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Escrito por Neo Mondo | 25 de fevereiro de 2026
Neoenergia no horizonte: a transição energética ganha escala real - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
A empresa brasileira de energia prova que é possível crescer, lucrar e ainda cuidar do planeta — e os números não deixam mentir
Tem uma certa ironia poética no fato de que uma das empresas mais reconhecidas globalmente por sustentabilidade seja justamente uma distribuidora de energia elétrica — setor historicamente associado a impactos ambientais, tensões com comunidades e infraestrutura pesada. A Neoenergia virou esse jogo de cabeça para baixo, e 2026 chegou com uma coleção de reconhecimentos que colocam a companhia brasileira em conversas que antes eram dominadas por gigantes europeus e asiáticas do setor verde.
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A conquista mais recente é o chamado double A no CDP — organização britânica sem fins lucrativos que funciona como uma espécie de tribunal da transparência ambiental corporativa. A Neoenergia entrou pela primeira vez na A List de Água e foi reconhecida pelo segundo ano consecutivo na A List de Clima. Para quem não é familiarizado com o ecossistema ESG, chegar na A List do CDP é como ganhar uma Palma de Ouro em Cannes — pouquíssimas empresas chegam lá, e chegar em duas categorias ao mesmo tempo coloca a Neoenergia em um grupo muito restrito no mundo.
O CDP avalia empresas a partir de critérios rigorosos de governança ambiental, gestão de riscos climáticos, emissões de carbono e uso responsável de recursos hídricos. Não é uma pesquisa de opinião nem um prêmio de marketing. É auditoria de verdade, com metodologia independente e dados verificáveis. Ser reconhecida na A List de Clima pelo segundo ano seguido já seria suficiente para colocar qualquer empresa no radar internacional. Mas estrear na A List de Água revela algo mais profundo: a Neoenergia não está apenas respondendo à crise climática pela porta da frente — ela está cuidando dos bastidores do sistema. A gestão hídrica é um dos pontos cegos da transição energética. Afinal, a geração de energia, inclusive a limpa, depende fortemente de recursos hídricos, e o Brasil, com sua matriz predominantemente hidrelétrica, sabe disso melhor do que ninguém.
Além do CDP, a Neoenergia foi incluída pelo sétimo ano consecutivo no Sustainability Yearbook 2026, da S&P Global. Nessa edição, mais de 9 mil empresas foram avaliadas e apenas 9% conseguiram uma vaga. A metodologia utilizada, o Corporate Sustainability Assessment (CSA), é respeitada justamente porque não separa sustentabilidade de estratégia de negócio — ela conecta as duas coisas e compara empresas por critérios econômicos, ambientais e sociais específicos para cada setor. Quando a S&P Global coloca uma empresa no Yearbook por sete anos seguidos, está dizendo que sustentabilidade e performance financeira podem andar juntas, e que a Neoenergia está provando isso na prática.
No Clean200 — ranking elaborado pela As You Sow e pela Corporate Knights que seleciona as 200 empresas com maior geração de receita sustentável entre mais de 8 mil avaliadas —, a companhia ocupa o segundo lugar entre as utilities de capital aberto do mundo inteiro. Na lista geral, subiu 14 posições em relação ao ano anterior, chegando à 28ª colocação. O Clean200 usa a Taxonomia de Economia Sustentável da Corporate Knights, bastante criteriosa em distinguir o que de fato é receita sustentável do que é apenas greenwashing bem embrulhado. Subir 14 posições em um ranking desse calibre não é coincidência — é resultado de investimento real em infraestrutura de energia limpa.
Eduardo Capelastegui, CEO da Neoenergia, usou uma expressão que merece atenção ao comentar os reconhecimentos. "Receber o reconhecimento como a segunda empresa mais sustentável da América Latina reflete um trabalho consistente de longo prazo, que integra sustentabilidade, inovação e geração de valor para a sociedade em nossas ações. Seguiremos nesse caminho, especialmente na eletrificação da economia, movimento que a Neoenergia tem buscado o protagonismo no Brasil e é fundamental para acelerar a descarbonização e promover um futuro mais sustentável", afirmou o executivo. A expressão eletrificação da economia merece atenção. Num cenário em que o Brasil ainda debate os rumos da sua política energética, a Neoenergia parece ter escolhido um lado — e apostado pesado nele. Eletrificar a economia, desde o transporte até a indústria, exige infraestrutura, inovação e disposição para operar em territórios ainda não mapeados pelo mercado. É uma aposta de longo prazo que, pelos reconhecimentos acumulados, parece estar sendo feita com seriedade.

Num mundo em que o greenwashing virou prática quase corriqueira, cada certificação, ranking e inclusão em listas como essas precisa ser lida com senso crítico. O que diferencia o caso da Neoenergia é a recorrência e a diversidade dos reconhecimentos — CDP, S&P Global, Corporate Knights e B3. Não são iniciativas que compartilham metodologia ou patrocinadores. São olhares independentes apontando para o mesmo lugar. E o impacto social disso vai além do balanço da empresa: a Neoenergia atende milhões de brasileiros, e uma distribuidora de energia que leva a sério a gestão hídrica, a descarbonização e a transparência ambiental está, na prática, moldando a qualidade de vida de populações inteiras — especialmente as mais vulneráveis, que dependem de energia acessível e de um ambiente natural preservado para sobreviver. O debate sobre sustentabilidade corporativa ainda tem muito chão pela frente no Brasil, mas histórias como essa são o tipo de referência concreta que o país precisa para mostrar que a transição energética não é utopia — é agenda de negócio, é política pública e, cada vez mais, é vantagem competitiva real no cenário global.
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