POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Arantxa Ugartetxea, da Espanha, lembrou que ela e o marido, nos anos 1970-1980, sentiram que “foi emocionante ver como a presença física era a realidade da palavra escrita” do mestre.
A Universidade Estadual de Campinas teve em Paulo Freire um de seus expoentes durante 10 anos, e o Seminário – em sua sétima edição – é uma das maneiras de tornar sempre presente a importância pedagógica do pensador, nascido em 1921, em Recife. Outras, lembra a Assessoria de Imprensa da Unicamp, é a criação da primeira biblioteca popular de Campinas, que leva o nome do educador, além de experiências e pesquisas acadêmicas realizadas a partir do pensamento freireano.
Projetos e palestras são realizados em países como Colômbia, Brasil e Chile. Neste, se organiza um encontro em parceria com a diretora do Sistema Educacional de Santiago do Chile, Lorena Contreras, também presente no Seminário da Unicamp.
Francisco Genézio Mesquita, organizador do Seminário, fez questão de trazer ao evento da Unicamp pessoas que não só trilharam o caminho de Paulo Freire, mas também contribuem para escrever a história da instituição. Uma parceria que ajuda a preservar e difundir o legado do educador brasileiro.
Um dos convidados para a abertura do Seminário foi o presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti. O IPF é também referência quando se trata de prestar serviços do mais alto nível em ações educacionais, para o que conta com um quadro de consultores comprometidos com a pedagogia freireana.
Pessoas integradas e solidárias
Para a Unicamp, a discussão sobre o pensamento de Paulo Freire é uma forma de resgatar a idéia de um mundo capaz de integrar pessoas, ressalta a Assessoria de Imprensa da Universidade. Genézio destacou a importância do público, em sua maioria formado por educadores, na sua percepção das idéias do mestre: “Temos de preservar o pensamento original dele fazendo disso uma re?exão para as práticas atuais. Vocês multiplicaram a notícia, vocês recomendaram uns aos outros. Paulo Freire acreditava no trabalho voluntário, e o público tem feito isso desde o primeiro seminário, um convidando o outro”, disse a um auditório com lotação máxima.
Quem também privou da convivência com Paulo Freire é o colombiano Miguel Escobar, educador radicado no México. Presente ao Seminário, acentuou que falar do mestre não é só recordações, por mais alegres que tenham sido as horas passadas ao lado do amigo. Professor universitário, Escobar aplica a pedagogia freireana em salas de aula. “Meus alunos participam da formação de conhecimento”, sintetiza.
Desde o primeiro encontro que teve com Paulo Freire, em Genebra (Suíça), na década de 1970, até hoje, Escobar traz os pensamentos do educador nos livros que escreve. Está perto de ser lançado, em São Paulo, “Paulo Freire na Educação Superior”. De 1983 a 1985, Escobar dedicou-se a trabalhos sobre pedagogia de Freire na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam). “Éramos muito amigos, ele prefaciou dois livros de minha autoria”, disse. Mas o que mais conta, em sua visão, é que o evento da Unicamp é um momento importante para o resgate da teoria da solidariedade.
Educador incansável
A trajetória de Paulo Freire e de seu método pedagógico, com base no diálogo – que a partir de 1963 começa a ser conhecido no País – é expressiva desde o início, bem como o número de suas obras publicadas em períodos diferentes da história do País. “Pedagogia do Oprimido” é obra fundamental para entender o pensamento e a prática do educador, o que a faz ser um dos títulos com mais número de edições e reimpressões, informa a Assessoria de Imprensa da Editora Paz e Terra.
O bacharel em Direito, formado em 1946, desistiu logo da pro?ssão. Foi diretor de Educação e Cultura do Sesi, a partir de 1947, participou da criação do Movimento de Cultura Popular (MCP) de Recife, em 1960, e dois anos depois assumiu a direção do Serviço de Extensão da Universidade de Pernambuco.
A alfabetização é entendida por Paulo Freire não apenas como domínio das técnicas de leitura e escrita, mas como aquisição da capacidade de leitura do mundo, de desenvolvimento da consciência crítica. E a educação não pode ser verbalista, autoritária e vista de cima para baixo, que o pensador chamava de “bancária”. Para ele, deve passar pelo reconhecimento da identidade cultural do aluno para, na reta final, ser potencial de transformação do mundo.
Chegou assim a coordenar o Programa Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação, em 1964, mas veio o golpe militar. Foi preso e, depois de um período de auto-exílio, retornou ao Brasil em 1979. Em 1970, foi um dos criadores do Instituto de Ação Cultural (Idac), na Suíça.
Além de professor na PUC, Unicamp e USP, Paulo Freire foi secretário municipal de Educação de São Paulo, entre 1989 e 1992. Recebeu o título de doutor honoris causa em cerca de 30 universidades brasileiras, americanas e européias. Para saber mais acesse http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/p.html ou http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_paulo-freire.htm .