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Tecnologia sustentável criada por estudantes paranaenses propõe despoluição de lagos

Escrito por Neo Mondo | 16 de março de 2026

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Tecnologia como aliada da natureza: estudantes de Londrina apresentam o projeto Garden EcoFlut, sistema de jardins flutuantes com biofiltração natural que propõe uma solução sustentável para a recuperação de lagos urbanos - Foto: Divulgação

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Sistema modular utiliza plantas aquáticas e materiais reutilizados

Um projeto desenvolvido por estudantes do Ensino Médio em Londrina (PR) apresenta uma alternativa sustentável e de baixo custo para a despoluição de lagos urbanos. A proposta, chamada Garden EcoFlut, utiliza jardins flutuantes com sistema de biofiltração natural para melhorar a qualidade da água e restaurar ecossistemas aquáticos.

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O modelo consiste em módulos flutuantes de um metro quadrado, construídos com materiais reutilizados, como madeira e garrafas plásticas, reduzindo custos e impactos ambientais. A iniciativa foi criada pelos estudantes Gustavo Campos e Sofia Gastaldim, que começaram a desenvolver a ideia no 9º ano do Ensino Fundamental, em 2025, no Colégio Positivo – Londrina.

Em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente os de Vida na Água e de Energia Limpa e Acessível, a iniciativa oferece uma saída prática e eficiente para a limpeza da água. “A ideia foi inspirada em um problema enfrentado no Lago Igapó, que é um cartão postal de Londrina, mas pode ser replicada em outros locais da cidade e do mundo”, explica Sofia.

O projeto

A proposta consiste em criar estruturas flutuantes sustentáveis, feitas com materiais de baixo custo. Sobre essa base, os alunos projetaram um sistema de biofiltração em camadas, composto por argila expandida, areia, carvão ativado e plantas aquáticas, como aguapé, caniço, junco.

Cada camada desempenha um papel importante no processo de limpeza da água. A argila expandida retém partículas maiores e abriga microrganismos benéficos; a areia realiza a filtragem fina e reduz a turbidez; o carvão absorve poluentes dissolvidos e toxinas; e as plantas aquáticas completam o processo, absorvendo nutrientes e poluentes diretamente da água.

O resultado é um ciclo natural e contínuo de purificação, que melhora a qualidade da água, elimina odores e devolve a vitalidade ao ambiente. Além do impacto ambiental, o sistema inclui sensores para medir o pH, a temperatura e a oxigenação, permitindo acompanhar os resultados em tempo real e ampliar o potencial científico do projeto. “A ideia dos jardins flutuantes é sustentável, bonita e acessível. Pode ser aplicada em diferentes contextos e escalas, contribuindo para a recuperação de lagos e rios no mundo todo”, destacam os estudantes.

Estruturas semelhantes já eram utilizadas pela civilização asteca no século XIV, nas chamadas chinampas, usadas para cultivo agrícola em áreas alagadas. Alguns dos mais famosos jardins flutuantes atuais são o de Dal Lake, na Índia, e do rio Chicago, nos Estados Unidos.

O projeto Garden EcoFlut faz parte da pré-incubadora da instituição, ambiente de formação empreendedora que permite aos alunos percorrer todas as etapas da inovação, do diagnóstico à prototipagem e validação. Com a mentoria dos professores biólogos Juliana Coppi e João Danillo Soares, os estudantes estruturaram tecnicamente a proposta e testaram sua viabilidade.

A escola é atualmente a única instituição privada do Paraná credenciada pelo Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação (Separtec), voltado ao estímulo do protagonismo estudantil e da educação empreendedora. “Quando levamos ideias como essa para o ambiente educacional, mostramos aos estudantes que ciência, inovação e responsabilidade ambiental caminham juntas”, aponta a professora Juliana.

Cenário brasileiro

O Brasil possui um histórico preocupante no tratamento de água e saneamento básico. Segundo o estudo Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, ainda há aproximadamente 34 milhões de brasileiros que não acessam sistemas formais de água e mais de 90 milhões sem coleta e tratamento de esgotos (dados de 2023).

Outro problema é a água tratada perdida, ou seja, desperdiçada por vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. A água perdida poderia abastecer 54 milhões de brasileiros por um ano, de acordo com o Instituto.

Esforço que traz resultados

A iniciativa dos estudantes garantiu uma posição de destaque: o Garden EcoFlut foi vencedor do 2º Smart Cities Hackathon – edição Turismo Inteligente, realizado durante o Festival Internacional de Inovação de Londrina. A maratona reuniu 80 participantes, organizados em 23 equipes, a maioria formada por universitários. Com a conquista, os estudantes receberam incubação e aceleração em diversos ambientes, como UEL, IBM e PUC, além de mentorias, trilhas de capacitação e premiação de R$ 3 mil.

A equipe também já participou da final estadual do Desafio Liga Jovem 2025, a maior competição nacional de empreendedorismo e tecnologia estudantil, organizada pelo Sebrae. Agora, os estudantes foram aprovados na primeira etapa de seleção do Hackathon Smart Agro 2026, concurso de inovação e tecnologia na área da biotecnologia. A edição deste ano tem como tema “Transforme sua Pesquisa em uma Startup”.

foto do Garden EcoFlut, tecnologia desenvolvida por alunos do colégio positivo
A tecnologia do Garden EcoFlut, utiliza jardins flutuantes com sistema de biofiltração natural para melhorar a qualidade da água e restaurar ecossistemas aquáticos - Foto: Divulgação

“O Lago Igapó é um patrimônio da nossa cidade. Cuidar dele é cuidar de Londrina. Com o Garden EcoFlut, queremos mostrar que pequenas ideias podem gerar grandes transformações”, finalizam os estudantes.

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