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Escrito por Neo Mondo | 10 de janeiro de 2019
Distribuição geográfica dos pivôs centrais no Brasil
Guimarães ressalta que, embora a agricultura irrigada seja responsável por cerca de 60% do consumo das águas derivadas dos recursos hídricos brasileiros, vários são os benefícios dessa prática para a produção agrícola, tais como aumento da produtividade, redução dos riscos de perdas na produção e melhoria da qualidade dos produtos. “Esta prática favorece a eficiência no aproveitamento dos insumos, produção em áreas e épocas onde os plantios de sequeiro são inviabilizados, diversificação das culturas, aumento do número de colheitas, redução da expansão da fronteira agrícola e segurança alimentar”, acrescenta o pesquisador.
Segundo ele, a agricultura irrigada no Brasil representa cerca de 2% da área global e a expansão dessa atividade dará uma grande contribuição para o aumento da diversidade e quantidade da produção agrícola nacional. Mas esse crescimento deve ser acompanhado de monitoramento técnico que permita a formulação de políticas públicas para o uso eficiente dos recursos naturais, especialmente dos recursos hídricos. Essa é a atribuição do SNIRH (Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos), um dos instrumentos de gestão previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, conhecida como Lei das Águas. Esse sistema é operado pela ANA.
Georreferenciamento facilita a concessão de outorgas para uso da água
Os levantamentos georreferenciados das áreas irrigadas de arroz inundado, cana-de-açúcar e pela utilização de pivôs centrais permitem que as áreas demarcadas sejam auditadas e relacionadas com as fontes de abastecimento hídrico, e determinam o status de uso (ativo ou não). Essas informações são fundamentais para a concessão de outorgas e gerenciamento do uso da água nas bacias hidrográficas. Uma parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo e a Agência Nacional de Águas cuida do levantamento e monitoramento dos pivôs centrais no Brasil. Além de Guimarães, participam deste trabalho os pesquisadores Elena Charlotte Landau e Paulo Emílio Pereira de Albuquerque, da mesma Unidade da Embrapa.
Segundo Guimarães, a irrigação por pivô central é o sistema que apresenta o maior crescimento no País, e isso se dá em função da capacidade de distribuição uniforme da água requerida pelas culturas, do alto grau de automação e da adaptação a diferentes tipos de solo. A irrigação de grandes áreas e a capacidade de aplicação de fertilizantes e de defensivos agrícolas via água de irrigação também contribuem para este crescimento. O sistema permite ainda o uso da técnica da pré-irrigação, proteção contra as geadas, supressão da poeira e lixiviação de sais concentrados na zona radicular.
Atualmente existem no Brasil cerca de 23 mil pivôs centrais irrigando uma área de aproximadamente 1,5 milhão de hectares. Os estudos da Embrapa permitem avaliar a tendência de crescimento desse sistema de irrigação desde 1985 e, atualmente, incluem o monitoramento em tempo quase real (a cada 8 dias) do status de uso dos equipamentos, ou seja, se estão ativos (plantados) ou em fase de pousio. “Essas informações permitem deduzir qual é o consumo de água na agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil e o impacto da atividade sobre os recursos hídricos locais. Além disso, fornecem subsídios para a previsão de safra”, explica Guimarães.
“Há uma tendência de concentração das áreas irrigadas por pivôs centrais no Oeste Baiano e em Mucugê-BA, no Distrito Federal, em São Gotardo, Paracatu e Unaí (MG) e em São Paulo, na bacia do Rio Paranapanema e nos municípios de Guaíra e Casa Branca. Essas informações são também relevantes por indicarem a necessidade de identificação de novas áreas para a expansão da agricultura irrigada e a geração de novos polos de desenvolvimento do agronegócio no Brasil”, salienta o pesquisador.
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