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Escrito por Neo Mondo | 25 de setembro de 2019
O Dr. Stephen Cornelius, consultor-chefe em mudança climática do WWF, criticou a falta de novos compromissos pelos países grande poluentes, alegando que isso é “jogar com a vida das pessoas”.
“Promessas nacionais climáticas fracas significam que provavelmente temos melhores chances de quebrar o banco no cassino de Monte Carlo do que limitar o aquecimento global a 1,5 ° C. A política não pode mudar a ciência. Os líderes devem agir agora para garantir um futuro positivo para o planeta e investir em cortes rápidos e profundos nas emissões de gases de efeito estufa, além de aumentar significativamente o financiamento para resiliência e adaptação”, diz Cornelius.
Já o Dr. Peter Winsor, diretor do Programa Ártico do WWF, afirmou que o derretimento sem precedentes das geleiras e geleiras da Groenlândia e Antártica é agora o maior contribuinte para o aumento global do nível do mar que afetará centenas de milhões de pessoas.
“Ainda podemos salvar partes da nossa criosfera, mas devemos agir agora. Os compromissos existentes dos governos para combater as mudanças climáticas são inadequados. Os quatro milhões de pessoas que vivem no Ártico estão lidando com o desaparecimento de fontes de alimentos e lutando para impedir que suas casas deslizem para o oceano. As regiões polares, suas pessoas e espécies, dependem da nossa ação imediata”, falou Winsor.
Impactos na vida costeira brasileira
Até 2050, à medida que o nível do mar subir e os estoques de peixes mudarem devido ao aquecimento do oceano, um bilhão de pessoas que vivem em áreas costeiras baixas estará em risco. Esta mudança pode levar ainda à migração em larga escala, pois as pessoas devem fugir dos locais com possibilidades de inundações e seguir os peixes dos quais dependem. No Brasil, onde há uma imensa faixa costeira, isto consequências extremamente graves e traz um novo chamado para a ação, como explica a gerente do programa Marinho, Anna Carolina Lobo:
“Cerca de um quarto da população brasileira vive em municípios da região costeira. As ameaças aos nossos oceanos e aos recursos hídricos de forma geral representa um ataque direto à nossa qualidade de vida, resiliência costeira e geração de emprego e renda para milhares de pessoas. Estima-se que até 2030, o mundo perderá 90% dos recifes de corais. Eles são fundamentais no equilíbrio da vida marinha e proteção da costa contra eventos extremos. Este novo relatório reforça a necessidade urgente de harmonizarmos conservação com desenvolvimento. Pessoas, empresas e governos precisam assumir protagonismo na proteção dos nossos oceanos e da nossa vida marinha, por meio da diminuição de emissões de gases de efeito estufa, consumo responsável de pescados, e geração, uso e descarte de plástico e outros resíduos”, diz Anna Carolina.
Para a analista de conservação do WWF-Brasil Renata Camargo este relatório traz ainda mais evidência sobre os efeitos devastadores das mudanças climáticas na vida marinha.
“Branqueamento de corais e diminuição de espécies marinhas em várias regiões do Brasil são apenas alguns dos impactos. A ciência deixa claro que a luta contra as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. É preciso ações fortes e urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para adaptar aos efeitos que já estão acontecendo”, conclui Renata.
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