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Carimbó na chegada, Círio no domingo: cinco dias em Salinópolis, onde a GAV ergueu 1.978 apartamentos no litoral amazônico

Escrito por Neo Mondo | 4 de novembro de 2026

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Carimbó na chegada e o Atlântico no horizonte, o complexo da GAV Hotéis e Resorts em Salinópolis reúne 1.978 apartamentos entre coqueirais e a costa de manguezais do Pará - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

Convidado pela GAV Hotéis e Resorts, passei de 24 a 29 de setembro no balneário paraense, onde comemorei meus 60 anos, ouvi o CEO Manoel Vicente Pereira Neto sobre saneamento e ocupação do solo e voltei para São Paulo com o som do curimbó na cabeça

A van saiu de Belém às 13h30 de uma quinta-feira, 24 de setembro, com 13 jornalistas de vários estados do Brasil. Às 18h, quando desci em Salinópolis, a primeira coisa que ouvi foi o tambor. Um grupo de carimbó tocava na recepção do Beach | GAV Hotéis e Resorts, o mais novo dos quatro resorts da empresa na cidade, e um drinque autoral chegou à minha mão antes que eu achasse o cartão do quarto. Fiquei cinco noites ali, a convite da GAV, para conhecer o complexo que a companhia montou no balneário mais famoso do Pará e entender o que acontece com uma cidade pequena quando ela vira destino de massa.

Com a saia florida aberta em roda, bailarina dança carimbó, ritmo paraense registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil em 2014, no Beach | GAV Hotéis e Resorts, em Salinópolis - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

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O carimbó tem certidão. Em 11 de setembro de 2014, o Conselho Consultivo do Iphan aprovou por unanimidade o registro do ritmo como Patrimônio Cultural do Brasil, depois de uma campanha que mestres e grupos do interior paraense começaram em 2005. Tocado no saguão de um prédio com 770 apartamentos, ele funciona como apresentação do Pará antes de qualquer formulário de check-in. E não ficou só na chegada: voltou na sexta-feira à noite, depois do jantar.

Às 20h, o grupo se sentou para o jantar de boas-vindas no restaurante do Beach. Era 24 de setembro, o dia em que eu completava 60 anos. No fim do jantar, os funcionários do resort vieram até a mesa cantando parabéns e trouxeram um bolo com o meu nome e uma vela com o número 60. Eu tinha chegado a Salinópolis duas horas antes. Me emocionei de verdade. Ali eu entendi o tipo de hospitalidade que encontraria nos dias seguintes: gente que presta atenção em você e transforma um detalhe em festa.

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Oscar Lopes e Eleni Lopes, conselheira do Neo Mondo, com o bolo de 60 anos oferecido pelos funcionários do Beach | GAV Hotéis e Resorts na noite de 24 de setembro, horas depois de o carimbó receber o grupo em Salinópolis - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

Salinópolis, que todo paraense chama de Salinas, tem 44.772 moradores, segundo o Censo 2022, espalhados em 226 km² na costa atlântica do nordeste do estado. A GAV reúne ali 1.978 apartamentos entregues, divididos entre Park, Exclusive, Premium e Beach. A conta é simples e dá a medida do que se construiu: há um apartamento de resort para cada 23 habitantes. A empresa diz ter investido mais de R$ 1 bilhão na cidade, entregou 3.765 lotes e mantém mais de 1.200 empregos diretos permanentes. Ela chama o conjunto de maior complexo turístico do Brasil. Os hóspedes chegam sobretudo de Belém, Manaus e São Luís, como registrou o jornalista Fabiano Antunes, do Rota 1976, que também viajou a convite da GAV.

O Beach abriu em 28 de junho de 2026. São duas torres, com quartos que vão do standard de 35 m², pensado para casais, aos duplex de 60 m² e a uma suíte presidencial de 150 m² para até seis pessoas. Todos têm minicozinha. Na sexta pela manhã, Ewerton conduziu o grupo por uma visita completa: piscina aquecida, piscina com toboágua, rio lento, spa, sauna, cinema, quadra de tênis, salão de jogos e brinquedoteca. A lista não dá conta do que se vê no alto. O rooftop e a academia ficam no 17º andar, de frente para o litoral, e foi lá que o grupo se reuniu às 17h para ver o sol baixar sobre Salinas. O céu foi mudando de cor em cima do Atlântico, e por alguns minutos ninguém quis estar em outro lugar. Teve algo de divino naquele fim de tarde. Todo mundo saiu do rooftop encantado.

