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Escrito por Neo Mondo | 20 de julho de 2026
Frasco por frasco, uma linha inteira dispensável - Foto: Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Em um quarto de hotel, o frasco de xampu costumava ter vida curta: usado uma vez, descartado antes mesmo de esvaziar. Multiplicado por milhares de apartamentos e centenas de redes hoteleiras, esse gesto miúdo se converteu, ao longo de décadas, em uma das fontes mais silenciosas de resíduo plástico do turismo brasileiro. A Phytoervas decidiu tratar esse detalhe como estratégia.
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A marca, uma das pioneiras da cosmética natural no país, opera há quase quatro décadas com uma proposta que combina ativos vegetais e formulações livres de sulfatos, parabenos e corantes. No varejo, essa identidade já lhe garantiu lugar de referência. Na hotelaria, porém, a empresa encontrou um terreno onde sustentabilidade deixa de ser atributo de rótulo e passa a ser engenharia de operação: substituir frascos individuais por refis e dispensers reconfigura toda a lógica de consumo dentro do quarto.
O resultado, medido dentro da rede Accor, é a redução de mais de 300 toneladas de plástico. O número ganha outra dimensão quando se observa o histórico da parceria: em unidades da bandeira Novotel operadas em conjunto com a Realgems, a adoção de dispensers já havia permitido cortar em torno de 87% o consumo de plástico por unidade hoteleira. A Phytoervas hoje atende centenas de hotéis independentes e grandes redes — Accor, Atlantica Hospitality International, Laghetto Hotéis, Louvre Hotels Group, além de empreendimentos ligados ao Circuito Elegante, à BLTA e aos Roteiros de Charme.
A mais recente camada dessa estratégia é a adesão da marca ao SeloXIS, certificação que monitora indicadores ambientais, sociais e de governança ao longo da cadeia de fornecedores do setor hoteleiro. Não se trata de um selo decorativo. A metodologia impõe rastreabilidade: cada fornecedor precisa demonstrar, com dados, o que efetivamente muda na ponta da operação. Para a hotelaria brasileira, que vem sendo pressionada tanto por metas ESG corporativas quanto pela própria demanda dos hóspedes, contar com fornecedores capazes de comprovar esse tipo de indicador deixou de ser diferencial e passou a compor critério de seleção.
Essa exigência de comprovação tem lastro em um dado que atravessa toda a indústria de bens de consumo: segundo levantamento da consultoria McKinsey, mais de 80% das emissões de gases de efeito estufa associadas a empresas do setor estão concentradas na cadeia de fornecedores, e não nas operações diretas das companhias. Rastrear o fornecedor, portanto, tornou-se a única forma de rastrear o problema real.
O movimento da Phytoervas também responde a uma mudança de comportamento que já não é tendência passageira, mas piso de mercado. Pesquisa da Opinion Box mostra que 96% dos consumidores brasileiros valorizam produtos veganos, naturais e livres de crueldade animal — um número que praticamente elimina a segmentação entre público "consciente" e público geral. Em escala global, a Zion Market Research projeta que o mercado de cosméticos deve movimentar US$ 904 bilhões até 2030, impulsionado justamente por essa convergência entre performance de produto e prova de responsabilidade ambiental.
O que a Phytoervas demonstra, ao transportar sua identidade de marca para dentro do quarto de hotel, é que a sustentabilidade deixou de caber apenas na fórmula do produto. Ela migrou para a embalagem, para o modelo de distribuição, para o contrato com o fornecedor de amenities. E é nesse deslocamento — da vitrine para a operação — que se decide, hoje, quem permanece relevante numa cadeia de consumo cada vez mais disposta a perguntar de onde vem cada grama de plástico que sobra na lixeira do quarto 402.
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