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COP30 — Dia 8: A Carta de Belém, microplásticos em nossos alimentos e o oceano como potência de captura de carbono

Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2025

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A COP30 trouxe hoje um avanço decisivo na agenda oceânica - O plástico não está apenas no mar. Ele já está no nosso prato - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

foto do logo da cop30

No oitavo dia da conferência, Alexander Turra traz urgência e esperança: da pesca como aliada do clima à ameaça dos microplásticos em mexilhões, ostras e sururus na costa brasileira

Hoje, diante do já familiar Pavilhão do Oceano — apoiado pela FAPESP e cada dia mais vivo na arquitetura política da COP30 — Alexander Turra abriu seu boletim com uma frase que captou tudo o que viria a seguir:

“Esse é um boletim para entendermos o que está acontecendo aqui na COP30 em relação ao oceano — e hoje tivemos pautas urgentes.”

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E urgência foi mesmo a palavra do dia.
Da pesca e aquicultura como aliadas no combate à crise climática, passando pela descoberta alarmante de microplásticos retidos em organismos que chegam à nossa mesa, até as estratégias globais de captura de carbono e bombagem biológica operadas pelo oceano — o oitavo dia foi um mergulho fundo no que o mar tem revelado e no que o mundo precisa decidir rapidamente.

A Carta de Belém: pesca e aquicultura como aliadas da ação climática

O dia começou com o lançamento oficial da Carta de Belém, um documento elaborado após consulta internacional ampla que reposiciona a pesca e a aquicultura como vetores importantes de adaptação e mitigação climática.

Turra relatou que quem conduziu o lançamento foi o ex-ministro e professor Altemir Gregolim, que reforçou a centralidade desses setores para:

🔹 segurança alimentar;
🔹 geração de renda e inclusão socioambiental;
🔹 uso sustentável de recursos;
🔹 valorização de comunidades tradicionais e da pesca artesanal;
🔹 produção de proteína com menor impacto climático.

E Turra reforçou, quase surpreso, quase orgulhoso:

“Quem diria, né? A pesca e a aquicultura como aliadas no combate às mudanças do clima.”

Parcerias e Inovação no Pavilhão dos ODS

Na sequência, Turra acompanhou uma atividade no Pavilhão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com moderação do professor Masanori Kobayashi, debatendo:

✨ inovação,
✨ comunicação,
✨ parcerias,
✨ economia sustentável do oceano.

Foi mais uma peça importante do quebra-cabeça que esta COP montou: não existe futuro climático sem uma economia azul forte, inclusiva e inovadora.

“As mudanças do clima também trazem oportunidades para o desenvolvimento da economia sustentável do oceano”, afirmou Turra.

Microplásticos em mexilhões, ostras e sururus: um alerta de segurança alimentar

Talvez o trecho mais alarmante do dia tenha vindo do lançamento de um relatório da iniciativa Voz dos Oceanos em parceria com a Cátedra Unesco, apresentando resultados de amostragens de microplásticos em espécies consumidas pela população brasileira: mexilhões, ostras e sururus.

Participaram da expedição e do painel:

  • Heloísa Schirrmann
  • Alê Moreno
  • Alexander Turra
  • (entre outras pesquisadoras e pesquisadores que participaram da expedição e contribuíram com a investigação ao longo da costa brasileira.)

Os resultados são preocupantes: organismos filtradores já acumulam microplásticos em seus corpos, o que mostra que o plástico não está apenas no mar, mas também já faz parte das nossas cadeias alimentares.

Turra resumiu com precisão:

“Temos um problema de segurança alimentar. E isso precisa ser considerado com urgência.”

E reforçou que animais marinhos já afetados por outros estressores — como acidificação, aquecimento das águas e poluição química — têm sua capacidade de resistência reduzida diante de mais esse impacto.

No Pavilhão da China: o oceano como força de captura natural de carbono

O dia encerrou com uma discussão no Pavilhão da China, debatendo o papel do oceano em estratégias de saldo negativo de carbono no futuro.

Foi abordada a chamada bomba biológica do carbono, processo em que o fitoplâncton captura CO₂ por fotossíntese e o direciona para o fundo marinho, estocando carbono em escala planetária.

Estratégias avaliadas:

🔹 redução de emissões;
🔹 ampliação de captura natural;
🔹 restauração de habitats marinhos;
🔹 soluções baseadas na natureza.

O oceano, mais uma vez, se revela o que sempre foi: um aliado insubstituível.

Amanhã tem mais — porque mudar o clima é também mudar o nosso vínculo com o mar

Antes de encerrar, Turra fez um convite quase íntimo aos brasileiros e a quem acompanha a cobertura:

“Vem comigo e a gente fala um pouco mais da importância do oceano nessa discussão da mudança do clima.”

E nós, do Neo Mondo, seguiremos aqui — ouvindo, traduzindo, publicando e convocando.

Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”

A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

foto de alexander turra, “COP30 deve pactuar sequestro de carbono em florestas e no oceano”, afirma Alexander Turra
Alexander Turra - Foto: Divulgação

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

logo da cátedra do oceano, na cop30

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