Escrito por Neo Mondo | 5 de junho de 2019
Hoje o setor privado ocupa-se mais no desenvolvimento de novos produtos, como sementes, fertilizantes e máquinas. O setor público se concentra na geração de conhecimentos indispensáveis para o aprimoramento da produção, como a forma adequada de aplicação de insumos, o melhor espaçamento nas lavouras, boas práticas de plantio, manejo, colheita e armazenamento, mapeamento dos riscos e as boas práticas para superá-los, dentre muitos outros. Assim, parte significativa da produção da pesquisa pública é informação e conhecimento, que não materializados, necessariamente, em insumos e produtos, visíveis e facilmente mensuráveis.
Para produzir frutos ou grãos, uma semente precisa estar associada a conhecimentos como adubação, irrigação, manejo de solos, controle de pragas e doenças e assim por diante. Esse conjunto de conhecimentos faz parte de uma lógica de eficiência geralmente chamada de sistema de cultivo.
Parte muito significativa da produção da Embrapa não se cristaliza ou se materializa em insumos e produtos, e por isso pode não ser notada. Por exemplo: o Código Florestal incorporou grande volume de conhecimentos gerados pela Embrapa e sua implantação se beneficia de enorme volume de informações e conhecimentos gerados pela Empresa. O Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC) vai na mesma linha: incorpora quantidade significativa de informações e conhecimentos gerados pela Embrapa e ajuda o Brasil a cumprir as metas de mitigação de gases de efeito estufa.
Outro caso é o Zoneamento de Risco Climático (Zarc), que racionaliza a exploração agrícola no território nacional com grande impacto na política de crédito e seguro agrícola. A Embrapa desenvolveu o modelo que tem gerado significativo impacto na gestão de riscos na agricultura. Apenas em 2018 a economia estimada para o País pela adoção do Zarc foi de R$ 5,4 bilhões, maior do que o orçamento da Embrapa.
Novos espaçamentos e conhecimentos sobre solo e clima, seleção de insumos, práticas de manejo integrado de pragas e estudos de Inteligência Territorial Estratégica são alguns dentre os exemplos de conhecimentos gerados pela Empresa com impactos nos sistemas produtivos.
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