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Escrito por Neo Mondo | 6 de agosto de 2019
O relatório do WRI também identifica os pontos onde há maior risco de água em todo o mundo, como, por exemplo, na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), onde ficam 12 dos 17 países que enfrentam estresse "extremamente alto". Nelas, especialistas identificaram a escassez de água como um dos principais fatores de conflito e migração. O norte da Índia, por sua vez, enfrenta um severo esgotamento da água subterrânea que pode ser visualizado nos mapas do Aqueduct e, por isso, a região foi incluída em cálculos de estresse hídrico pela primeira vez. No caso do Brasil, esses pontos estão mais concentrados no Nordeste, onde fica o semiárido. Há alto risco em pontos no Planalto Central e ao leste da região Sudeste, onde ficam São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Campinas.
"Temos estudos que mostram como o investimento na recuperação florestal de áreas de captação de água em São Paulo e no Rio de Janeiro torna os sistemas de abastecimento mais eficientes e resilientes", informa Rachel. "Estamos finalizando um estudo em Vitória com resultados igualmente animadores. Ou seja, sabemos como enfrentar esse risco hídrico sistêmico que tende a se agravar com a crise climática. Basta vontade política para fazer", completa.
O mapa do risco da água no Brasil mostra áreas no interior do Nordeste, com um longo histórico de estresse hídrico em função de suas condições de clima e geologia, mas também regiões onde esse risco é claramente resultado da ação humana. Fatores como consumo excessivo, desperdício, a atual crise climática, a degradação das áreas de captação dos sistemas de fornecimento e o desmatamento Amazônia, que tem papel regulador das chuvas no país, estão colocando as regiões mais populosas do Brasil em risco.
SOBRE A FERRAMENTA AQUEDUCT
Lançada em 2013 pelo WRI, a ferramenta Aqueduct já foi usada por mais de 50.000 pessoas e 300 empresas por ano. Ela utiliza uma metodologia robusta, revisada por pares e as melhores informações disponíveis para criar mapas globais personalizáveis. A ferramenta classifica estresse hídrico, risco de seca e risco de inundações ribeirinhas em 189 países e suas regiões subnacionais, como estados e municípios.
A ferramenta acaba de ser atualizada e agora inclui 13 indicadores de risco hídrico, incluindo novidades como disponibilidade de água subterrânea e esgotamento de água, e resumos mensais do estresse e da variabilidade hídrica. O modelo hidrológico atualizado da ferramenta Aqueduct mostra uma imagem do risco hídrico mais precisa e granular do que nunca.
"A ferramenta Aqueduct foi atualizada e agora permite que os usuários vejam e compreendam melhor os riscos hídricos e tomem melhores decisões para gerenciar esses riscos. Uma nova geração de soluções está surgindo, mas precisamos de uma resposta que seja proporcional ao estresse que estamos vendo. A falta de ação será maciçamente cara em vidas humanas e meios de subsistência", ressalta Andrew Steer, Presidente e CEO do World Resources Institute.
Muitas empresas utilizam o Aqueduct para traçar locais prioritários, como instalações, fornecedores, novos mercados ou usinas de energia propostas, e avaliar sua exposição ao risco de água. "A ferramenta Aqueduct serve como ponto de partida para empresas e organizações que levam a sério os riscos da água", disse Paul Reig, que lidera o engajamento corporativo com o tema e com a ferramenta pelo WRI. "Nunca tantas empresas usaram Aqueduct para priorizar investimentos em soluções para as mais importantes bacias".
A ferramenta Aqueduct é apoiada pela Aqueduct Alliance, uma coalizão de empresas líderes, governos e fundações que trabalham com o WRI para melhorar a gestão sustentável da água. Seus dados foram desenvolvidos em colaboração com parceiros de pesquisa da Universidade de Tecnologia de Delft, Deltares, Universidade de Utrecht, Instituto de Estudos Ambientais (IVM), Agência Ambiental PBL Holanda e RepRisk.
"A Procter and Gamble usa o Aqueduct há anos e é membro da Aqueduct Alliance - um grupo de empresas na vanguarda da administração de recursos hídricos", disse Shannon Quinn, Líder Global de Manejo de Água da Procter and Gamble. "Os dados do Atlas Aqueduct de Risco Aquático são essenciais para a forma como a P&G avalia os riscos da água, permitindo-nos preservar recursos nas áreas em que trabalhamos. Estamos ansiosos para usar a nova ferramenta para fortalecer ainda mais nossas avaliações".
Para mais informações, visite: aqueduct.wri.org
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