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Escrito por Dra. Marcela Baraldi | 26 de fevereiro de 2026
Beleza responsável começa quando menos produtos significam mais consciência — e cada escolha de cuidado também cuida do planeta - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Neo Mondo
POR - DRA. MARCELA BARALDI
Da rotina de dez passos ao essencial — e o que essa mudança diz sobre nós
Por décadas, a indústria da beleza nos ensinou que mais é sempre melhor — mais produtos, mais embalagens, mais promessas. Hoje, algo está mudando, e não de forma barulhenta. É uma mudança silenciosa, quase discreta, mas que vai fundo: estamos saindo da beleza aspiracional, aquela que empurra um ideal inatingível, para abraçar uma beleza responsável, onde autenticidade e impacto positivo passam a valer mais do que qualquer lançamento.
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Não é sobre abrir mão do prazer de se cuidar. É sobre fazer isso de forma mais inteligente, mais intencional — e com menos. O minimalismo se infiltrou nas rotinas de beleza e redefiniu o que é luxo e o que é essencial. Quem acompanha o mercado de perto percebe que essa não é uma tendência passageira. É a maturidade de um setor que finalmente começa a conversar com os valores de quem o sustenta.
O skinimalism — fusão de skin e minimalism — é talvez o sintoma mais visível dessa virada. A ideia é simples: pare de sobrecarregar a pele. Um bom limpador, um hidratante eficaz, protetor solar e, quando necessário, um sérum com ativos concentrados. Nada mais. Essa abordagem não apenas economiza tempo e dinheiro; ela reduz o impacto ambiental de forma concreta, diminuindo o consumo de embalagens e a geração de resíduos.
Há algo de rebelde nesse movimento. Ele é uma resposta direta à cultura do excesso de lançamentos, à fadiga das rotinas de dez passos que mais confundem do que ajudam. A Geração Z lidera essa exigência por transparência, por ingredientes que entregam o que prometem sem enganar a pele nem o planeta. É uma estética que valoriza saúde e funcionalidade — e que celebra a imperfeição como parte do que é real.
A classe AB está no centro dessa transformação, e isso importa. Se antes o luxo na beleza era sinônimo de embalagens ostensivas e ingredientes exóticos, em 2026 o verdadeiro prestígio é outro: transparência, ciência por trás da formulação e performance ética. Consumidores de alto poder aquisitivo não querem apenas um produto eficaz — querem um produto alinhado com seus valores.
Embalagens refiláveis, ingredientes com origem rastreável, marcas com propósito claro: isso virou um novo padrão de prestígio. Não se trata de gastar menos, mas de gastar melhor. Quando a classe AB abraça o consumo consciente, ela envia um sinal inequívoco ao mercado — a sustentabilidade deixou de ser nicho e se tornou exigência. É um luxo que não ostenta. Mas que inspira.
O autocuidado se expande. Já não cabe mais dentro de um pote de creme — ele abrange bem-estar mental, emocional, a relação com o próprio corpo e com o mundo. As marcas que entenderam essa dinâmica estão construindo relevância cultural de verdade, posicionando-se como parceiras de uma jornada, não como fornecedoras de produtos. Há uma diferença enorme entre as duas coisas.
A beleza responsável não aceita promessas vazias. Exige ciência, exige coerência, exige que cada escolha — de ingrediente, de embalagem, de discurso — faça sentido dentro de um compromisso maior. É uma beleza que nos convida a consumir menos e a viver mais. E que nos lembra, o tempo todo, que somos parte de algo muito maior do que qualquer rotina de skincare.
Dra Marcela Baraldi, Médica Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cadastrada no corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e consultório particular – CRM: 151733 / RQE: 66127. Colunista de Neo Mondo.

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