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LUMISPHERE EXPERIENCE™ — Quando imaginar o futuro se torna um ato de esperança coletiva

Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2025

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Lumisphere Experience™: imaginar não é fugir da realidade — é começar a transformá-la - Foto: The Lumisphere Experience/Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

No Museu do Amanhã, instalação imersiva Visions2030 transforma medo climático em imaginação ativa e dá início a um novo ciclo de participação social rumo à COP30

Na Praça Mauá, de frente para a Baía de Guanabara, ergue-se um conjunto de domos translúcidos que parecem respirar. Trata-se da The Lumisphere Experience™, uma instalação imersiva criada pela Visions2030 em parceria com o estúdio de mídia sensorial Minds Over Matter e apresentada no Brasil como parte da Ocupação Esquenta COP do Museu do Amanhã.

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Longe de ser apenas uma vivência estética, a LUMISPHERE EXPERIENCE™ — Quando imaginar o futuro se torna um ato de esperança coletiva convida o público — especialmente neste encontro exclusivo com a imprensa — a responder a uma pergunta decisiva para o século XXI:

Como você quer que seja o futuro?

A partir dessa provocação, a experiência propõe uma virada de paradigma: imaginar deixa de ser fuga e passa a ser estratégia de sobrevivência planetária.

Na noite de apresentação dedicada à mídia, conversamos com Carey Lovelace, fundadora da Visions2030; Elizabeth Thompson, diretora executiva da iniciativa; e Fábio Scarano, curador do Museu do Amanhã e presidente da Cátedra UNESCO para o Bem-Estar Planetário, sobre o potencial transformador da imaginação na agenda climática e sobre os resultados iniciais do Censo do Futuro, pesquisa inédita realizada pelo Institute for the Future (IFTF).

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Carey Lovelace — Fundadora da Visions2030

De onde surgiu a ideia de criar a Lumisphere Experience™?

A Visions2030 acredita em “viver na solução”. (As pessoas frequentemente “vivem no problema” — focando nos medos.) Atletas visualizam resultados positivos antes de uma corrida para competir melhor. Então, por que não visualizar resultados positivos para nós mesmos e para o nosso mundo?
Mas, especificamente, a Lumisphere surgiu a partir de um grande evento realizado no campus do CalArts em 2023, com foco em “eco-consciência”. Notei que, sempre que o assunto se voltava para o clima, as pessoas meio que desmoronavam, ficavam presas em pensamentos catastróficos — ursos polares em gelo derretendo, incêndios florestais, tudo isso. E minha sensação é: se nossa consciência está imersa em desastres, talvez acabemos criando mais desastres.
Venho de uma época em que as pessoas acreditavam que podiam mudar o mundo — em parte porque estávamos cercados por imagens de um futuro melhor.

A instalação propõe uma “ecologia da imaginação”. O que isso significa em termos práticos?

 “Ecologia da imaginação”: que termo interessante! Nunca usei isso. Talvez eu o adote!

Como o Brasil foi escolhido para sediar essa experiência em plena COP30?

 Bem, antes de tudo — a COP30 foi, de fato, um fator importante nessa decisão de vir ao Rio. Mas também acreditamos que o mundo inteiro está contido no Brasil, e que sua importância para o futuro será ainda maior daqui a cinco anos.
Neste país, há uma sensibilidade em relação ao clima e à ecologia — entrelaçada com uma conexão profunda com o mundo natural, o oceano e as praias, uma proximidade com a perspectiva indígena, o poder crucial da Amazônia. Os jardins notáveis de Burle Marx, que foram o ponto de partida da arquitetura paisagística.
O Brasil é o futuro, prestes a nascer. Se fosse preciso escolher um país para iniciar um esforço tão importante, você iria querer estar no Brasil. Em cinco anos, queremos olhar para trás e dizer: fizemos isso, alcançamos centenas de milhões de pessoas e contribuímos para ajudar na questão climática no mundo.

É possível medir o impacto da esperança?

Os cientistas descobriram que o otimismo aumenta a expectativa de vida. Seria um estudo interessante investigar se perspectivas e atitudes têm efeito sobre os resultados — até mesmo sobre o próprio mundo, além da longevidade.
Nosso objetivo não é necessariamente criar “esperança”. Ao vivenciar a Lumisphere, as pessoas devem se sentir livres para ter qualquer sentimento que desejarem. Nosso propósito é ajudar as pessoas a visualizar um caminho à frente — para si mesmas e para o mundo — em direção aos seus desejos, o que é uma ferramenta extremamente poderosa. E um efeito colateral positivo disso parece ser sentir-se mais esperançoso e fortalecido.

Elizabeth Thompson — Diretora Executiva da Visions2030

O que você aprendeu com as respostas dos brasileiros no “Censo do Futuro”?  

Como parte do projeto, podemos coletar insights sobre o que os brasileiros desejam para o futuro. Ao final da instalação, poderemos apresentar ao povo do Rio uma espécie de “autorretrato” – extraído de sua imaginação profunda e expresso de uma maneira única – refletindo suas esperanças e sonhos para o mundo que desejam.

