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Escrito por Neo Mondo | 24 de junho de 2026
ENGIE Brasil e Tamara Klink — a bordo do Sardinha 2, entre icebergs, onde a transição energética tem nome, vento e rota - Foto: Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Quando Tamara Klink passou oito meses com o casco do Sardinha 2 encravado no gelo do Ártico, em 2024, ela não estava realizando uma façanha esportiva. Estava habitando, em tempo real, o termômetro mais sensível do planeta. O mar ao redor do barco congelava e derretia em ciclos que os modelos climáticos descrevem em gráficos, mas que ela aprendia pela variação do som, do peso, da cor. Agora, esse mesmo itinerário de conhecimento extremo vai ganhar um novo capítulo — e uma nova parceria.
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A ENGIE Brasil anunciou Tamara Klink como sua embaixadora ESG durante o Encontro de Gestão Sustentável 2026, realizado esta semana em Florianópolis. A iniciativa, batizada com o mote "ENGIE e Tamara Klink: a mesma energia", vai além da arquitetura convencional de um patrocínio corporativo. A empresa assumirá a descarbonização da próxima expedição da navegadora, que parte em breve do Alasca. É a primeira vez que a ENGIE Brasil formaliza esse tipo de vínculo com uma atleta e exploradora, integrando a trajetória pessoal de uma protagonista pública diretamente à sua estratégia climática.
A escolha não é arbitrária. A ENGIE Brasil encerrou 2025 com 12,4 gigawatts de capacidade instalada operada, resultado de R$ 6 bilhões investidos em novos projetos — entre eles o Conjunto Eólico Assuruá, na Bahia, com 846 MW, o maior empreendimento eólico onshore da empresa no mundo, e o Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, no Rio Grande do Norte, com 753 MWac. A companhia integra o Dow Jones Best-in-Class Emerging Markets Index da S&P Global e figura entre os 5% melhores do setor elétrico mundial no S&P Global Sustainability Yearbook 2026. É uma empresa que construiu sua narrativa ESG sobre ativos concretos, não sobre intenções declaradas. Ao anunciar Tamara Klink, ela projeta essa narrativa para fora dos relatórios e para dentro de um registro que os dados sozinhos não alcançam: o da experiência visceral e comunicável.
"O legado da Tamara tem uma conexão muito forte com a nossa trajetória, pela capacidade de explorar novos caminhos, enfrentar grandes desafios e gerar impacto positivo local e globalmente. Esses valores fazem parte da cultura da ENGIE e estão presentes na nossa jornada para acelerar a transição energética justa e avançar em uma economia de baixo carbono", afirmou Thais Soares, diretora de Sustentabilidade da ENGIE Brasil — executiva que, em 2025, liderou a criação da Diretoria de Sustentabilidade da companhia e a reestruturação do seu Comitê de Sustentabilidade.
Tamara Klink tem 28 anos, formação em Arquitetura pela ENSA Nantes com especialização em Arquitetura Naval, quatro livros publicados — incluindo Nós: o Atlântico em solitário, o mais presenteado da Amazon, e o recém-lançado Bom Dia Inverno — e mais de 300 palestras realizadas em três idiomas. Mais de 800 mil seguidores acompanham suas expedições nas redes sociais. Mas o que a torna uma interlocutora incomum no debate climático não é a escala da audiência. É a qualidade do que ela sabe.
Em março deste ano, Tamara concedeu ao Neo Mondo uma entrevista exclusiva no contexto do Especial Semana Mundial da Água. Nela, descreveu o que aprende nos mares que a ciência não consegue transmitir inteiramente por meio de séries históricas ou relatórios técnicos. "Depois da invernagem, comecei a entender o quanto a água é viva. Em cada gota de água do mar, das geleiras, da neve, dos rios, há milhões de micro-organismos cuja existência permite a de todos os outros seres do planeta", disse. "A água é a cola que une todas as espécies — e isso não é metáfora. É biologia. É física. É o que se aprende quando se vive dentro dela por meses."
A Passagem Noroeste, que ela completou em 2025 tornando-se a primeira pessoa da América Latina e a mais jovem mulher do mundo a fazê-lo em solitário, oferece um dos paradoxos mais perturbadores da era climática: a rota só está acessível porque o Ártico está derretendo. Exatamente 120 anos antes dela, Roald Amundsen levou três anos para percorrer o mesmo trajeto que Tamara concluiu em um mês e meio. Nas cartas náuticas centenárias que usou, grandes geleiras indicadas nos mapas tinham se tornado baías de água líquida. "O recorde que conquistei carrega esse peso. Não dá para celebrá-lo sem reconhecer o que ele representa", afirmou ao Neo Mondo.
É essa lucidez incômoda — a de quem realiza feitos históricos cujas condições de possibilidade são sinais de colapso — que a ENGIE Brasil escolheu como voz pública. Não uma celebridade ambiental que repete alertas. Uma arquiteta que nomeou os rios entubados de São Paulo como a metáfora mais precisa das cidades construídas contra a água. Uma navegadora que traduz os pontos de não retorno do sistema climático global em sons ouvidos debaixo do casco de um barco. Uma escritora que sabe que as grandes decisões não são tomadas por dados, mas por emoção.
"A maior parte das decisões que tomamos não é racional — é tomada com base na emoção. Se a ciência produz o diagnóstico, a experiência humana pode produzir a urgência. As duas coisas são necessárias", disse Tamara ao Neo Mondo em março.
A expedição que parte do Alasca representa, nesse sentido, uma continuidade lógica. Ao assumir a descarbonização da jornada, a ENGIE Brasil não apenas financia uma travessia — ela incorpora ao seu portfólio ESG um documento vivo da crise que seu setor existe, também, para responder. O mote "a mesma energia" funciona como declaração de convergência: entre a empresa que constrói a matriz renovável do Brasil e a navegadora que sente, no casco do barco, as consequências físicas do mundo que essa matriz precisa substituir.

Há algo nessa parceria que transcende a semântica das campanhas corporativas. A ENGIE Brasil é a única empresa a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 desde sua criação, em 2005. Sua diretora de Sustentabilidade fala em "transição energética justa". Sua nova embaixadora fala de crianças que precisam ter invernos como os nossos. As duas frases apontam para o mesmo horizonte. O que as separa é apenas a forma de chegar lá — uma pelo portfólio de ativos, outra pelo casco de um veleiro. No Ártico, como nos mercados de energia, o tempo não espera.
Entrevista completa de Tamara Klink ao Neo Mondo disponível no Especial Semana Mundial da Água 2026, clique AQUI.
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