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Escrito por Neo Mondo | 19 de fevereiro de 2026
Minerais críticos em campo: a nova corrida pela transição energética começa no chão das minas — onde decisões sobre extração responsável já definem o futuro da economia de baixo carbono - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Corrida global por lítio, cobre e terras raras acelera a eletrificação, mas expõe novos riscos socioambientais e tensões geopolíticas
A transição energética global está avançando — mas não sobre turbinas e painéis solares apenas. No subsolo do planeta, uma disputa silenciosa ganha intensidade e começa a redefinir alianças econômicas, estratégias industriais e zonas de influência.
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No centro desse movimento estão os chamados minerais críticos — como lítio, cobre, níquel, grafite e terras raras — insumos essenciais para baterias, redes elétricas, veículos elétricos e tecnologias de energia limpa.
A ironia é evidente: para descarbonizar a economia, o mundo depende cada vez mais da mineração.
E o equilíbrio desse novo tabuleiro ainda está longe de se estabilizar.
Projeções de organismos internacionais indicam que a demanda por minerais ligados à transição energética deve crescer de forma exponencial nas próximas décadas.
Os vetores são claros:
O cobre, por exemplo, tornou-se peça-chave da infraestrutura elétrica, enquanto o lítio se consolida como o coração químico da mobilidade elétrica.
O que antes era um tema restrito à indústria extrativa agora ocupa espaço nas estratégias nacionais de segurança econômica.
A cadeia global de minerais críticos apresenta uma característica que preocupa governos: alta concentração geográfica.
Hoje, parte significativa da produção e do refino de minerais estratégicos está concentrada em poucos países, criando vulnerabilidades para economias altamente dependentes da transição energética.
Esse cenário já provoca movimentos claros:
Na prática, emerge uma nova camada da geopolítica energética — menos visível que o petróleo, mas potencialmente tão decisiva quanto.
O Brasil observa esse movimento a partir de uma posição ambivalente — e estratégica.
O país reúne reservas relevantes de minerais associados à transição energética, incluindo:
Essa base coloca o Brasil no radar de investidores e cadeias globais que buscam diversificação geográfica de suprimentos.
Mas há um ponto crítico: ter o recurso não garante capturar valor.
Especialistas apontam que o verdadeiro diferencial competitivo estará em:
Sem isso, o país corre o risco de repetir o padrão histórico de exportador primário.
À medida que a demanda por minerais críticos acelera, cresce também o escrutínio sobre os impactos socioambientais da nova mineração.
Os principais pontos de atenção incluem:
Expansão mineral em áreas de alta biodiversidade.
Relação com comunidades locais e povos tradicionais.
Processamento mineral intensivo em recursos.
Investidores exigem rastreabilidade e integridade.
Esse é o paradoxo central da transição: a corrida por soluções climáticas pode gerar novas frentes de pressão ambiental se não for bem governada.
No cenário pós-COP30, a pressão por cadeias produtivas de baixo carbono e alta integridade tende a se intensificar. Não basta mais produzir minerais críticos — será cada vez mais necessário provar origem responsável.
Grandes compradores globais já começam a exigir:
Isso abre uma janela estratégica para países que conseguirem combinar riqueza mineral + governança robusta.

A transição energética não será definida apenas por quem instala mais renováveis, mas também por quem controla — de forma responsável — os insumos que tornam essa transição possível.
No novo mapa de poder que se desenha, minerais críticos deixam de ser commodities discretas e passam a ocupar o centro da estratégia industrial e climática global.
Para o Brasil, a oportunidade é clara — mas o relógio geopolítico já está correndo.
A pergunta que começa a ganhar força nos círculos estratégicos é direta:
O país será protagonista da nova economia mineral limpa — ou apenas fornecedor do subsolo alheio?
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