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Escrito por Neo Mondo | 21 de agosto de 2025
Conversas nas redes sociais intensificam a polarização em torno da COP30 - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
ARTIGO
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Por - Flávia Ribeiro*, especial para Neo Mondo
A COP30, que acontece em novembro em Belém (PA), é um marco histórico para o Brasil e para a região amazônica. No entanto, as conversas nas redes sociais têm intensificado problemas como a falta de estrutura local para a realização do evento e os conflitos institucionais e políticos. O mais preocupante é perceber que, às vésperas do encontro, essas pautas dominam o debate em vez daquilo que realmente importa: discutir soluções para mitigar os riscos climáticos, o desmatamento, as metas e as articulações intersetoriais.
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Faltando apenas três meses para a COP30, ainda paira nos bastidores um questionamento crucial: vou ou não participar do evento?
A resposta, como aponta o estudo “Termômetro das redes: COP30 Amazônia”, desenvolvido pela And, All em parceria com a PR & Comunicação Estratégica e a Polis Consulting, exige mais do que entusiasmo institucional. Demanda inteligência de dados, escuta ativa e um planejamento estratégico robusto. O levantamento analisou mais de 376 mil menções espontâneas à COP30 entre janeiro de 2024 e março de 2025, utilizando ferramentas como Google Trends, Answer the Public e Brandwatch. O monitoramento confirma que a COP30 já está em curso no imaginário coletivo, e o debate é altamente polarizado e sensível. Os riscos de exposição negativa são concretos.
Segundo o estudo, as principais ameaças reputacionais identificadas incluem: acusações de greenwashing, associação a controvérsias locais (deslocamentos, exclusões, desigualdades), polarização político-ideológica e silenciamento de vozes amazônicas e indígenas. Em resumo: não basta estar na COP30. É preciso saber como e com quem estar. Participações isoladas, sem narrativa clara, sem vínculos concretos com o território e sem preparo para lidar com crises podem manchar a reputação das organizações.
A análise das menções mostra que o tema energético domina o debate digital. Combustíveis fósseis são a bola da vez. Isso indica que, nas redes, a COP30 tem sido vista como um referendo público sobre a velocidade da transição energética — com pressão crescente para que o Brasil declare uma data-limite para o petróleo, o gás e o carvão.
Curiosamente, o agronegócio — setor responsável por mais de 70% das emissões brasileiras — aparece pouco no debate espontâneo. Não estamos conversando sobre desmatamento, agropecuária e uso do solo. Um dado que acende o alerta: o risco não está apenas no que é dito, mas também no que ainda não se diz.
Um estudo global da GlobeScan, do ERM Sustainability Institute e da Volans, com 844 especialistas em sustentabilidade de 72 países, corrobora esse cenário desafiador. Segundo o relatório “Sustainability at a Crossroads”, 93% dos entrevistados acreditam que a atual abordagem da agenda de sustentabilidade precisa ser revista. Mais da metade (56%) pede uma mudança radical. Apenas 6% acham que a estratégia vigente funciona como deveria.
Esse ceticismo também afeta o setor corporativo. Tecnologias emergentes, como geoengenharia e captura de carbono, são vistas como promessas distantes. Em contrapartida, ações tangíveis — como a integração da sustentabilidade à estratégia empresarial, a inovação em P&D e a economia circular — são consideradas mais viáveis e valorizadas no curto prazo.
Diante desse contexto, a COP30 é tanto uma oportunidade estratégica quanto uma possível armadilha reputacional. O erro, neste caso, é a omissão ou a participação mal preparada — e isso vale para empresas de todos os portes e setores.
O Brasil chega à COP30 com os olhos do mundo voltados para sua atuação climática, ambiental e social, mas em um contexto ainda frágil. É comum ouvir de colegas que a conferência não será efetiva. Para as empresas, especialmente dos setores de energia e agronegócio, não há espaço para improviso.
Vivemos uma era pulsante com a inteligência artificial. Interpretar dados e analisar tendências é fundamental para a tomada de decisões. Construa presença com base em escuta, dados e coerência. Afinal, como em toda arena pública, reputação não se improvisa — se constrói.
*Flávia Ribeiro é jornalista e consultora em Comunicação, Marketing e Sustentabilidade. É Mestre em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social pela UFRJ.

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