Biodiversidade Ciência e Tecnologia Cultura Destaques Emergência Climática Meio Ambiente Oceano Segurança Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 10 de junho de 2026
Foto: Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Com experiências sensoriais, realidade virtual e dados inéditos sobre os impactos do aquecimento global no Brasil, mostra encerra sua itinerância na capital paulista
Três cidades e um público estimado de mais de 45 mil pessoas. Depois de passar por Belém, Rio e Salvador, a exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo” encerra sua itinerância pelo Brasil em São Paulo, onde fica em cartaz de 12 de junho a 02 de agosto, no Museu Catavento, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. A mostra imersiva gratuita idealizada pelo Projeto Coral Vivo transforma a emergência climática em uma experiência sensorial, educativa e acessível para públicos de todas as idades e convida o visitante a compreender de forma concreta como a ação humana alterou o equilíbrio do planeta e que é preciso agir agora para evitar cenários mais graves no futuro.
Criada em parceria com as redes Biomar e REDAGUA, com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, a mostra tem como principal objetivo aproximar ciência e sociedade. Coube ao Estúdio Bijari (que assina a direção de arte, expografia e comunicação visual), a missão de traduzir dados e pesquisas em experiências visuais e sensoriais que despertam emoção, reflexão e engajamento. A curadoria foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Coral Vivo e representantes do Departamento de Oceano e Gestão Costeira (DOCEANO/MMA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI), do Instituto Oceanográfico (IO/USP), da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI/UERJ), do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP/UFPA) e do Instituto Meros do Brasil.
“Esta exposição combina ciência e arte como forma de transmitir a todos o que é a emergência climática e suas consequências, buscando despertar uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um como parte da solução”, afirma Gregório Araújo, gerente de Projetos Ambientais da Petrobras."
Recentemente, o mais completo estudo já realizado sobre o branqueamento de corais no Brasil foi publicado na revista científica Coral Reefs e coordenado pelo Projeto Coral Vivo, em parceria com o Instituto Coral Vivo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o ICMBio e 20 instituições nacionais e internacionais. A pesquisa monitorou a saúde dos recifes em 18 pontos, ao longo de nove estados e mais de quatro mil quilômetros do litoral brasileiro, e revelou impactos extremos em 2024: em Maragogi (AL), até 96% dos corais apresentaram branqueamento e 88% morreram, enquanto nas regiões de Salvador para o sul, como Rio de Janeiro e São Paulo, as ondas de calor foram menos intensas. “No Arquipélago de Alcatrazes, que fica ao largo de São Sebastião, no litoral paulista, os dados mostraram que a região tem sido a mais resiliente em todo o Brasil ao branqueamento”, destaca Miguel Mies, coordenador de pesquisa do Coral Vivo.
No total, 36% dos corais avaliados apresentaram algum grau de branqueamento. Espécies tridimensionais, como o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-vela (Mussismilia harttii), foram as mais afetadas, comprometendo a complexidade dos recifes e, consequentemente, a pesca e a renda de comunidades costeiras.
Da pesquisa científica a experiência imersiva - Logo na entrada, o visitante encontra a instalação de projeção mapeada “Terra Planeta Especial”, onde são apresentadas características e fenômenos responsáveis pelos diferentes climas presentes em nosso planeta, assim como pela conectividade entre as diversas regiões da Terra. Neste primeiro momento, o percurso apresenta os fundamentos das mudanças climáticas por meio de videografismos, infográficos, animações e projeções que explicam conceitos como efeito estufa, aquecimento global, conectividade entre ecossistemas e a relação direta entre oceano e clima.
No segundo momento, a mostra aprofunda as causas e consequências da crise climática. A videowall “Eventos Extremos”, com imagens de queimadas, secas e inundações e outros fenômenos relacionados ao clima, introduz a narrativa e dimensiona a urgência do tema. Instalações e painéis abordam desmatamento, consumo insustentável, desigualdades sociais e justiça climática. Boias suspensas exibem números e projeções, inclusive sobre a elevação do nível do mar e o risco de desaparecimento de praias até 2100, ampliando a dimensão de urgência. É também nessa etapa que o público encontra três aquários-esculturas que representam corais em diferentes estados _ saudável, em desequilíbrio e branqueado, recurso visual que torna tangível o impacto da crise sobre os ecossistemas marinhos.
Um dos destaques da experiência é o mergulho virtual com óculos de realidade virtual 360° com imagens de Abrolhos, que abriga a maior biodiversidade marinha e o mais extenso recife de corais do Atlântico Sul, sendo crucial para a conservação global. Primeiro, o visitante contempla a beleza de um recife saudável, depois, entra em contato com dados de monitoramento coordenados pelo Coral Vivo sobre o impacto e a mortalidade de corais no Brasil em 2024 e 2025. Esse contraste entre encantamento e alerta está no centro da concepção da mostra e ajuda a transformar um problema que muitas vezes parece abstrato em percepção concreta de risco.
A etapa final é propositiva. Em vez de encerrar a experiência apenas no diagnóstico, a exposição apresenta caminhos possíveis para enfrentamento da crise, com foco em conservação, restauração ecológica, participação cidadã e transição energética. Um mapa-múndi coberto por musgo vivo simboliza um planeta ainda pulsante, resistente e frágil ao mesmo tempo. A chamada “estufa viva”, com 500 mudas de restauração florestal, reforça a ideia de esperança concreta. O módulo final responde diretamente à pergunta “O que eu posso fazer?”, com sugestões práticas de ação individual e coletiva.
Sobre o Museu Catavento: O Museu Catavento, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, administrada pela Organização Social Catavento Cultural e Educacional, é o museu de ciências mais visitado da capital paulista. Desde sua inauguração em 2009, destaca-se por combinar conhecimento e diversão, oferecendo mais de 200 instalações interativas que exploram temas científicos de maneira envolvente. Localizado no histórico Palácio das Indústrias, o museu é dividido em quatro grandes áreas: Universo, Vida, Engenho e Sociedade, proporcionando uma experiência educativa acessível para todas as idades. Em 17 anos, o Museu Catavento se consolidou como referência em cultura, ciência e tecnologia, cumprindo sua missão de estimular a curiosidade e o aprendizado. Desde sua inauguração, em 2009, recebeu mais de 8 milhões de visitas.
Sobre o Projeto Coral Vivo: O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.
Serviço
Exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo”
Local: Museu Catavento (Avenida Mercúrio, s/n. Parque Dom Pedro II, Centro
São Paulo – SP
Data: 12 de junho a 02 de agosto de 2026
Horários: terça a domingo, de 9h às 17h.
Entrada: Inteira - R$ 20, Meia - R$10. Gratuita às terças-feiras
Classificação: livre
Duração média da visita: 45 minutos
Hashtag oficial: #OClimaMudaTudo
Instagram: @projetocoralvivo
Agendamento de grupos e monitoria: https://megapass.com.br/eventos/ingresso-museu-catavento
Ultraprocessados reescrevem o DNA — e passam para os filhos
247 espelhos no sertão: como o Nordeste virou laboratório do futuro da energia
A memória do gelo: o que um milhão de anos revelam sobre o colapso antártico