foto da piscina com toboágua no gav resorts, remete a matéria Carimbó na chegada, Círio no domingo: cinco dias em Salinópolis, onde a GAV ergueu 1.978 apartamentos no litoral amazônico
Toboáguas coloridos e piscina entre as duas torres do Beach | GAV Hotéis e Resorts, o mais novo dos quatro resorts da empresa em Salinópolis, com 770 apartamentos - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

À noite, o chef Derikson montou a Noite Paraense no deck do restaurante, com um grupo de carimbó em seguida. Não encontrei garçom, motorista ou guia que respondesse a uma pergunta com pressa. A educação no Pará não tem nada de cerimonioso. Ela aparece no tempo que as pessoas gastam com você, como se a conversa valesse mais que a tarefa.

No sábado, o roteiro levou o grupo pelos outros três resorts, pelo HUB e pela horta da empresa. O Park, o mais antigo, tem piscinas de borda infinita e áreas de lazer pensadas para famílias. Em frente fica uma praça com praça de alimentação, área de convivência e personagens gigantes de cinema. O almoço foi feijoada. À tarde, saímos de quadriciclo pelas areias de Salinas. O jantar daquela noite, batizado de Aquarela de Emoções, aconteceu na varanda do restaurante do Park, com vista para a Arena GAV.

Jornalistas convidados pela GAV Hotéis e Resorts erguem os braços em fila de quadriciclos nas dunas de Salinópolis, na tarde de 26 de setembro - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

O domingo começou cedo e começou pela fé. Às 8h, acompanhamos a chegada da imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Salinópolis e a missa que veio em seguida, aberta a toda a cidade. Moradores de Salinas encheram o espaço ao lado dos jornalistas, e a fé daquela gente impressiona. Vi homens e mulheres chorando durante a celebração, com uma entrega que não se ensaia. Foi uma das experiências mais emocionantes da viagem, para mim e para quem estava ao meu lado. Faltavam duas semanas para a Grande Procissão do Círio em Belém, marcada para 11 de outubro, que a Diretoria da Festa de Nazaré estimava reunir 2,3 milhões de pessoas. O primeiro Círio saiu às ruas em 8 de setembro de 1793. Voltamos ao resort ao meio-dia para uma estação de açaí.

Fiéis erguem celulares para registrar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, com o manto bordado de rosas, na chegada a Salinópolis antes da missa aberta à cidade, em 27 de setembro - Foto: Eleni Lopes/Neo Mondo

Às 17h, no rooftop, Manoel Vicente Pereira Neto recebeu os jornalistas. A empresa que ele comanda mudou de nome em 2026, de GAV Resorts para GAV Hotéis e Resorts, e projeta faturar R$ 3,7 bilhões no ano. São 15 empreendimentos: oito em operação, entre Salinópolis, Muro Alto (PE), Pirenópolis (GO) e Gramado (RS), e sete lançados ou em obras, incluindo o Jeriquiá Dunas e o Jeriquiá Lagoa, em Cruz (CE), o Oikos Maragogi (AL), o Pipa Island (RN) e o Areya Barra (AL). Para 2026, a GAV reservou R$ 392 milhões à expansão do portfólio.

Levei três perguntas ao CEO. A primeira tratava do novo nome. Quem vende cota de multipropriedade se relaciona com o destino pelo tempo da obra e da venda. Quem opera hotel fica com a cidade por décadas. Manoel respondeu que a companhia sempre foi verticalizada, da incorporação à gestão hoteleira, e que essa escolha traz uma responsabilidade maior que a entrega do prédio. “Quando chegamos a um destino, passamos a fazer parte de sua dinâmica econômica, social e ambiental”, disse. Lembrou que a GAV nasceu no Pará e que Salinópolis concentra a história da empresa. Em junho, na inauguração do Beach, ele já tinha resumido essa relação: “Chegamos a Salinópolis antes mesmo do primeiro resort”.

