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O Dia da Consciência Negra: quando a memória desperta o futuro

Escrito por Neo Mondo | 20 de novembro de 2025

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Consciência Negra é ação, é compromisso, é continuidade - Foto: Ilustrativa/Freepik

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

E por que celebrar jornalistas negros e negras é reafirmar a voz que sempre existiu — mesmo quando tentaram silenciar

Existem datas que não cabem no calendário. O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é uma delas.
Toda vez que essa data chega, eu sinto como se o país inteiro respirasse fundo — um suspiro que mistura dor, resistência, indignação e, sobretudo, potência.

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É impossível atravessar esse dia sem lembrar que o Brasil foi construído pelas mãos, pelos saberes, pelas espiritualidades e pela genialidade de pessoas negras. E ainda assim, tantas vezes, esse mesmo país insiste em negar a elas a centralidade que sempre tiveram.

Mas hoje… hoje é diferente.
Porque estamos vivendo uma virada histórica — especialmente no jornalismo, esse território que molda narrativas, forma opinião e abre caminhos. E é justamente por isso que o Prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira 2025 tem um impacto tão simbólico, tão urgente e tão transformador.

Ao ler a lista dos homenageados deste ano, eu senti algo raro: esperança com gosto de verdade.

Quando a palavra vira território de luta

Sabe, falar do Dia da Consciência Negra não é só falar de passado.
É falar de quem puxa o presente para o lado certo da história.

E é aí que o prêmio idealizado por Jornalistas&Cia, Neo Mondo, 1 Papo Reto e Rede JP – Jornalistas Pretos faz toda a diferença.
Em apenas duas edições, ele já movimentou o campo da comunicação brasileira de um jeito que eu, sinceramente, nunca tinha visto.

Não é sobre representatividade vazia.
É sobre narrativa. É sobre disputa de poder.
É sobre quem tem o microfone na mão quando o futuro está sendo decidido — seja numa cobertura da COP30, seja numa reportagem sobre território quilombola, saúde pública, cultura ou mudanças climáticas.

Porque, convenhamos, durante décadas o jornalismo brasileiro falou sobre pessoas negras, mas raramente falou com pessoas negras.
E muito menos permitiu que elas falassem por si mesmas.

O prêmio chega rasgando essa lógica.

Homenagens que dizem mais do que mil editoriais

Os homenageados especiais deste ano carregam a força de gerações inteiras.

O Troféu Luiz Gama, que já nasce gigante, será entregue a:

  • Antonio Carlos Fon, uma das referências vivas da imprensa paulista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP e com passagens marcantes por veículos como Veja, IstoÉ, JT e Quatro Rodas;
  • Céres Marisa Silva dos Santos, ativista do movimento negro, professora da UNEB e liderança na promoção da igualdade racial na Bahia.

E tem mais: o Troféu Glória Maria, que homenageia a maior jornalista brasileira de todos os tempos — sim, a maior — será entregue à brilhante Flávia Oliveira, cuja lucidez, coragem e sensibilidade moldam o jornalismo contemporâneo.

Quando vejo esses nomes, não consigo evitar um pensamento insistente:
É isso. É exatamente isso que Brasil precisa enxergar.

Essas pessoas não são exceções.
Elas são parte de uma constelação inteira que, por muito tempo, foi escondida atrás das sombras da desigualdade.

Por que isso importa tanto?

Importa porque, sem pluralidade, não existe jornalismo — existe só repetição.
Importa porque, sem diversidade, a democracia respira por aparelhos.
Importa porque, sem pessoas negras nas redações, nas câmeras, nas análises, nas chefias, o Brasil nunca vai se enxergar por completo.

Eu penso muito nisso quando olho para a agenda climática, para a pauta ambiental, para o futuro do oceano, da Amazônia e das cidades.
Não dá para falar de clima sem falar de desigualdade.
Não dá para falar de biodiversidade ignorando que o racismo ambiental ainda decide quem vive e quem morre.

E é por isso que premiar jornalistas negros não é uma homenagem:
é uma reparação.
É reconhecer que sem essas vozes — múltiplas, profundas, indispensáveis — não existe sustentabilidade possível.

Consciência Negra é ação, é compromisso, é continuidade
foto de uma mulher negra de meia idade segurando um cartaz escrito "Dia da Consciência negra"
Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

A gente vive um momento em que o país tenta se reconstruir, costurar feridas abertas, recuperar a confiança e redesenhar o futuro.
E parte dessa reconstrução passa pelo jornalismo, por quem conta as histórias que organizam o mundo.

O Prêmio +Admirados é um lembrete poderoso de que ainda estamos só no começo.
E que ainda existem muitas portas para derrubar, muitos corredores para iluminar, muitos silêncios para desfazer.

Nesse Dia da Consciência Negra, eu faço um convite:
que a gente não deixe essa data virar só mais uma marca no calendário.
Que ela vire compromisso.
Que ela vire prática.
Que ela vire transformação.

E, acima de tudo, que a gente faça o que o jornalismo tem de mais bonito:
ouvir — e amplificar — quem sempre esteve falando.

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