Até agora, por exemplo, descobrimos que a renaturalização e a reciclagem são as soluções mais frequentemente mencionadas pelos visitantes para melhorar o mundo, enquanto a energia de fusão foi a menos citada. A gestão indígena também apareceu entre as soluções mais valorizadas, ficando à frente de alternativas como inteligência artificial, transporte elétrico e energia eólica.

Quais emoções prevalecem hoje: medo, esperança, apatia ou engajamento?

É uma combinação complexa dessas emoções que a maioria das pessoas carrega atualmente. Por um lado, o medo em relação ao futuro gera comportamentos que podem parecer apatia, mas, na verdade, psicólogos climáticos e cientistas sociais reconhecem que esse comportamento muitas vezes está ligado a sentimentos de sobrecarga e tristeza diante do estado atual do mundo. Também há diversas pesquisas que mostram que o antídoto para esse “bloqueio” e para a ansiedade em relação ao futuro é agir de alguma forma. Essa ação leva à esperança.

A Experiência Lumisphere foi concebida para encontrar as pessoas exatamente onde elas estão emocionalmente, reconhecendo o medo e o bloqueio que todos sentimos. Com estímulos sutis e o poder da beleza e do cuidado, os visitantes são convidados a abrir sua imaginação para visualizar algo diferente do mundo que habitam em seu coração e mente. Essa proposta, como observamos, ajuda as pessoas a considerar novos caminhos para o engajamento em suas próprias vidas e no mundo ao seu redor.

Como essa pesquisa pode orientar políticas públicas ou ações corporativas?

Estamos ansiosos para apresentar a líderes e partes interessadas em comunidades o nosso Census on the Future (Censo do Futuro), elaborado a partir de uma abordagem muito diferente de engajamento cidadão em questões climáticas e outros temas relacionados ao futuro. As percepções trazidas pelo relatório podem ser usadas para aprimorar as abordagens atuais e, talvez, transformar como o engajamento de políticas e empresas com as comunidades é pensado.

Fábio Scarano — Curador do Museu do Amanhã e Presidente da Cátedra UNESCO para o Bem-Estar Planetário

Como o Museu do Amanhã tem se posicionado como laboratório de futuros sustentáveis?

    O Museu do Amanhã hospeda e coordena a única Cátedra Unesco existente em museus e que se volta para o tema da Alfabetização em Futuros. A Unesco enxerga um imenso valor estratégico nesse tema, ao constatar que na contemporaneidade o "presente coloniza o futuro", ou seja, temos muita dificuldade em imaginar futuros diferentes do presente. Já aplicamos a metodologia chamada "Laboratório de Alfabetização em Futuros" em grupos variados, em territórios que vão da Amazônia ao sul do Brasil, e também em instituições em Londres e Paris. Mais de 1200 pessoas já foram alcançadas por essa prática. O tema da sustentabilidade está sempre presente nesses exercícios. Além disso, temos um grupo de pesquisa científica que também se debruça sobre o tema e tais estudos têm alimentado exposições que fazemos no museu, como a exposição "Oceano: O Mundo é um Arquipélago", que iremos inaugurar em 17/12/2025, no nosso aniversário de 10 anos.

    O que a arte tem que a ciência sozinha não consegue oferecer à transição ecológica?

     A ciência informa a décadas sobre a necessidade de uma transição ecológica diante das evidências acerca da crise climática, de biodiversidade e humanitária que assola o planeta. Estados, empresas e a maioria das pessoas têm acesso a essa informação e dados, mas ainda assim, todo ano quebramos recordes de emissão de gases estufa, aceleramos a perda de espécies e não diminuímos as desigualdades socioeconômicas do planeta. Logo, entender só não basta para levar à ação transformadora. É preciso sentir. A arte, desta forma, é um grande veículo de conscientização sobre o estado do planeta, pois ao nos fazer sentir, nos leva à ação reparadora.

    Você acredita que a COP30 pode ser a “COP da imaginação”?

    Eu adoraria que sim, pois creio que a matriz do estado de policrise planetário é a crise da imaginação. Uma vez que, pela primeira vez, uma COP do clima está sendo sediada na Amazônia, torço para que diplomatas e o mundo em geral percebam que as diversidades natural e cultural andam de mãos dadas e são interdependentes. Mais que isso, essa mesma diversidade biocultural tão própria da Amazônia indica que existem modos de vida alternativos ao modo moderno - baseado em produtividade, velocidade e desempenho como medidas de sucesso - que é justamente o que trouxe o planeta ao estado preocupante em que se encontra.

    Quando o futuro cabe em nós

    A Lumisphere Experience™ não oferece um roteiro pronto. Ela oferece uma virada de chave: o futuro não é algo a temer, mas a imaginar.

    O Brasil, em plena COP30, envia uma mensagem poderosa ao planeta:

    não há transição climática sem transição imaginária.

    Saindo dos domos iluminados, fica uma certeza macia e radical:
    se somos capazes de imaginar outros mundos, somos capazes de criá-los.

    SERVIÇO

    Exposição: The Lumisphere Experience™ — Visions2030
    Local: Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1, Rio de Janeiro
    Visitação: até dezembro de 2025 - Evento gratuito
    Informações: museudoamanha.org.br | visions2030.studio

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