Na coletiva de 27 de setembro, em Salinópolis, Manoel Vicente Pereira Neto, CEO da GAV Hotéis e Resorts, falou sobre saneamento, ocupação do solo e a projeção de faturar R$ 3,7 bilhões em 2026 - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

A segunda pergunta era a que mais me interessava. Em agosto, Manoel afirmou que todos os empreendimentos da GAV têm estação própria de tratamento de água e esgoto e que falta apoio do poder público ao saneamento. Isso coloca a empresa numa posição rara: ela opera, dentro dos muros, uma infraestrutura que a cidade ao redor ainda não tem. O CEO confirmou os sistemas próprios e listou o resto: reaproveitamento de água da chuva, reúso de efluentes tratados, biodigestores, eficiência energética e planos de gerenciamento de resíduos nas obras. Depois contou um episódio que não estava em nenhum release. A GAV pagou obras de saneamento e pavimentação em bairros residenciais vizinhos a um de seus resorts em Salinópolis, e a regularização dessas obras junto à prefeitura levou anos. Só avançou em 2026, com uma liminar. “Nosso maior objetivo é que o desenvolvimento turístico se traduza em mais infraestrutura, conforto e dignidade para a população local”, afirmou. Ele também deixou claro o limite: a experiência da empresa pode ajudar na conversa sobre boas práticas, mas o saneamento da cidade depende de estudos de viabilidade, de planejamento e dos órgãos públicos responsáveis pelo serviço. Não citou nenhuma negociação formal em curso com a prefeitura ou com o governo do Pará.

A terceira pergunta olhava para o mercado. Segundo a Caio Calfat Real Estate Consulting, a multipropriedade no Brasil soma 224 empreendimentos em 99 cidades de 18 estados, com valor geral de vendas potencial de R$ 100,5 bilhões. O volume já vendido subiu de R$ 53,3 bilhões para R$ 66,3 bilhões, e o estoque caiu de 42,5% para 34%. É um setor que amadureceu. No Jeriquiá Lagoa, a GAV vai ocupar 14% de um terreno de 56 mil m², diante da Lagoa do Paraíso e no entorno do Parque Nacional de Jericoacoara. Perguntei se esse índice virou regra da casa ou se foi exigência daquele licenciamento. “Não existe um percentual único que possa ser aplicado indistintamente a todos os destinos”, respondeu Manoel. O licenciamento do Jeriquiá Lagoa levou três anos, e o CEO atribuiu a taxa ao conjunto de condicionantes urbanísticas e ambientais do terreno, somado à decisão de integrar o resort à paisagem.

Na segunda-feira de manhã, a van nos deixou na marina e saímos de barco em dois grupos de dez. Do mar, Salinópolis mostra o que o rooftop esconde. A cidade fica na Costa de Manguezais de Macromaré da Amazônia, faixa de 7.591 km² entre o Pará e o Maranhão que o geólogo Pedro Walfir Souza Filho, da UFPA, descreveu em 2005 como o maior cinturão contínuo de manguezais do planeta. A maré ali sobe e desce vários metros por dia e alimenta um berçário de caranguejos, peixes e aves. Pelo levantamento do MapBiomas de 2020, 89% dos manguezais da costa amazônica estão dentro de unidades de conservação. A pesquisadora Sanae Hayashi, da UFRA, mapeou o que ameaça o restante: a maior parte das intervenções acontece fora das reservas, puxada pela expansão urbana e pela abertura de estradas. Mais turismo significa mais cidade, e é nesse ponto que a resposta sobre saneamento deixa de ser assunto de resort.

foto dos jornalistas no barco em meio as manguezais, remete a matéria Carimbó na chegada, Círio no domingo: cinco dias em Salinópolis, onde a GAV ergueu 1.978 apartamentos no litoral amazônico
Passeio de barco em Salinópolis leva jornalistas pela Costa de Manguezais de Macromaré da Amazônia, o maior cinturão contínuo de manguezais do planeta, em 28 de setembro - Foto: Divulgação/GAV Hotéis e Resorts

Depois do barco vieram as praias, percorridas de jardineira, os caminhões abertos em que o passeio é feito de pé, com o vento do Atlântico no rosto. À noite, o último jantar foi no rooftop do Beach. Na terça, às 8h, fiz o check-out, cinco dias depois de ter completado 60 anos em Salinas.

O jornalista Oscar Lopes viajou a convite da GAV Hotéis e Resorts.

Para ver Salinópolis em movimento, assista ao Rota 1976, programa do jornalista e amigo Fabiano Antunes, que também esteve no Pará a convite da GAV Hotéis e Resorts. O vídeo está logo abaixo.

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