Dia Mundial do Meio Ambiente e Oceano 2026

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Dia Mundial do
Meio Ambiente e Oceano 2026

Não é seca. É vazamento

Escrito por Neo Mondo | 5 de junho de 2026

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Seca não começa quando falta água nos reservatórios — começa quando desperdiçamos a água que já temos antes mesmo de ela chegar às pessoas - Foto: Divulgação

Produzido pelo NM Studio em parceria com a Amanco Wavin

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A cada seis segundos, o Brasil perde no subsolo um volume de água equivalente ao Cristo Redentor. Não é metáfora, é a medida literal de um colapso silencioso que ocorre dentro das tubulações enquanto o país debate reservatórios, chuvas e racionamento. Segundo o Estudo de Perdas de Água 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada se perdem anualmente nas redes de saneamento do Brasil — volume suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas durante um ano inteiro. Quatro em cada dez litros produzidos somem antes de chegar a qualquer torneira.

Esse número, registrado com base nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA, 2023), supera em mais de 15 pontos percentuais a meta estabelecida pela Portaria 490/2021, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A portaria define que municípios com perdas acima de 25% ficam inelegíveis para receber recursos federais, o que coloca boa parte das cidades brasileiras numa posição de vulnerabilidade regulatória e fiscal. Não é um problema setorial, é uma exposição ao risco que atravessa finanças públicas, segurança hídrica e política ambiental, sem linha divisória entre elas.

O Marco Legal do Saneamento, sancionado em julho de 2020 pela Lei Federal nº 14.026, estabeleceu metas claras: 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até dezembro de 2033. Passados cinco anos da legislação, o Instituto Trata Brasil projeta que, se for mantida a trajetória atual, o Brasil chegará a 2033 com apenas 88% de cobertura de abastecimento de água e 65% em esgotamento sanitário. A universalização plena, nesse cenário, só ocorreria em 2070. O intervalo entre o que a lei exige e o que a trajetória entrega é onde se concentra o risco real — não apenas ambiental, mas econômico e político.

É dentro desse intervalo que a engenharia hídrica precisa operar com outra lógica.

A Amanco Wavin, braço de soluções integradas de saneamento da Orbia, presente em mais de 100 países, opera desde 2021 um serviço que integra uma plataforma de monitoramento inteligente de redes de água e esgoto a uma central de monitoramento de engenharia apta a trabalhar em um modelo data driven, direcionando estrategicamente a operação das companhias de saneamento no combate as perdas.

O sistema não apenas detecta vazamentos: processa variações de pressão, identifica ligações clandestinas e mapeia riscos de contaminação em tempo real. Equipes técnicas podem, assim, atuar de forma preventiva antes que perdas pontuais se tornem rupturas sistêmicas.

Desde o lançamento, a solução evitou o desperdício de mais de 28 milhões de metros cúbicos de água — 28 bilhões de litros — em operações distribuídas por 14 municípios brasileiros e parcerias com dez companhias de saneamento, entre elas SANASA, Sanepar, Embasa, Aegea, Iguá e Sabesp. Esses números não são declarações de intenção e, sim, resultados com metodologia auditável.

O caso mais  repercutido é o da cidade de Campinas. Em parceria com a Microsoft e a SANASA, a Amanco Wavin monitora mais de 300 Distritos de Medição e Controle (DMCs) e, em 18 meses de operação, o projeto preservou mais de 1,3 bilhão de litros de água tratada. O índice de perdas na distribuição caiu para 15,2%, menos da metade da média nacional de 39,5% registrada pelo SINISA para o mesmo período. Campinas ocupa hoje uma posição singular no mapa hídrico brasileiro: é uma das poucas cidades de grande porte cujo índice de perdas está dentro dos limites que garantem elegibilidade a recursos federais, inclusive com margem.

O projeto prevê cobrir toda a cidade em dez anos, alcançando economia total de 18 milhões de metros cúbicos de água. A escala importa porque não é experimental: é o mesmo modelo que a Amanco Wavin têm expandido para o Peru, México e Colômbia.

Há ainda outra camada tecnológica que complementa as soluções: os Métodos Não Destrutivos (MND) para reabilitação de redes. Em cidades onde a infraestrutura hídrica tem décadas de uso e as tubulações estão degradadas, a renovação pelo método convencional — escavação, remoção, reinstalação — interrompe o abastecimento, paralisa ruas e eleva custos operacionais e sociais. Os MNDs permitem a modernização da tubulação existente sem abertura de valas, com aplicação em redes de até cinco metros de diâmetro, ou seja, a infraestrutura permanece em operação enquanto é renovada. É a diferença entre cirurgia aberta e intervenção minimamente invasiva.

O que une o monitoramento inteligente e os métodos não destrutivos não é apenas a tecnologia, é uma leitura específica de onde o problema realmente está. A escassez hídrica no Brasil não é apenas uma questão de quantidade de água disponível nos mananciais. É uma questão de quanto dessa água o país é capaz de entregar. Redes antigas que perdem 40% do que transportam não têm problema de abastecimento na captação — têm problema de gestão na distribuição. A distinção é operacionalmente relevante, já que essas soluções de engenharia nas redes têm potencial de efeito imediato, reversível e mensurável, sem depender do ciclo longo de construção de novos reservatórios ou de negociações sobre uso de bacias hidrográficas.

A Amanco Wavin integra essa visão à sua Estratégia ESG 2030, que inclui meta de redução de 20% no consumo de água em suas próprias operações industriais. A empresa participa do El Agua nos Une, iniciativa latino-americana gerida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVces) e financiada pela Agência Suíça para Desenvolvimento e Cooperação (COSUDE), que capacita empresas na quantificação e gestão da pegada hídrica. A simetria não é retórica: a mesma empresa que monitora o desperdício nas redes urbanas aplica metodologia análoga às suas próprias operações.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, a agenda hídrica costuma aparecer como pauta de conscientização — campanhas, métricas de comportamento individual e apelos ao consumo responsável. O que Campinas demonstra é outra ordem de grandeza: uma cidade que reduziu seus índices de perda à metade da média nacional e que não o fez apenas por meio de campanha de conscientização, fez com tecnologia, engenharia, dados e decisão institucional. Isso não invalida a dimensão comportamental, mas evidencia que a escala do problema exige soluções de mesma proporção.

O planeta não negocia prazos. Mas a gestão eficiente das redes hidráulicas responde à intervenção técnica qualificada, fazendo grande diferença nesse cenário. E 28 bilhões de litros preservados não são promessa — são realidade e a prova de que é possível mudar a realidade do desperdício.

Este conteúdo integra o especial “O Planeta Fora de Equilíbrio: Da Terra ao Oceano”, produzido pelo Neo Mondo para aprofundar o debate sobre a crise sistêmica do planeta e suas consequências econômicas, geopolíticas e civilizatórias. Um especial Neo Mondo em parceria com a Amanco Wavin e Redemar Brasil.

régua dos patrocinadores do especial, remete a matéria Não é seca. É vazamento

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