres, focado na autonomia financeira através do beneficiamento e comercialização dos produtos finais, como por exemplo, óleos essenciais.
Além disso, o projeto Florestas Produtivas na Bacia do Tamanduateí atua em áreas sensíveis, como as faixas de dutos da Transpetro, onde implanta vegetação de baixo porte para evitar ocupações irregulares e melhorar o microclima. A iniciativa potencializa a recuperação ambiental do território, obtendo resultados positivos como a retirada de 450 kg de resíduos do Ribeirão Oratório e o fortalecimento de polos produtivos, como o Viveiro São Rafael/SP e o Quintal Verde/Santo André, além de viabilizar a implementação de um novo viveiro no núcleo Ana Maria, no bairro Jardim Ana Maria, em Santo André, em janeiro deste ano.
O projeto Florestas Produtivas da Bacia do Tamanduateí é uma realização do Instituto Nova Era de Desenvolvimento Socioambiental com apoio da Transpetro, Recap, MovLeste1, Coletivo Nasa, Prefeitura Municipal de Santo André, Semasa Santo André, Quintal Verde Ana Maria e Viveiro Escola em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Sobre o Instituto Nova Era de Desenvolvimento Socioambiental (INE)
O Instituto Nova Era de Desenvolvimento Socioambiental (INE) é uma organização da sociedade civil dedicada a impulsionar a transição para territórios mais resilientes e regenerativos, com atuação em diferentes regiões do Brasil. Com sede em Cravinhos (SP), desenvolve projetos que integram educação ambiental, agrofloresta urbana e rural, cultura, esporte educacional e valorização do patrimônio, articulando bem-estar humano, fortalecimento comunitário e saúde dos ecossistemas. Inspirado por abordagens regenerativas, como a agricultura sintrópica, aplica metodologias adaptadas a cada contexto local, com foco em soluções baseadas na natureza e no protagonismo das comunidades.
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