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BYD responde por 74% dos ônibus elétricos emplacados em julho, mas líder do ano segue sendo tecnologia brasileira

Escrito por Neo Mondo | 8 de agosto de 2026

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BYD entregou 265 ônibus elétricos ao sistema municipal de São Paulo, o maior lote de veículos pesados a bateria já fornecido de uma só vez no país, enfileirados aqui na esplanada do Estádio do Pacaembu - Foto: Divulgação/BYD

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

Foram 89 ônibus elétricos emplacados no Brasil em julho. Dos 89, sessenta e seis carregavam a marca da BYD. A conta dá 74,16%, quase três de cada quatro, e a fabricante chinesa liderou o mês com folga sobre Mercedes-Benz, Eletra e CRRC, que dividiram as 23 unidades restantes. O dado é da Fenabrave e foi divulgado na primeira semana de agosto.

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O número mensal chega semanas depois de outro marco. A BYD concluiu a entrega de 265 ônibus elétricos ao sistema municipal de São Paulo, o maior lote de veículos pesados a bateria já fornecido de uma só vez no país. Os dois eventos, o recorde de entrega e a fatia de julho, ajudam a explicar por que a companhia terminou o mês na frente. Não explicam, porém, quem lidera o ano.

No acumulado de janeiro a julho, a liderança pertence à Eletra, empresa de tecnologia nacional fabricada em São Bernardo do Campo, em parceria com as carrocerias Caio-Induscar, de Botucatu. A dupla, que aparece nos registros da Fenabrave como Induscar, emplacou 244 unidades no período, 35,99% do mercado, e mantém a posição que ocupa desde que a federação começou a medir o segmento, em 2019. A BYD vem em segundo, com 175 unidades, tendo ultrapassado a Mercedes-Benz ao longo do primeiro semestre. A leitura correta do momento, portanto, é esta: a chinesa domina os meses de pico e disputa a dianteira do ranking anual, mas ainda corre atrás da tecnologia brasileira no consolidado.

O desempenho de julho também precisa ser lido contra o próprio calendário do setor. O mês registrou queda de 67,99% frente a junho, quando foram 278 emplacamentos, e recuo de 44,38% sobre julho de 2025. A oscilação é grande porque o mercado depende de contratos firmados por grandes sistemas urbanos, que concentram entregas em lotes. Em maio a BYD já havia liderado; em junho, despencou para sexto lugar, atrás de CRRC, Eletra-Caio, Mercedes-Benz, Volkswagen e Higer. O padrão mensal sobe e desce conforme os cronogramas de fornecimento. O que não oscila é a curva do ano: entre janeiro e julho foram 678 ônibus elétricos licenciados, contra 471 no mesmo intervalo de 2025, alta de 43,95%.

“Os números de julho mostram que a eletrificação do transporte coletivo entrou em uma nova fase no Brasil. Quando três em cada quatro ônibus elétricos emplacados no País são da BYD, vemos não apenas a força da companhia, mas a consolidação de um mercado que ganha escala, atrai investimentos e fortalece a indústria nacional”, afirmou Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD Brasil, em nota.

A troca de diesel por bateria muda mais do que a matriz do motor. Reduz emissão de gases de efeito estufa, corta ruído, melhora o ar das cidades e, na conta das operadoras, altera a estrutura de custo de manutenção. Puxa junto investimento em infraestrutura de recarga nas garagens e pressiona as distribuidoras de energia por reforço de rede, gargalo que cresce à medida que mais linhas eletrificam. São Paulo concentra o movimento: a capital já opera cerca de 1,3 mil ônibus elétricos, e a BYD respondeu por parte relevante dessa frota, incluindo a estreia do articulado de 22 metros em corredores de alta demanda.

A planta de Campinas sustenta a operação da BYD no segmento de ônibus. É a primeira fábrica da companhia no Brasil, em atividade desde 2015, e produz os chassis 100% elétricos que abastecem os contratos urbanos no país e em outras cidades da América Latina, com capacidade instalada de até 2.000 unidades por ano. Em dezembro de 2025, a unidade chegou a 600 chassis produzidos. A demanda, porém, já pressiona esse teto: a empresa projeta 1.200 chassis em 2026 e anunciou uma nova fábrica, com capacidade de até 7 mil unidades ao ano, prevista para operar dentro de dois a três anos. O modelo que domina as entregas é o D9W, de piso baixo e autonomia de 250 quilômetros; foi a BYD também que estreou, em São Paulo, o articulado elétrico de 22 metros em corredores de alta demanda.

“Se junho mostrou que o Brasil tinha capacidade para acelerar a eletrificação do transporte coletivo, julho indicou que esse movimento está ganhando tração e consistência”, disse Schneider. Entre janeiro e julho, o segmento cresceu 43,95%. É esse o número que descreve o ano, acima de qualquer pico mensal.

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