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Brasil deve ultrapassar R$ 108 bilhões em investimentos em hidrogênio verde até 2029; navio testa solução que reduz em até 80% as emissões

Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2026

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Foto: Divulgação/JAQ Hidrogênio Verde

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Estimativa da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde aponta uma carteira bilionária de projetos no país. Enquanto iniciativas de grande escala se preparam para entrar em operação no fim da década, o JAQ H1, embarcação de 36 metros fabricada no Brasil, já opera com a hotelaria de bordo alimentada por hidrogênio e agora testa a aplicação do combustível também na motorização

O hidrogênio verde começa a transformar promessas de longo prazo em uma nova frente de investimentos no Brasil. Projetos ligados ao combustível devem ultrapassar R$ 108 bilhões em investimentos até 2029, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV). Embora a produção em larga escala ainda dependa da maturação de projetos, infraestrutura e contratos de compra, aplicações práticas já começam a testar como o combustível poderá ser incorporado a setores de difícil descarbonização, entre eles o transporte marítimo.

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No setor, uma dessas experiências já está em andamento. O JAQ H1, embarcação brasileira de 36 metros criada para funcionar como laboratório flutuante, é um dos pioneiros no país na aplicação do hidrogênio verde em condições reais de navegação. Apresentado durante a COP30, em Belém, o barco integra o projeto JAQ Hidrogênio Verde, idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik.

“A transição energética é um processo de longo prazo e exige pesquisa, testes e desenvolvimento de soluções que possam funcionar em condições reais. O propósito do nosso projeto é justamente contribuir para essa construção. Hoje, o JAQ H1 está em Santa Catarina, onde passa pelos testes de comissionamento do sistema de hidrogênio, uma etapa importante para validar o abastecimento, a segurança e a operação da tecnologia a bordo. Queremos gerar conhecimento, reunir dados e mostrar, na prática, como o hidrogênio pode ser incorporado à navegação brasileira. É um caminho que não acontece de um dia para o outro, mas que precisa começar agora para que o setor esteja preparado para as próximas décadas”, afirma Paciornik. 

Desde a apresentação do JAQ H1 na COP30, em novembro do ano passado, o hidrogênio já era utilizado na chamada hotelaria de bordo. Sistemas como ar-condicionado, iluminação, televisores, micro-ondas e outros equipamentos auxiliares são alimentados integralmente por células de combustível de hidrogênio. Agora, o projeto avança para uma nova etapa, com a aplicação do combustível também na motorização. A embarcação utiliza motores dual-fuel da alemã MAN, preparados para operar com uma mistura de 20% de hidrogênio e 80% de diesel. Segundo o idealizador, essa configuração pode reduzir em até 80% as emissões de dióxido de carbono (CO₂). 

O projeto JAQ Hidrogênio Verde prevê investimento privado estimado em R$ 150 milhões e já avança para uma segunda embarcação. Com 50 metros de comprimento, o JAQ H2 tem previsão de início de sua etapa de adaptação tecnológica em 2027, com prazo estimado de 18 meses de obras. A embarcação terá como principal diferencial a capacidade de produzir o próprio hidrogênio a bordo. Para isso, o projeto prevê a instalação de um eletrolisador que utilizará água do mar dessalinizada, com apoio de fontes renováveis de energia disponíveis na própria embarcação. A expectativa é que o JAQ H2 seja o primeiro barco do mundo capaz de gerar seu próprio hidrogênio verde, o que reduz a dependência de infraestrutura externa de abastecimento.

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