Agronegócio Destaques Diversidade e Inclusão Economia e Negócios

Marca de cooperativa quilombola é premiada no Brasil Design Award

Escrito por Neo Mondo | 29 de janeiro de 2021

Compartilhe:

Nova marca apresenta o trabalho de homens e mulheres na roça dos quilombos do Vale do Ribeira - Foto: Divulgação

POR - ISA (INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL) / NEO MONDO

 
Cooperquivale, no Vale do Ribeira (SP), distribui alimentos a famílias vulneráveis durante a pandemia
  A Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), que produz alimentos orgânicos no sudeste do estado de São Paulo, está de cara nova - e premiada. A identidade visual da cooperativa recebeu medalha de bronze na categoria design de marca para pequenas e médias empresas no Brasil Design Award, a maior premiação de design do país. O trabalho foi realizado pela Produtora do Leste, com sede em Londrina (PR), em parceria com os quilombolas e apoio do Instituto Socioambiental (ISA), “A marca nova, tão bonita, significa isso: nós da roça, que estamos trabalhando e lutando para a cooperativa crescer. Foi escolhida por nós mesmos e está bem na frente da sede da nossa cooperativa”, afirmou Rosana de Almeida, diretora financeira da Cooperquivale. O Brasil Design Awards acontece desde 2009, e é uma realização da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign). A premiação tem como objetivo reconhecer e destacar a capacidade criativa e inovadora do design na economia nacional. Clique e conheça os materiais produzidos com a Cooperquivale. “Acreditamos que o resultado desta criação fortalece a Cooperquivale enquanto prática e enquanto marca, bem como promove o aumento de renda de seus cooperados através da valorização da produção local, agora de cara nova”, disse Felipe Augusto Almeida de Oliveira, Diretor de Arte da Produtora do Leste. Desde o início da pandemia, a Cooperquivale organiza a produção e entrega emergencial de alimentos das roças quilombolas para famílias vulneráveis. Os produtos fazem parte do Sistema Agrícola Tradicional Quilombola, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial do Brasil. Saiba mais na reportagem da BBC Brasil. A distribuição de alimentos e a articulação com o poder público é uma resposta também emergencial para manter o escoamento da produção dos quilombos e a geração de renda para as comunidades, que viram suspensos seus contratos de entregas de produtos para a merenda escolar em virtude da pandemia.

Conheça o detalhe das ações no site Emergência Covid-19 do ISA.

Fundada em 2012, a Cooperquivale comercializa a produção excedente dos territórios quilombolas de forma justa e solidária. Hoje, a cooperativa congrega 19 comunidades quilombolas dos municípios de Jacupiranga, Eldorado, Iporanga e Itaóca, no Vale do Ribeira. São, ao todo, cerca de 240 cooperados. A cooperativa tem como principal estratégia a comercialização de mais de 78 alimentos da sua agrobiodiversidade para os programas de compras institucionais, como Programa de Aquisição de Alimentos na modalidade de Doação Simultânea (PAA-DS) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, ela tem trabalhado com uma feira semanal no município de Eldorado e entregas para vários institutos e iniciativas de comércio justo e solidário na capital paulista. No ano passado, com apoio de vários parceiros, a distribuição emergencial de alimentos chegou a redes de assistência social de cinco municípios paulistas, comunidades indígenas, caiçaras e associações comunitárias na periferia de São Paulo.

As ações emergenciais do ISA no Vale do Ribeira têm como parceiro institucional a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Urias Morato com o filho Eulisses Morato, num puxirão em sua roça de milho, Quilombo São Pedro

Compartilhe:


Artigos anteriores:

O acordo Mercosul-União Europeia já move comércio, mas sua parte ambiental segue em suspenso até 2027

Um ano depois do recorde, o Brasil queima e desmata menos — mas o mapa não muda

O preço do carbono sai do papel: como o SBCE vai dividir o país em dois mercados


Artigos relacionados