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Escrito por Neo Mondo | 22 de agosto de 2026
Integridade premiada, a equipe da Unipar recebe o selo Empresa Pró-Ética 2025-2026 durante o Dia da Integridade Empresarial, em Brasília - Foto: Divulgação/Unipar
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
A Unipar foi reconhecida pela segunda vez consecutiva como Empresa Pró-Ética, agora na edição 2025-2026 do programa da Controladoria-Geral da União (CGU). A lista saiu em 1º de julho, em Brasília, no encerramento do Dia da Integridade Empresarial. Foram 128 empresas premiadas, número recorde do programa; 402 organizações acessaram o Sistema de Avaliação e Monitoramento de Programas de Integridade (SAMPI) e apenas essas 128 alcançaram os critérios exigidos. Menos de um terço, portanto, atravessou o processo inteiro.
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O detalhe que interessa a quem acompanha risco corporativo no Brasil não está no número de aprovadas. Está no que passou a ser medido. A CGU lançou o regulamento desta edição em 15 de abril de 2025, com revisão de requisitos e inclusão de critérios ligados à responsabilidade socioambiental e à defesa de direitos humanos. O formulário de perfil passou a ter 108 questões e o de conformidade, 223 itens, um acréscimo de 79 perguntas em relação ao ciclo 2022/2023, segundo o secretário de Integridade Privada da CGU, Marcelo Pontes Vianna. A análise cobre dez áreas temáticas e só aprova quem atinge 70% da pontuação total e ao menos 45% em cada área; as reprovadas permanecem sob confidencialidade.
A régua de admissibilidade também mudou de natureza. Para sequer ser avaliada, a empresa precisa estar fora do CEIS, do CNEP e da chamada lista suja do trabalho escravo, não responder a processo de responsabilização por corrupção nem estar sob monitoramento de acordo de leniência, e comprovar regularidade fiscal, trabalhista e ambiental perante o Ibama. Entre as novidades do ciclo está justamente a exigência da Certidão Negativa de Débitos do Ibama. Um passivo ambiental deixou de ser assunto de outro departamento e virou porta de entrada.
Para uma produtora de cloro e soda, isso não é detalhe burocrático. A Unipar opera quatro plantas: Cubatão e Santo André, em São Paulo, Camaçari, na Bahia, e Bahía Blanca, na Argentina. Em dezembro de 2025 concluiu a modernização de Cubatão. O investimento superou R$ 1 bilhão e substituiu integralmente as tecnologias de mercúrio e diafragma por células de membrana, migrando 210 mil toneladas equivalentes anuais para o método mais sustentável, em movimento alinhado à Convenção de Minamata. A troca reduz cerca de 70 mil toneladas de CO2 ante a base de 2020, resultado de uma queda aproximada de 40% no consumo específico de energia por tonelada de cloro. Parte da conta veio do BNDES: R$ 673 milhões, sendo R$ 400 milhões do Fundo Clima.
Dinheiro público carimbado para descarbonização exige contrapartida documental. É aí que compliance e desempenho ambiental deixam de correr em trilhos separados.
A companhia também abriu, em dezembro de 2024, sua primeira fábrica fora do Sudeste. A unidade de Camaçari tem capacidade instalada para 20 mil toneladas de cloro, 22 mil de soda cáustica, 23 mil de ácido clorídrico e 160 toneladas de hipoclorito de sódio por ano, voltada à demanda por saneamento básico e higiene no Nordeste. A Unipar fornece insumos para tratamento de água e esgoto, um mercado que o novo marco legal do saneamento empurra para cima ao longo desta década. Em 2023, a empresa aderiu ao Pacto Global da ONU e ao Movimento +Água, com compromissos de reduzir em 15% a intensidade do uso da água e alcançar ao menos 15% de reaproveitamento até 2030.
O selo anterior veio no ciclo 2022-2023. A Unipar recebeu o reconhecimento em 30 de novembro de 2023, em São Paulo, pelas mãos de Bruno Uchino, então presidente do Conselho de Administração. Como o Pró-Ética é bienal, "segunda vez consecutiva" significa dois ciclos seguidos de avaliação aprovada, não dois anos.
"Na Unipar, Ética e Credibilidade não são apenas valores, mas princípios que orientam nossas decisões e a forma como construímos relações de confiança", afirma Humberto Rapussi, head de auditoria interna, controles internos e compliance da companhia. Ele associa o resultado à consistência das práticas de governança e ao trabalho de manter o programa vivo entre um ciclo e outro.
Vale registrar o que o selo não faz. Ele não audita emissões, não mede consumo hídrico e não certifica desempenho ambiental. Avalia a maturidade do programa de integridade e, agora, verifica se a empresa tem estrutura para tratar riscos socioambientais e de direitos humanos dentro dessa arquitetura de controles. A distinção separa quem construiu governança de quem publicou relatório.
Na abertura da cerimônia, Vianna disse que o troféu representa responsabilidade permanente e que "ser íntegro vale a pena" do ponto de vista da perenidade e da lucratividade do negócio. O ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, foi mais direto sobre o deslocamento de escopo: para ele, responsabilidade ambiental, responsabilidade social e respeito aos direitos humanos passaram a ser dimensões essenciais na construção de empresas verdadeiramente íntegras.
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